UE quer "cuidado e coordenação" nas fronteiras

Líderes europeus defendem que é necessária "coordenação" para fazer frente ao risco crescente de propagação de variantes.

Nos últimos dias intensificou-se a pressão sobre os países que abriram as fronteiras da Europa à entrada de turistas oriundos de zonas onde há predominância de variantes causadoras de formas mais graves de covid-19, nomeadamente o Reino Unido. "Estamos preocupados com a variante Delta, e defendo uma abordagem ainda mais coordenada, especialmente no que diz respeito a viagens de regiões onde as variantes estão a espalhar-se", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, sem esclarecer se as medidas se aplicam também a viagens dentro das fronteiras da União Europeia.

Merkel contou com o apoio do presidente francês, Emmanuel Macron, que exigiu "decisões coordenadas em termos de abertura de fronteiras", especificando que estava a falar "de países terceiros".

As declarações de ambos pareceram visar Portugal e Espanha que não seguiram a recomendação europeia de aplicar restrições, como a quarentena obrigatória, a viajantes oriundos do Reino Unido.

"Todos devemos estar vigilantes porque a infame variante Delta está a chegar, transmite-se muito mais rapidamente, em comparação com as variantes anteriores, e vemos que atinge pessoas não vacinadas ou que tomaram só uma dose", alertou Macron.

Já nesta semana Merkel tinha abordado o tema, numa declaração em Colónia, na Alemanha, onde apontou "a situação em Portugal que talvez pudesse ter sido evitada", referindo-se ao aumento de casos em Lisboa e Vale do Tejo.

Ontem, quando chegou a Bruxelas, o primeiro-ministro António Costa afirmou que as medidas em Portugal serão "coordenadas com a União Europeia", admitindo que a imposição de quarentenas não está afastada.

"Vamos discutir aqui no Conselho quais são as decisões que vamos tomar relativamente ao controlo de entradas de pessoas originárias de países terceiros, designadamente do Reino Unido. E Portugal tem seguido a doutrina de praticar aquilo que é acordado a nível europeu", afirmou Costa, considerando que, "sendo presidência, ficava-nos particularmente mal não seguirmos aquilo que é acordado a nível europeu".

Mas nem todas as posições foram concordantes com a insistência sobre a coordenação. O primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic,ć mostrou-se "a favor de que em que cada país é cada governo que toma as decisões". Com o país dependente do turismo, "a nossa posição é avaliar as áreas de onde as pessoas vêm e de onde regressam à Croácia", defendeu Plenkovic.

Durante o debate, que se prolongou até ao início da noite de ontem, "todos expressaram satisfação com a velocidade atual da campanha de vacinação" na União Europeia, comentou uma fonte conhecedora do andamento das discussões.

A mesma fonte adiantou que "a taxa de aparecimento dos contágios da variante Delta foi amplamente discutida", sem no entanto especificar se o debate se centrou, em particular, na situação de Portugal. As conclusões adotadas também não o evidenciam.

Os líderes apontaram a "necessidade de um mercado único novamente em pleno funcionamento", tendo em conta as "lições aprendidas com a pandemia", lê-se no documento. Outra fonte disse que na discussão foi apontada a necessidade de "as fronteiras internas e externas deverem ser abertas com cuidado e de forma coordenada", para evitar a propagação pela Europa.

De acordo com as estimativas divulgadas ontem pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, a variante Delta representará "90% das novas infeções na Europa até final de agosto", contribuindo para um agravamento do número de internados e de mortes por covid-19..

dnot@dn.pt

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