PJ deteve o dobro dos incendiários este Verão

A Polícia Judiciária comunicou a detenção de 60 pessoas pelo crime de incêndio florestal até ao dia de ontem, o dobro dos detidos que havia no período homólogo de 2016

A Polícia Judiciária comunicou a detenção de 60 pessoas pelo crime de incêndio florestal até ao dia de ontem, o dobro dos detidos que havia no período homólogo de 2016. Segundo confirmou o DN com fonte oficial da Polícia Judiciária, em agosto de 2016, sensivelmente até ao dia 15, havia um balanço de 29 incendiários detidos.
"Este ano há mais mulheres detidas, nota-se mesmo um aumento muito grande", comentou o diretor da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária, Rui Almeida. De facto, uma notícia avançada em 8 de agosto pelo jornal Público já tinha indicado que as incendiárias detidas pela Judiciária quadruplicaram em relação ao ano passado: de duas mulheres detidas passou-se para oito (até à data).
Os homens suspeitos apanhados este ano a atearem incêndios correspondem ao perfil habitual do incendiário: solteiros, desempregados, perturbados e iletrados, como foram definidos no estudo coordenado pela psicóloga forense Cristina Soeiro, do Gabinete de Psicologia e Seleção da Escola de Polícia Judiciária.
No período entre 1 de janeiro e 31 de julho registou-se um total de 8539 fogos (1925 incêndios florestais e 6614 fogachos) que resultaram em 128 195 hectares de área ardida de espaços florestais, de acordo com o relatório provisório do Instituto Nacional de Conservação da Natureza. Até ao dia 31 de julho, o ano de 2017 apresentava o valor mais elevado de área ardida, desde 2007. Nos primeiros dias de agosto já arderam, pelo menos, vinte mil hectares e Portugal a nível europeu tem mesmo um dos piores registos: apresenta mais de um terço do total da área ardida na UE.
Em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, as chamas consumiram 40% do território em seis horas, disse ontem à Lusa o presidente da autarquia sobre o incêndio que deflagrou domingo à noite. "A situação acalmou, mas mantém-se uma frente ativa perto da sede do concelho", adiantou Ricardo Aires, lembrando que "a projeção que deu início a este incêndio decorreu com a grande maioria dos meios posicionados em Ferreira do Zêzere", no combate ao incêndio que ali lavrava também com muita intensidade "sendo que em Vila de Rei o apoio foi o possível, com muita ajuda da Proteção Civil, dos bombeiros, populares e dos diversos serviços da autarquia", entre outros. Com cerca de 190 quilómetros quadrados e uma extensa mancha florestal, o cenário vivido em Vila de Rei, "durante a tarde de domingo e a madrugada de segunda foi muito complicado", disse o autarca. "O exército espanhol presente em Vila de Rei salvou o ponto de captação de água que abastece o concelho. Estou grato porque, se não fossem eles, Vila de Rei estava hoje sem água", disse o autarca.
"Mais de uma centena de pessoas foram deslocalizadas das suas habitações, aldeias evacuadas, barracões, palheiros, casas de segunda habitação e também uma de primeira habitação arderam." Os incêndios que, pelas 15.50 de ontem, concentravam maior número de meios eram os de Vila de Rei, na Zaboeira, com 396 operacionais, 123 veículos e dez meios aéreos, e de Coimbra, nas Carvalhosas, com 351 operacionais, 103 viaturas e três aeronaves, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.