20 813 recuperados de covid em dia com mais 28 mortes

Há agora 1 763 (menos 69 que no dia anterior), dos quais 111 em unidades de cuidados intensivos (menos 3 do que na véspera).

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado esta terça-feira indica que Portugal registou mais 28 mortes e 13 103 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas.

No que diz respeito a internamentos, há agora 1763 doentes nos hospitais (menos 69 que no dia anterior), dos quais 111 em unidades de cuidados intensivos (menos 3 do que na véspera).

Recuperaram da doença 20 813 pessoas nas últimas 24 horas. Estão agora em vigilância 15 093 contactos.

A região de Lisboa e Vale do Tejo teve o maior número de infeções, 4 024 e 12 mortos do país. De notar que os Açores com mais 475 infeções não registaram qualquer óbito por covid-19 nas últimas 24 horas.

Por idades, uma das pessoas com covid-19 que morreram nas últimas 24 horas tinha entre 40 e 49 anos, uma entre 50 e 59, uma entre 60 e 69 anos, seis entre 70 e 79 anos e 13 tinham 80 anos ou mais.

"A única preocupação que ainda devemos ter é com as pessoas acima dos 65 anos"

Portugal registou esta segunda-feira o menor número de novos casos de covid-19 desde o início do ano - 5789. Ou seja, menos 2674 casos do que na segunda-feira homóloga, dia 14, quando se registaram 8463. Para o professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença, isto quer dizer que "se mantém a linha de tendência de redução".

Como diz, as previsões feitas há 14 dias mantém-se, "no final do mês devemos atingir a estabilização, entre os 10 e os 14 mil casos". Por agora, e numa fase que o especialista diz notar-se "a saturação do vírus", "a única preocupação que ainda deveremos ter, de forma moderada, é com as faixas etárias acima dos 65 anos", porque estas, "apesar de terem uma boa proteção vacinal, são as que mais estão suscetíveis ao vírus". "São as faixas que têm menos expostas ao vírus, adquirindo, por isso, menos imunidade natural", afirmou, referindo que "basta olhar para as faixas etárias mais jovens, como a dos 20 aos 29 anos, em que 45% da população foi infetada. Ou seja, três vezes mais do que a faixa dos 70 aos 79 anos, em que a população infetada é só 13%".

Para o especialista, o caminho a seguir deve manter a monitorização e vigilância do número de casos de covid-19 acima dos 65 anos. Reforçando: "É a faixa etária que está na linha vermelha, precisamente porque estamos perante uma variante que consegue furar a barreira da proteção vacinal, infetar e até permitir que, em certas situações, de maior fragilidade do sistema imunitária das pessoas, se desenvolvam formas graves da infeção".

Portanto, é essencial que familiares, amigos e a comunidade em geral, "continuem a manter as regras de proteção individual, como uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento, quando estão com idosos, no sentido de os proteger do risco da infeção e de formas graves da doença". Uma preocupação que considera não existir em relação aos mais novos. "Desenvolvem formas mais ligeiras da infeção e, como disse, uma grande percentagem já adquiriu imunidade natural".


Em relação aos números, o professor da Faculdade de Ciências, salienta ser notória uma descida mais significativa na região Norte, que foi também onde mais subiu o número de casos, e mais ligeira em Lisboa e Vale do Tejo, Centro, Alentejo e Algarve. Neste momento, as regiões que ainda mantém um R(t), nível de transmissibilidade mais elevado, no 1, são a Madeira e os Açores.

Segundo explicou Carlos Antunes, a descida no número de casos já está a desacelerar e há-de chegar a um ponto em que não irá descer mais. O que se nota é que a descida mais significativa a este nível acontece nas faixas etárias mais jovens, que foram aquelas que também subiram mais rapidamente na infeção. "As faixas etárias dos 0 aos 19 anos estão a contribuir para uma redução significativa da incidência e os jovens dos 19 aos 29 anos também. Em breve, iremos assistir à estabilização dos casos até que começaremos a assistir, semana a semana, a uma redução no número cada vez menor".

Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos cessa funções

O Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos para a covid-19 vai cessar funções, devido à evolução positiva da pandemia, e "será transformado" para passar a acompanhar as ameaças e desafios da Saúde, anunciou esta terça-feira o bastonário.

"O Gabinete de Crise deu uma resposta extraordinária durante estes dois anos. Foi constituído por um grupo de especialistas de diferentes áreas que souberam, desde a primeira hora, fazer recomendações e antecipar decisões que eram importantes para o país", disse à Lusa Miguel Guimarães.

Coordenado pelo pneumologista Filipe Froes, este gabinete foi criado em janeiro de 2020, ainda antes de a Organização Mundial de Saúde ter declarado a covid-19 como pandemia e dos primeiros casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal, que foram registados no início de março do mesmo ano.

Uma vez que Portugal vai "entrar numa fase endémica dentro de pouco tempo" e perante a elevada taxa de vacinação e de imunização natural provocada pela infeção, "é altura de encerrar o trabalho do Gabinete de Crise", referiu o bastonário dos médicos.

De acordo com Miguel Guimarães, o objetivo passa agora por ter um "gabinete novo virado para as necessidades em termos globais e desafios do país" na área da Saúde, como o "número preocupante" de pessoas que mantiveram sintomas após a recuperação da infeção, uma condição conhecida como `long covid´, a atividade assistencial aos doentes não-covid e a saúde mental.

A Ordem dos Médicos pretende também que o novo gabinete funcione como um observatório que permita fazer a "vigilância ativa do que vai acontecendo a nível internacional" de potenciais ameaças ao nível da saúde, adiantou o médico.

"Uma das grandes lições que se tira desta pandemia é que temos de estar preparados", sublinhou Miguel Guimarães, ao avançar que as recomendações e propostas feitas pelo Gabinete de Crise, "de uma forma geral, foram acolhidas sempre com atraso" pelas entidades públicas nacionais.

Miguel Guimarães apontou o exemplo das propostas apresentadas pelo gabinete, em vários momentos da pandemia, para o uso de máscara nos espaços interiores e exteriores e de encerramento das escolas e admitiu que, se essas recomendações tivessem sido acolhidas de uma forma mais célere, Portugal poderia teria sido "mais eficaz" no controlo da pandemia.

O bastonário disse que a Ordem dos Médicos esteve também "sempre disponível para participar nas reuniões do Infarmed" de análise da evolução da pandemia que juntaram peritos e políticos, mas "nunca foi convocada" para essas sessões.

"Fizemos um trabalho global em várias áreas, no qual o Gabinete de Crise teve uma projeção mais especial, porque mais focado na covid-19, mas em que os nossos Colégios de Especialidade deram um contributo inestimável", salientou o bastonário.

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