Vacinação quando e onde quiser para facilitar e agilizar processo

Quem está de férias pode tomar a primeira dose da vacina e marcar a segunda para um centro da sua residência. Médicos dizem que facilita desde que a informática o permita

Atask force voltou a facilitar o processo de vacinação contra a covid-19. A modalidade Casa Aberta permite, agora, tirar uma senha digital para qualquer centro de vacinação do país, não se limitando ao concelho de residência do utente. E a segunda dose pode ser recebida num local diferente do da primeira, ficando marcada aquando da primeira inoculação. O objetivo é "melhorar o acesso a quem quer ser vacinado, porque grande parte de população já está vacinada e ainda temos capacidade de vacinar massivamente", refere a task force.

A modalidade Casa Aberta está disponível para toda a população portuguesa com mais de 12 anos desde segunda-feira, o que mudou ontem é que agora poderá ser concretizada em qualquer Centro de Vacinação Covid (CVC). Significa que as férias não são impeditivas para quem quer tomar a vacina. E, nos casos da Pfizer, Moderna e AstraZeneca, que têm duas doses, a segunda pode ser num sítio diferente da primeira, ficando logo marcado o local. Esta possibilidade só está disponível para quem tirar a senha online, o que deve ser feito através do portal da Direção-Geral da Saúde (DGS).

"A partir desta quinta-feira, dia 27 de agosto, os utentes poderão ser vacinados contra a covid-19 em qualquer centro de vacinação de Portugal continental à sua escolha, bastando para isso recorrer ao sistema de senha digital da modalidade Casa Aberta", referiu um comunicado da task force do Plano Nacional de Vacinação Covid-19.

A nova possibilidade é alargada a quem já fez o agendamento e prefere não esperar pelo dia marcado, podendo apresentar-se em qualquer CVC. Por exemplo, se está em Faro e tem a primeira dose da vacina marcada para a Amadora, pode recorrer à Casa Aberta enquanto permanecer no Algarve.

Os médicos de medicina geral e familiar sublinham que a mudança vai acelerar ainda mais o processo de vacinação, o que esperam é que o programa informático seja compatível. Isto porque, até agora, não era possível introduzir dados das pessoas que não estivessem previstas no plano de vacinação.
"Facilita o processo aos utentes porque permite uma escolha muito maior e, para um profissional, é indiferente que a pessoa resida no Porto ou em Lisboa. O que é importante é que o sistema informático o permita fazer", referiu ao DN Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). A task force garante que o digital já foi adaptado.

Passar para centros de saúde

A prática clínica de Nuno Jacinto indica que quem falta vacinar, além dos mais novos que só iniciaram neste mês a vacinação, já teve covid-19 ou algum impedimento de saúde. Segundo a DGS, não há ninguém entre os 12 e os 17 anos com a vacinação completa, mas 19% já tomaram a primeira dose. No total, mais de 8,2 milhões de pessoas tomaram pelo menos a primeira dose da vacina, o que representa 80% da população portuguesa e 7,4 milhões têm a vacinação completa (73%).

As percentagens de vacinados totais vão aumentado à medida que se avança nos grupos etários - mais de 91% acima dos 49 anos - , o que tem que ver com as prioridades inicialmente definidas pelo plano de vacinação.
O próximo fim de semana é, pela segunda vez, destinado prioritariamente a quem tem entre 12 e 17 anos de idade, estando agendados 86 mil para iniciarem o processo. Mas o ritmo de vacinação tem vindo a diminuir, o que explica esta nova abertura por parte da task force. Na semana passada, a média de vacinas inoculadas diariamente rondava os 70/80 mil, número que já baixou, segundo a task force, sem avançar com novos dados.
Valores que apontam para o desmantelamento dos CVC a curto prazo e a passagem das vacinas contra a covid para os centros de saúde. Nuno Jacinto sublinha que é importante definir quando acontecerá essa alteração, bem como onde e que vacinas vão administrar. Será já a terceira dose da vacina e quem a irá tomar? Acredita que a experiência destes primeiros meses tenham contribuído para evitar a confusão do início da vacinação.

Os CVC de Lisboa e Vale do Tejo poderão ser os últimos a encerrar. É a região do continente com menos pessoas vacinadas: 76% tomaram pelo menos a primeira dose e 66% completaram a vacinação.
Mas o grande problema de todo o processo, segundo o dirigente da APMGF, foi não terem profissionais de outros setores a apoiar quem foi deslocado dos centros de saúde. "As vacinas foram administradas pelos profissionais dos cuidados de saúde primários, o que significa que não estivemos nas nossas unidades a ver os doentes. Continuámos sozinhos durante todo este processo e nunca tivemos a colaboração de outros profissionais, o que só podemos lamentar dado o impacto negativo para nós e para os nossos utentes."

ceuneves@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG