Quando o nível do mar subir, estas cidades vão ficar assim

Nova Iorque, Xangai, Londres e Sidney estão entre as metrópoles em risco de ficar submersas

Um novo estudo do instituto Climate Central indica que com um aumento de apenas 2.º na temperatura média global, várias grandes metrópoles como Xangai, Bombaim, Londres e Nova Iorque correm o risco de desaparecer.

O estudo divulgado no domingo à noite, a algumas semanas da conferência sobre o clima COP 21, indica que o nível da água do mar continuará a subir para cobrir territórios onde vivem atualmente 280 milhões de pessoas. Com mais 4ºC, o fenómeno afetará mais de 600 milhões de habitantes e nem as grandes metrópoles como Nova Iorque, Sidney e Rio de Janeiro vão resistir.

O relatório do Climate Central, que se baseia nas projeções de subida do nível médio das águas do mar publicadas por esse instituto na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences no mês passado, foi acompanhado por imagens alteradas, criadas pelo artista gráfico Nickolay Lamm. Para as criar, as projeções de subida das águas foram aplicadas a mapas topográficos de algumas das maiores metrópoles mundiais.

Durban, na África do Sul, é o exemplo perfeito de como uma inteira cidade pode desaparecer sob as águas com o aquecimento global. A imagem abaixo mostra o que podemos esperar da cidade quando o planeta for 2º ou 4º mais quente.

Londres, a cosmopolita capital do Reino Unido terá graves problemas com qualquer tipo de subida de temperatura. Tanto com mais 2º C como com mais 4ºC, a cidade tornar-se-á uma nova versão de Veneza, com grandes canais de água a correr por entre os prédios e os barcos quase como única forma de circulação.

Nova Iorque, por outro lado, ainda será habitável com uma subida de de 2ºC, mas se a temperatura aumentar para o dobro, a cidade vai tornar-se inóspita para a circulação e talvez sobrevivência.

No Rio de Janeiro, cidade com mais de 6 milhões de habitantes, o nível da água chegará à altura dos carros se o planeta aumentar 4ºC. Com mais 2ºC, não haverá grandes alterações a registar.

Em termos de população, a China, país mais populoso do mundo, será a mais afetada: com 4ºC, a subida das águas afetará um território onde vivem atualmente 145 milhões de pessoas, de acordo com este estudo que não avalia a evolução demográfica, nem a construção de infraestruturas, como diques.

Em Xangai, a cidade mais populosa do país, com um aumento global de 2ºC ainda existirão áreas verdes e estradas, mas os acessos e a circulação dentro da cidade serão gravemente afetados. Com mais, 4ºC apenas os grandes arranha-céus estarão acima do nível da água.

Bombaim, cidade mais populosa da Índia, será parcialmente submersa pelo Oceano Índico caso a temperatura suba 2 ou 4ºC. Mais uma vez apenas os pontos alto da cidade resistirão.

Na Austrália, na cidade de Sidney, a água ocupará lugares reservados às pessoas quando o aquecimento for irreversível. Com mais 2ºC a cidade ainda conseguirá manter as principais condições de sobrevivência.

Ben Strauss, um dos autores do estudo, destacou o perigo que as grandes cidades correm mesmo com as previsões mais otimistas. Mas as medidas tomadas para reduzir rápida e drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa, que alteram o clima e persistem na atmosfera durante centenas de anos, podem fazer a diferença: "Ainda temos perante nós um vasto leque de escolhas", acrescentou o investigador.

Ao mesmo tempo, o estudo da Climate Central admite que essa diferença poderá não ser o suficiente para evitar o aquecimento do globo, mas apenas para retardá-lo.

Com apenas mais 2ºC, o mar ganha 4,7 metros. Com uma subida da temperatura máxima de 1,5ºC, objetivo exigido pelas nações mais vulneráveis como os pequenos Estados insulares, as águas ficarão pelos 2,9 metros e a população afetada rondará os 137 milhões de pessoas. Já a este ponto, a alteração permanente de paisagens de cidades costeiras será inevitável.

Se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem a sua progressão como têm feito até agora, levando a um aquecimento de 4ºC, o nível das águas subirá, em média, 8,9 metros, avança o estudo. Algumas cidades não vão resistir de todo à mudança.

Outros países serão particularmente afetados: Bangladesh, Vietname, Indonésia, Japão, Filipinas, Egito, Tailândia, Birmânia e Holanda. Entre as principais cidades contam-se Hong Kong, Calcutá, Dacca, Jacarta, Hanói, Buenos Aires ou Tóquio.

Steven Nerem, da universidade do Colorado (EUA), considerou após uma análise à metodologia do estudo existirem "alguns erros em locais", mas considerou ser "o melhor que se pode fazer com os dados públicos disponíveis". Jean-Pascal van Ypersele, do grupo internacional de peritos sobre o clima (GIEC), afirmou tratar-se de "um estudo sólido".

A temperatura planetária subiu, desde a Revolução Industrial, 0,8ºC, um ritmo inédito gerado pelos gases emitidos pelos combustíveis fósseis. A comunidade internacional fixou o objetivo de manter a temperatura abaixo dos 2ºC e deve reunir-se a 30 de novembro, em Paris, para tentar concluir um acordo universal que permita alcançar esse valor.

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