Schiaparelli tentou aterrar quando estava a quase 4 quilómetros de Marte

Avaria comprometeu dados do sistema de navegação e precipitou aterragem do módulo, que ficou destruído

O módulo de aterragem Schiaparelli despenhou-se em Marte por causa de uma avaria que comprometeu os dados do sistema de navegação. O fracasso da segunda tentativa europeia de exploração do Planeta Vermelho, 13 anos depois do Beagle 2, foi agora explicado com maior detalhe pela Agência Espacial Europeia: o Schiaparelli colidiu com o solo depois de uma falha num sensor, que o levou a disparar o paraquedas e a ativar os travões quando ainda estava a 3,7 quilómetros da superfície de Marte.

Devido à avaria, o sistema do módulo começou a funcionar como se já tivesse aterrado, quando ainda faltavam muitas centenas de metros para o solo, informou um relatório divulgado pela agência (ESA, na sigla original).

O erro ficou a dever-se a uma falha no mecanismo que media a velocidade a que o Schiaparelli se deslocava. "Quando transmitida ao sistema de navegação, a informação errónea gerou uma altitude estimada que era negativa, abaixo do nível do solo. O que, por sua vez, fez disparar prematuramente o paraquedas e os propulsores de travagem", descreve o relatório.

A destruição da Schiaparelli foi uma perda marcante para a missão ExoMars no passado dia 19 de outubro. O módulo mergulhou à hora prevista na fina atmosfera marciana, a uma velocidade vertiginosa de 21 mil quilómetros por hora mas, a um minuto de tocar no solo, o sinal que estava a ser captado pelo radiotelescópio GMRT, instalado na Índia, perdeu-se. Apesar do fracasso da aterragem, a sonda orbital da missão ExoMars, a TFO (Trace Gas Orbiter) ficou em órbita de Marte, tal como previsto.

"O principal papel do Schiaparelli era testar as tecnologias de aterragem europeias. A gravação dos dados durante a descida era parte desse teste e é importante sabermos o que aconteceu, para podermos preparar-nos para o futuro", disse então o diretor-geral da ESA, Jan Woerner. Porém, o impacto da perda do Schiaparelli na segunda fase da missão Exomars, prevista para 2020, ainda não foi avaliado.

Desde a década de 1960 do século passado, mais de metade das tentativas de aterragem de um veículo em Marte falharam. O Schiaparelli, que custou 230 milhões de euros, precisou de sete anos para fazer os 496 milhões de quilómetros até Marte.

Com Reuters

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