Portugal bate recorde de infeções. Ministra avisa que ainda vão subir

De acordo com o Boletim da DGS, Portugal chegou aos 17 172 novos casos e contabilizou 19 mortes. A ministra Marta Temido avisa: "Iremos atingir os 37 mil casos na primeira semana de janeiro."

Portugal regista esta terça-feira um recorde de novos casos num só dia desde o início da pandemia. De acordo com o o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) foram contabilizadas 17 172 novas infeções por covid-19. Foi assim batido o anterior máximo verificado a 28 de janeiro deste ano, quando se registaram 16 432 novos casos.

"Tínhamos estimado atingir os 17 mil casos, mas atingimo-lo ontem. Estimamos que iremos atingir os 37 mil casos na primeira semana de janeiro. Estamos a enfrentar a variante Ómicron como um arranha-céus, tal como têm enfrentado outros países. Estamos a trabalhar para o SNS darem resposta a esta situação mas, tal como todos os sistemas de saúde, nós também estamos com uma pressão brutal", disse esta terça-feira Marta Temido, ministra da Saúde, à SIC Notícias, depois de a 22 de dezembro ter dito que Portugal iria ultrapassar o recorde de casos.

Questionada sobre as dificuldades dos portugueses infetados em contactar o SNS24, a ministra garantiu que as linhas "estão a ser melhoradas". "Estamos a preparar a abertura de mais call centers e o reforço dos já existentes", acrescentou, assegurando que existe"um plano dos serviços de saúde e do operador" de telecomunicações. "Nos próximos dias, ainda esta semana, vamos ter uma melhoria do serviço do SNS24", disse.

Ainda no que diz respeito a novas infeções, Lisboa e Vale do Tejo foi onde se verificaram mais casos com 8576, seguido pelo Norte com 5046 e a região Centro com 2124. Menos grave é a situação no Algarve (417 novas infeções), Madeira (516), Alentejo (325) e Açores (168).

No que diz respeito a mortos, foram declarados 19 nas últimas 24 horas, sendo que seis se registaram em Lisboa e Vale do Tejo, cinco no Centro, quatro no Norte, dois no Algarve e mais dois na Madeira.

Há agora 936 infetados internados em hospitais (mais 22 do que na véspera), dos quais 152 (mais dois) em unidades de cuidados intensivos.

Na entrevista à SIC Notícias, Marta Temido apelou à "responsabilidade individual" tendo em conta as festas de Ano Novo. "Estamos perante uma variante cujas consequências exatas não conhecemos e a responsabilidade de cada um é o maior aliado no combate à doença", avisou, lembrando que esta variante é "muitíssimo mais transmissível" e que "os casos estão a multiplicar-se a uma média de oito dias". "Precisamos de nos unir", apelou.

Contágio sobe, mas casos graves e mortes são menos do que há um ano

Nesta segunda-feira assinalou-se um ano da vacinação contra a covid-19 em Portugal, mas também o seu reinício após a paragem da quadra natalícia. Voltou a administrar-se a vacina contra o novo coronavírus e a gripe (neste caso para os mais velhos), num momento em que a variante Ómicron progride a passos largos não só em Portugal como em todo o mundo.

Também neste dia, o país registou mais 6334 infeções num dia habitualmente de números baixos devido ao fim de semana, mas apesar disso revelando mais do dobro de infeções do que há uma semana. Também subiu o índice de positividade dos testes, agora é 4,6 % dos diagnósticos. E a taxa de infetados aumentou para 804, 3 por 100 mil habitantes.

Ao nível da propagação do SARS-CoV-2 há muitos dias que se atingiram no país os indicadores de infeções considerados linha vermelha. Mas esta semana começa com um número alto, ao contrário do que é habitual. Somam-se mais 6334 novos casos, quase o dobro de domingo (3732). O número de contágios por infetado a nível nacional também subiu. Nesta segunda-feira era de 1,25 quando, na sexta, era de 1,11. Valores também relacionados com a quantidade de testes realizados nesta quadra. Atingiram-se recordes de testagem a 23 e 24 de dezembro, com mais de 620 mil diagnósticos realizados, o que se repercutiu nos resultados positivos. O número de novos casos foi de 10 016 no sábado e de 12 943 no domingo. O que também tem vindo a aumentar é a taxa de positividade dos testes, atualmente é de 4,6 %. Na última semana, a proporção de testes positivos foi de 3,4% (no período anterior foi de 3,1%).

Desde o início da pandemia, foram já realizados em Portugal 16,1 milhões testes PCR e 8,4 milhões de antigénio de uso profissional.

Prevê-se um novo pico de testagem para o fim do ano, uma vez que é exigido um teste negativo para viajar e para a entrada em espetáculos culturais, desportivos e outros eventos, também em restaurantes e em casinos.

A ANA Aeroportos de Portugal anunciou o reforço das equipas de testagem, uma vez que muitos passageiros passaram horas na fila para a realização do teste obrigatório antes de viajarem e nem todos o conseguiram. E serão mais rígidos nas pessoas a testar, sendo que só quem tem bilhete de avião entre 30 de dezembro e 2 de janeiro o poderá fazer nas suas instalações.

Ordem dos Médicos realça valor da vacinação e apela para que não se perca o foco

A Ordem dos Médicos (OM) reafirmou esta terça-feira a importância da vacinação contra a covid-19, defendendo ser crucial manter o foco neste processo, com uma "estratégia bem definida" e meios suficientes para a sua operacionalização.

Fazendo um balanço de um ano de vacinação em Portugal, o bastonário da Ordem dos Médicos, citado em comunicado, recorda os "vários problemas" no arranque inicial do processo, mas destaca o sucesso "inegável" das vacinas.

A vacinação arrancou há um ano em Portugal, com a primeira dose a ser simbolicamente administrada ao infeciologista António Sarmento, diretor de serviço de doenças infeciosas do Hospital de São João, no Porto, e membro do Gabinete de Crise Covid-19 da OM.

A Ordem dos Médicos refere que "depois de vários problemas no arranque inicial", nomeadamente por não se ter logo começado a vacinar por idade e em grandes centros de vacinação, como tinha recomendado, "o processo acabou por ser alterado, com o almirante Gouveia e Melo a concretizar a missão com sucesso".

"Passado um ano, não recuperámos ainda a vida que gostaríamos, mas é inegável que as vacinas são um sucesso e um marco na viragem no combate à pandemia. Estamos a conseguir reduzir o número de casos graves e com desfecho fatal que, no fundo, é o principal objetivo", salienta o bastonário e coordenador do Gabinete de Crise.

Mas, alerta Miguel Guimarães, "este vírus também nos ensinou que não podemos dar nada como garantido, pelo que é crucial manter o foco no processo de vacinação, dotando-o de uma estratégia bem definida e de meios suficientes para a sua operacionalização".

Para Miguel Guimarães, "perder a confiança da população nesta fase, é abdicar de dois anos de grandes sacrifícios pessoais com consequências imprevisíveis, pelo que importa evitar a todo o custo episódios de comunicação errática ou de falta de resposta dos serviços".

Por outro lado, salienta, continua por concretizar a transparência dos dados.

"Importa saber o que está a acontecer, nomeadamente o perfil dos internados e das mortes no que ao esquema vacinal e morbilidades associadas diz respeito", reforça Miguel Guimarães.

Atualmente, quase 8,7 milhões de pessoas já têm a vacinação completa, mais de 2,3 milhões já tomaram a dose de reforço e cerca de 95 mil crianças foram vacinadas com a primeira dose da versão pediátrica da vacina da Pfizer, segundo dados das autoridades de saúde.

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