Uma corrida para a sustentabilidade

De 31 de outubro a 12 de novembro vai ter lugar na Escócia a COP26. Até lá 12 jovens, divididos em três equipas -- Energia, Água e Produção e Consumo Sustentável -- vão ligar Cascais a Glasgow em modo sustentável. Com os jovens da Energia a contar no DN a sua experiência e aventuras.

Em 1997 a maioria dos países do mundo decidiram que era tempo de agir e um acordo global foi alcançado (Protocolo de Quioto) onde se traçaram objetivos ao nível da redução das emissões dos países mais desenvolvidos. Contudo, só em 2005 é que este acordo entrou em vigor e só passado 3 anos (em 2008), é que foi operacionalizado. Entretanto já quase 10 anos se tinham passado e rapidamente se percebeu que um novo acordo, mais ambicioso, mais global era necessário. Em 2009 tentou-se, sem sucesso, chegar a um acordo sobre uma meta global de redução de emissões. E falhou-se de tal maneira que a grande maioria das bases deste acordo foram abandonadas. Começou nesta altura o processo de pensar num outro tipo de acordo, um que não obrigasse nenhum país a fazer nada que não quisesse. Um acordo voluntário. Por esta altura já o mundo estava mais consciente das consequências para o planeta de uma subida média da temperatura acima dos 2 graus centígrados.

Em 2015 a urgência climática já não era somente falada à boca pequena. Nascia o Acordo de Paris. A estrela de rock das alterações climáticas. O Acordo de Paris foi um marco técnico muito importante, pois todos os países voltaram a reafirmar a importância de não ultrapassar os 2 graus e fazer um esforço para limitar o aumento a 1,5 graus centígrados, mas teve maior impacto ainda na forma como as alterações climáticas passaram a ser percecionadas pelas empresas e pelo público em geral. Todos, sem exceção ouviram falar deste acordo. O Acordo de Paris tornou-se cool. É trendy ser-se sustentável. Uma empresa que não trabalha em linha com os objetivos de descarbonização do seu país e do mundo é antiquada e não merece a nossa confiança.

Em 2018, teve lugar uma nova COP (onde se negoceiam os acordos sobre o clima), na qual a Get2C sentiu que precisava de ter um papel mais interventivo neste ecossistema, ajudando governos e empresas a estruturar as suas próprias estratégias climáticas. Sentimos necessidade de chegar a todos os cidadãos e aproveitarmos o embalo que Paris nos tinha dado para explicar a todas as pessoas que as nossas decisões diárias fazem a diferença e que a nossa pegada carbónica é relevante.

Foi com este objetivo de sensibilização pública que nos pusemos a caminho de Katowice num carro elétrico (quando ainda não existiam os carros disponíveis para o cidadão comum e a infraestrutura que temos hoje). Durante essa viagem, percebemos duas coisas: ser mais sustentável não custa assim tanto (nem economicamente nem a nível de bem-estar) e que a maioria das pessoas ainda não estavam realmente consciencializadas para a importância da contribuição de cada um. Entrevistámos muita gente pelo caminho, medimos a pegada carbónica, a pegada hídrica, gerámos estatísticas e comunicámos. A viagem foi um sucesso e o impacto mediático sensacional.

Mas sentimos que tínhamos obrigação de fazer mais. Mais e melhor.

Rapidamente idealizámos uma nova ação, desenvolvemos o conceito base e decidimos aplicá-lo na COP seguinte. No entanto, a COP do Chile transformou-se na COP de Madrid devido aos tumultos da altura e a viagem, dada a proximidade, deixou de fazer sentido. Depois.... bom, depois foi um ano e meio de intervalo em que todas as outras preocupações, não relacionadas com o COVID-19, passaram para segundo plano. Mas há males que vêm por bem e, se há algo de positivo a retirar desta pandemia, é o segundo boom mediático que todo o tema das alterações climáticas teve.

Tal como em Paris, mas agora no mundo real. A opinião pública e os influenciadores trouxeram esta temática para a ribalta e uma nova consciencialização ganhou corpo. As empresas entenderam que era a altura de agir e que há muitas outras formas de viver que não impactam de forma tão negativa o nosso planeta.

Na GET2C resolvemos surfar esta onda e criar histórias que ajudem a reforçar esta ideia de que as decisões individuais importam. Convidámos a Earth Watchers a fazer parte deste projeto e escrevemos a nossa história: nasceu o Climes To Go.

A Câmara Municipal de Cascais foi a primeira a juntar-se e formou-se o núcleo de um projeto que proporciona a possibilidade a 12 Jovens, divididos em 3 equipas (Energia, Água e Produção e Consumo Sustentável), de viajarem de Cascais a Glasgow. Mas não irão viajar em modo passeio. É uma corrida para a Sustentabilidade.

Cada equipa parte de Cascais com um orçamento de CLIMAS (moeda virtual deste jogo). Cada CLIMA representa a soma ponderada de 4 vetores que são avaliados muitas vezes de forma independente, mas que raramente são tidos como 4 forças interligadas num único vetor de sustentabilidade. As viagens serão analisadas a nível do Co2, Água, Tempo e Dinheiro que consomem, ou seja, CLIMAS. O transporte, a alimentação as escolhas do alojamento serão algumas das ações que estarão sob escrutínio. Mas como na vida, os orçamentos são feitos de custos e proveitos. Os proveitos virão de acões de sensibilização que estas equipas farão pelo caminho ou de desafios específicos que cada equipa terá que superar.

Quem chegar a Glasgow com mais CLIMAS será a equipa que terá conseguido demonstrar da melhor forma possível que é possível viver neste mundo sem termos que viver com mais do que 1,5 graus do que precisamos.

As 3 equipas farão percursos diferentes. A Equipa da Energia irá relatar ao DN a sua experiência e as suas aventuras.

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