O dia com mais casos desde 22 de abril. R(t) e incidência a subir

Boletim da DGS regista, esta quarta-feira, 594 novos casos de infeção e 1 morte. Há 233 pessoas internadas, menos quatro que ontem.

Portugal registou esta quarta-feira 594 novos casos de infeção e 1 morte, de acordo com o balanço da DGS relativo aos efeitos da pandemia de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas. É o dia com mais casos desde 22 abril, data em que se registaram 636 contágios.

233 pessoas estão internadas, menos 4 que ontem. Deste total, 53 doentes estão nos cuidados intensivos, mais um que no dia anterior.

Quer a incidência, quer o índice de transmissibilidade voltaram a subir. Este último, o R(t), está agora em 1,07 (considerando todo o país e apenas o território continental). Estava em 1,06 há dois dias, na última atualização destes dados.

A incidência no continente está agora nos 54,4 casos por 100 mil habitantes (estava em 52,5 há dois dias). A nível nacional está nos 57,8 casos por 100 mil habitantes, uma subida de mais de três pontos face à última segunda-feira.

Há agora 22 347 casos ativos de covid-19 em Portugal, mais 176 que no dia anterior. Mais 417 pessoas recuperaram da doença, para um total de 807 065 recuperados.

No total, Portugal já registou 846 434 casos de infeção por SARS-CoV-2 e 17 022 óbitos em resultado da covid-19.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a registar o maior número de contágios - 280, uma percentagem de 47,1% do total. Na região Norte há 185 novos casos, no Centro 64, no Algarve 18 e no Alentejo 13.

Nos Açores foram contabilizados 26 novos casos nas últimas 24 horas, enquanto na Madeira foram oito. Foi nesta região autónoma que ocorreu o único óbito por covid-19 das últimas 24 horas.

Governo anuncia alargamento da vacinação a maiores de 40 e 30 anos "a nível nacional"

O Governo anunciou que decidiu acelerar a vacinação contra a covid-19 "a nível nacional", e não apenas em Lisboa, alargando-a a maiores de 40 e 30 anos a partir de 06 e 20 de junho.

Numa mensagem publicada na conta oficial do Governo na rede social Twitter, no final da noite de terça-feira, o executivo escreveu que, devido ao "bom ritmo do Plano de Vacinação Anti-COVID19 e da disponibilidade de vacinas, foi decidida a aceleração da vacinação a nível nacional".

O Governo precisou ainda que "o alargamento da vacinação a novas faixas etárias" vai arrancar a partir de 06 de junho para "pessoas com mais de 40 anos" e, a partir do dia 20, para "pessoas com mais de 30 anos", "em todo o território continental".

Na terça-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, tinha anunciado que a vacinação contra a covid-19 ia ser acelerada em Lisboa e Vale do Tejo, nas faixas dos 40 e 30 anos, na sequência de um aumento das infeções.

O anúncio da abertura da vacinação a nível nacional para estas faixas etárias surgiu horas depois de o presidente da Câmara do Porto ter exigido um tratamento equitativo para todo o país, acusando o Governo de beneficiar "o infrator", ao acelerar a campanha na região de Lisboa e Vale do Tejo, devido a um aumento de infeções.

"Não pode haver dois países, não pode haver um país e depois haver Lisboa. Tem de haver um único país e nós temos de exigir um tratamento igual para o todo nacional", afirmou Rui Moreira, numa declaração vídeo publicada na página oficial da Câmara do Porto.

"O que eu queria dizer ao Governo claramente e às autoridades competentes é que nós exigimos um tratamento equitativo para todo o país nesta matéria", reiterou.

Já depois do anúncio do secretário de Estado, o coordenador da 'task force' para a vacinação, vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, também confirmou ao jornal Público que o alargamento às faixas etárias dos 30 e 40 anos se fará a nível "nacional", e não apenas na região de Lisboa.

Gouveia e Melo disse àquele jornal que a vacinação em Lisboa e Vale do Tejo irá, de facto, ser reforçada, por estar atrasada em relação a outras regiões do país, como o Alentejo e o Centro, mas lembrou que isso já está a ser feito no Algarve e adiantou que haverá igualmente um reforço de vacinas no Norte, "mas mantendo a mesma programação etária".

"O nosso plano é nacional e estamos a recuperar as regiões [percentualmente] mais atrasadas e isto também vai incluir o Norte. A ideia é ter sempre as regiões equilibradas porque é o mais justo. Quando se fala em acelerar, é dar mais vacinas, mas mantendo a mesma programação etária", assegurou.

Variante detetada na Índia presente em pelo menos 53 países

A variante de covid-19 detetada pela primeira vez na Índia já foi oficialmente sinalizada em 53 territórios, anunciou esta quarta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A OMS recebeu ainda informações de fontes não oficiais de que a variante B.1.617 foi detetada em mais sete territórios, elevando o total para 60, de acordo com o relatório semanal de atualização epidemiológica da agência de saúde da ONU, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Segundo a OMS, a chamada "variante indiana" manifesta maior transmissibilidade, mas a gravidade dos casos envolvidos ainda está a ser investigada.

Portugal detetou seis casos daquela variante logo no final de abril, todos "associados a Lisboa e Vale do Tejo", segundo o investigador João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Na semana passada, o INSA informou que o número de casos associados a esta variante não ultrapassava a dezena, não havendo ainda transmissão comunitária daquela estirpe no território nacional.

A maior transmissibilidade da nova estirpe, detetada em outubro, no oeste da Índia, poderá explicar a explosão do número de infetados no país, a braços com uma segunda vaga. O país já ultrapassou as 300 mil mortes desde o início da pandemia.

A nível mundial, o número de novos casos e de mortes por covid-19 continuou a diminuir na semana passada, com mais de 4,1 milhões de novos casos e 84.000 mortes adicionais, representando decréscimos de 14% e 2%, respetivamente, em relação à semana anterior.

A região europeia registou o maior declínio nas infeções e mortes nos últimos sete dias, seguida do Sudeste Asiático.

O número de casos nas Américas, Mediterrâneo Oriental e regiões africanas é semelhante ao da semana anterior.

"Apesar de uma tendência mundial decrescente ao longo das últimas quatro semanas, os casos de covid-19 e de mortes continuam elevados, com aumentos significativos em muitos países", alertou no entanto a OMS.

Os números mais elevados de novos casos nos últimos sete dias registaram-se na Índia (1.846.055, menos 23% que na semana anterior), Argentina (213.046, mais 41%), Estados Unidos (188.410, menos 20%) e Colômbia (107.590, menos 7%).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG