A estrela de Natal? Júpiter e Saturno vão formar o primeiro "planeta duplo" visível em quase 800 anos

Desde 1226 que os dois maiores planetas do sistema solar não estão tão próximos um do outro quanto vão estar a 21 de dezembro

Vistos a partir da Terra, Júpiter e Saturno poderão parecer distantes, mas os dois planetas vão chegar tão perto um do outro que poderão parecer sobrepostos, criando uma espécie de "planeta duplo" que não era visível desde a Idade Média.

Este evento astronómico em que dois objetos se alinham no céu é conhecido como "conjunção". Mas ​​​é chamado de "grande conjunção" quando envolve precisamente Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do sistema solar. Também conhecido, popularmente, como Estrela da Natividade ou Estrela de Belém.

Em 1614, o astrónomo alemão Johannes Kepler sugeriu que pode ter sido uma conjunção de Júpiter e Saturno a motivar as referências bíblicas à "Estrela de Belém", na história da natividade.

Outras correntes, no entanto, sugerem os Três Reis Magos poderiam ter seguido uma conjunção tripla de Júpiter, Saturno e Vénus ou mesmo um cometa para visitar o menino Jesus.

Agora, esta grande conjunção "vai ser possível de ver a olho nu. Não precisa de ser observada com instrumentos sofisticados", disse ao The Washington Post Michael Brown, astrónomo da Universidade de Monash, na Austrália.

A 21 de dezembro, os dois planetas estarão separados por 0,1 graus no campo visual, mas na verdade vão estar distantes cerca de 724 milhões de quilómetros no espaço.

Atendendo ao ritmo das suas órbitas - Júpiter leva cerca de 12 anos terrestres a dar uma volta ao Sol em comparação com os 30 de Saturno -, os dois planetas ficam alinhados aproximadamente uma vez em cada duas décadas.

No entanto, cada órbita tem uma inclinação ligeiramente diferente, o que faz com que conjunções com distâncias tão curtas como a prevista para dia 21 sejam raras. Segundo Brown, a última vez que foi possível ver Saturno e Júpiter próximos o suficiente para criar o "planeta duplo" foi em março de 1226. Também estiveram próximos em 1623, mas o fenómeno foi impossível de observar devido ao brilho do Sol.

Ainda assim, não será preciso esperar mais oito séculos para ver outro "planeta duplo", uma vez que a próxima conjunção será visível em 2080, de acordo com projeções de um astrónomo da Rice University, Patrick Hartigan.

Contudo, esta será uma oportunidade única para uma geração de astrónomos.

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