Atinge mais jovens e é mais resistente? Nova variante sul-africana já circula em Portugal

Para já, é um único caso em Portugal. Variante sul-africana é conhecida por atingir os pacientes mais jovens e por ser mais resistente a anticorpos

João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), revelou esta sexta-feira na RTP que a variante de covid-19 da África do Sul já foi detetada em Portugal. Até agora, há um único caso no país.

"Infelizmente, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge hoje mesmo detetou a presença da variante da África do Sul também em Portugal", afirmou o investigador. "É um caso único", esclareceu.

João Paulo Gomes explicou que este era um caso suspeito e que, através da sequenciação genómica, o INSA confirmou tratar-se da variante da África do Sul, que, à semelhança da inglesa, é mais contagiosa.

O caso reporta-se a um sul-africano residente em Lisboa, que terá chegado a Portugal pouco depois do Natal. O diagnóstico foi feito a 7 de janeiro e a DGS já está a fazer o rastreio dos contactos "o mais rápido possível para se quebrar a cadeia de transmissão".

A variante da África do Sul, detetada em dezembro, é conhecida por atingir os pacientes mais jovens, e terá sido fundamental na disseminação do vírus durante a segunda vaga no país sul-africano.

Médicos sul-africanos dizem que os seus pacientes são mais jovens e nem sempre têm outras doenças que amplificam o efeito do vírus, mas, apesar disso, estão a sofrer de formas mais graves de Covid-19 com esta nova variante.

"A variante '501.V2' do vírus SARS-COV-2 foi identificada por investigadores sul-africanos e comunicada à Organização Mundial da Saúde (OMS)", disse o ministro Zweli Mkhize na altura.

Variante mais resistentes a anticorpos

"Esta nova variante genética do SARS-CoV-2 tem sido assinalada pelas autoridades de saúde mundiais como merecedora de especial vigilância dado o seu elevado potencial de transmissão. Além disso, alguns ensaios laboratoriais revelaram que esta variante poderá ser menos reconhecida por alguns dos anticorpos gerados no decurso de uma infeção, suscitando naturalmente uma preocupação acrescida", refere o INSA, em comunicado.

Desde agosto, o número de novos casos cresceu rapidamente na África do Sul devido a uma segunda vaga de contágio impulsionada por esta variante do SARS-CoV-2 detetada na Cidade do Cabo, que se espalha 50% mais rápido, e em que os anticorpos naturais são menos eficazes, segundo cientistas sul-africanos, que acrescentam que esta não provoca doenças mais graves.

De acordo com a CBS News, que teve acesso a um laboratório sul-africano que estuda a variante, esta parece ter alguma resistência aos anticorpos que as vacinas criam no corpo humano para afastar o vírus.

"Acreditamos que estamos a passar por uma nova pandemia com essa variante que não só se transmite muito mais rapidamente mas que também é mais difícil de neutralizar", disse o cientista genético Túlio de Oliveira.

Também Alex Sigal, investigador sénior do Africa Health Research Institute e do Max Planck Institute for Infection Biology da Alemanha, diz que a variante descoberta na África do Sul parece ter a capacidade de reduzir significativamente a eficácia dos anticorpos em pessoas infetadas com a versão original do vírus.

Ou seja, além de os infetados pela variante original da covid-19 não terem tantas defesas naturais para lidar com esta variante, as vacinas poderão ser pouco eficazes. Ainda assim, Sigal sublinha que "ainda não há evidências de que as vacinas serão afetadas", pelo que a solução deverá passar por continuar a vacinar pessoas.

No laboratório central da África do Sul, os cientistas frisam que as vacinas contra a covid-19 poderão ter de ser ajustadas de vez em quando para proteger contra novas variantes, à imagem do que acontece com a vacina contra a gripe.

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