Acordo de Paris. Três anos depois há acordo para o colocar em prática

Durante duas semanas responsáveis de governos encontraram-se em Katowice (Polónia) para tentar um acordo de forma a ser possível colocar em prática o Acordo de Paris sobre o clima. Este sábado à noite terão conseguido.

As divisões políticas sobre as alterações climáticas existentes entre os cerca de 200 países que estão reunidos em Katowice (Polónia) para discutir o Acordo de Paris 2015 terão sido ultrapassas na noite deste sábado. De acordo com a agência Reuters terá sido feito um acordo para colocar em prática o compromisso rubricado na capital francesa há três anos e que visava limitar a emissão de dióxido de carbono a partir de 2020 de foram a assegurar que o aumento da temperatura média global fique abaixo de 2.º graus centígrados acima dos níveis pré-industriais.

Após duas semanas de negociações na Polónia, os representantes das duas centenas de nações terá chegado a um acordo que não foi fácil como reconheceu o presidente polaco. "Não é fácil conseguir um acordo tão técnico e específico. Com este compromisso, andámos mil passos, podemos sentir-nos orgulhosos", disse Michal Kurtyka.

Segundo conta a agência noticiosa quando o governante deu por encerrados os trabalhos - batendo com um martelo na mesa - os ministros presentes juntaram-se no palco trocando abraços.

Foi o suspiro de alívio pois antes do início das negociações havia uma grande expectativa sobre o que poderia acontecer principalmente devido à posição dos Estados Unidos - uma das nações com maiores emissões poluentes - de quererem retirar-se do Acordo de Paris, como já frisou o presidente norte-americano, Donald Trump.

Depois de ser ultrapassado que colocava frente a frente o Brasil e alguns países em desacordo sobre as regras de monitorização dos créditos de carbono, com o adiamento da maior parte da discussão para o próximo ano, foi possível chegar a um documento onde em 156 páginas estão explicadas as regras que definem como os países vão relatar e monitorizar as suas iniciativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

No entanto, há países e grupos ecologistas que ficaram descontentes com o resultado destas negociações, segundo a Reuters. Entre críticas à falta de ambição do compromisso, surgiram também as dúvidas das nações mais pobres e vulneráveis que pretendiam ver inscrito no documento uma maior clareza no que diz respeito ao financiamento para melhorar as suas infraestruturas.

Quando deixou o encontro, na quinta-feira (dia 13) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tinha deixado como mensagem a necessidade de existir um maior trabalho. "De agora em diante as minhas cinco prioridades serão: ambição, ambição, ambição, ambição e ambição."

"E a minha ambição deve guiar todos os estados membro enquanto preparam os planos de redução de emissões para 2020 de forma a reverter a tendência atual em que as alterações climáticas estão a ser mais rápidas do que nós", frisou.

Recorde-se que um relatório divulgado pelas Nações Unidas, em outubro, alertou para o facto que para manter a temperatura da Terra a subir 1.5.º graus centígrados seria necessário uma mudança sem precedentes nas sociedades.

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