Há mais de 1000 internados em dia com novo recorde de casos: 28 659

Pelo terceiro dia consecutivo há um novo recorde de casos diários de covid. Nas últimas 24 horas foram mais 28 659 casos. Há agora mais 63 internados em hospitais , num total de 1034.

Portugal registou mais 28 659 casos e 16 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quinta-feira.

Há agora 1034 infetados internados em hospitais (mais 63 do que na véspera), dos quais 144 (menos 7) em unidades de cuidados intensivos.

Pelo terceiro dia consecutivo bateu-se o recorde de infetados com covid-19 em Portugal: são agora mais 28 659 casos. A região de Lisboa é a que teve o maior número de casos (mais 13 755 nas últimas 24 horas), seguido da região Norte com mais 9 409 casos.

São agora 158 424 os casos ativos em Portugal.

Com infeções a disparar, a aposta é vacinar e testar

Casa aberta no reforço da vacinação para os que têm 60 anos ou mais e os de 40 e mais que levaram a Janssen. Também para quem apanha a primeira dose: quem teve covid-19, é estrangeiro ou só agora decidiu vacinar-se. Tudo calmo ontem, quarta-feira, no Centro de Vacinação do Parque das Nações, o maior do país e que administra 6500 vacinas por dia. Houve mais gente na segunda e terça-feira, diz o responsável, devido às pessoas que estavam agendadas para o período de Natal e que foram redistribuídas.

Utentes divididos à entrada do centro de vacinação entre os que tem a vacina agendada e os que não o fizeram. A prioridade é dada aos agendamentos, pelo meio vão atendendo os que não tem marcação, sempre em muito menor número. No caso da fila da "casa aberta" estar muito grande é que se é rigoroso no controle dos horários para poder incluir os não agendados, explica Hugo Figueira, da Proteção Civil de Lisboa. "Há quem tenha a vacina marcada para a tarde e apareça de manhã", exemplifica.

Na segunda-feira vacinaram 6533 pessoas e, terça-feira, 6644, números que esperavam manter na quarta-feira. Estão agendados uma média de 5800 pessoas diariamente (há sempre faltas), as restantes são para quem opta pelo regime de "casa aberta".

É o caso de Humberto de Almeida, 79 anos, economista e ex-funcionário bancário. Optou pelo regime de "casa aberta" para levar a 3.ª dose da vacina apesar de o poder fazer por agendamento. "Não sou muito perito nos agendamentos e a minha filha marcou para as 9:55. Era muito cedo e eu disse-lhe que preferia não marcar, não estou limitado a uma hora e a um dia. E acho que fiz muito bem", justifica.

Esta quarta-feira, depois das festas natalícias, o casal resolveu vacinar-se. "Estou encantado, tem um bom parque de estacionamento, está tudo muito bem organizado, não esperei tempo nenhum, nem parecei que estamos em Portugal".

Desde a inauguração do centro instalaram mais dez postos para secretariado, são, agora, 60. Há uma árvore de Natal e ecrãs com paisagens e imagens de Lisboa no meio das cadeiras onde se faz o recobro. "Todos os dias identificamos as situações que estão a correr menos bem e implementamos medidas", explica Hugo Figueira.

Hugo de Almeira passou o Natal só com a mulher e assim vai ser na passagem de Ano Novo. Interrompeu os encontros sociais, incluindo os almoços com os colegas de trabalho às sextas-feiras. Toma todos os cuidados para não se contagiado. "Vale a pena, ficaria com um peso na consciência se alguém ficasse doente".

Terça-feira mais 86 108 pessoas levaram o reforço da vacina, totalizando 2,7 milhões. E mais 5783 completaram a primeira fase de vacinação, 8,7 milhões no total.

Restrições para o ano novo já entraram em vigor

As restrições para conter a pandemia de covid-19 no período de Ano Novo entraram às 00:00 desta quinta em vigor e vão manter-se até sábado, devido ao agravamento da situação epidemiológica e recente aumento de casos.

As medidas, que também vigoraram nos dias 24 e 25 de dezembro, foram decididas no início da semana passada num Conselho de Ministros extraordinário em que o Governo decidiu também antecipar a estratégia de prevenção e combate à pandemia definida cerca de um mês antes, face à ameaça da nova variante Ómicron do vírus SARS-CoV-2.

Desde esta quinta e até ao final do dia de sábado será obrigatória a apresentação de um teste negativo para entrar em restaurantes, casinos e festas de passagem de ano.

Na via pública estão proibidos ajuntamentos de mais de 10 pessoas, bem como o consumo de bebidas alcoólicas.

O reforço das restrições durante a época festiva surge em resposta ao agravamento da situação epidemiológica devido à nova variante Ómicron do SARS-CoV-2, que já é dominante em Portugal, e numa altura em que o país regista novos máximos de infeções diárias (26.867 casos na quarta-feira) e um aumento exponencial da incidência e do índice de transmissibilidade.

Para os próximos dias, o Governo recorda ainda as recomendações dadas no Natal, designadamente o incentivo à realização de testes de diagnóstico, evitar encontros com muita gente, em espaços fechados, pequenos e pouco arejados e evitar estar muito tempo sem máscara.

A par das medidas decretadas pelo Governo, vários municípios têm vindo a cancelar festas de passagem de ano no espaço público.

O arquipélago dos Açores está na totalidade em situação de contingência desde quarta-feira, sendo por isso obrigatório apresentar um teste negativo para aceder aos eventos sociais e festejos da passagem do ano nas nove ilhas (PCR realizado nas 72 horas anteriores ou antigénio nas 48 horas anteriores), independentemente da vacinação.

A presença de público está limitada até três quartos da lotação do espaço onde as iniciativas se realizam (em eventos únicos ou em discotecas, que estão abertas) e as celebrações e os ajuntamentos na via pública estão proibidos.

Já na Madeira, onde a ocupação hoteleira ronda os 90%, as festividades vão decorrer sem restrições adicionais às que já estão em vigor desde novembro, como a obrigatoriedade de apresentar teste antigénio negativo (com validade de uma semana) e certificado de vacinação para aceder à maioria dos recintos públicos e privados.

Em 2020, o Governo Regional apelou aos madeirenses para que assistissem ao tradicional espetáculo de fogo de artifício em casa e também definiu 2.060 quadrados desenhados no pavimento nos locais mais procurados, para um máximo de cinco pessoas cada, de preferência familiares, mas este ano esta medida não se aplica.

Além das medidas anunciadas em Conselho de Ministros especificamente para o período de Natal e Ano Novo, estão em vigor desde 25 de dezembro outras restrições no continente inicialmente previstas apenas para a primeira semana de janeiro, como o regresso ao teletrabalho obrigatório, o encerramento de creches e ateliês de tempos livres (ATL) e de bares e discotecas.

Até dia 09 de janeiro, é também obrigatório um teste negativo para o acesso a hotéis e estabelecimentos de alojamento local, para eventos empresariais e festas familiares, como casamentos ou batizados, e para eventos desportivos e culturais, independentemente do número de espetadores.

A lotação dos espaços comerciais foi limitada a uma pessoa por cada cinco metros quadrados para evitar ajuntamentos que acontecem na semana a seguir ao Natal para trocas de presentes.

Portugal Continental está em situação de calamidade desde 01 de dezembro devido ao aumento do número de casos.

DGS deve decidir nas próximas horas redução do período de isolamento

ADireção-Geral da Saúde (DGS) vai decidir "nas próximas horas" a questão do período do isolamento de infetados com covid-19. Quem o afirmou foi a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, em entrevista à RTP3.

"Essa situação vai ser decidida e anunciada nas próximas horas. Portugal está a fazer o mesmo que a grande maioria dos países da Europa e do Mundo que é equacionar o período de isolamento. Neste momento, a decisão ainda não está encerrada e vamos esperar mais umas horas", disse Graça Freitas.

Outra situação que também está a ser ponderada é a da "autovigilância" dos doentes assintomáticos, de forma a aliviar a linha de Saúde24: "A questão da medicina geral e familiar que também tem de ter um alívio na sua vigilância das pessoas que ficam em domicílio. Estamos a pensar fazer uma proposta dentro de horas para que as pessoas que não tenham sintomas, mesmo sendo positivas, não só tenham o tal período de isolamento mais encurtado, como podem ficar em autovigilância e caso apareçam sintomas, ligam para a Linha SNS24".

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