Novo ciberataque na Defesa. Suspeita de mais documentos exfiltrados

A rede do Estado-Maior-General das Forças Armadas foi alvo de um ciberataque de grande dimensão no início da semana. A ministra da Defesa, Helena Carreiras, já informou o Ministério Público.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) sofreu um novo ciberataque contra o seu sistema informático nesta semana.

O gabinete da Ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras confirmou ao DN que "reportou ao Ministério Público a ocorrência de um ataque informático à rede do EMGFA"

Fontes que estão a acompanhar o caso admitiram ao DN que o ataque foi "grave" e que "pode ter havido exfiltração de documentos e relatórios", embora, nesta fase, sublinharam, "ainda se esteja a apurar exatamente quais foram os danos causados".

Ao contrário do que aconteceu com o ciberataque prolongado, noticiado pelo DN no passado dia sete, em que terão sido retirados da rede do MDN e do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) documentos secretos NATO, tendo alguns deles sido colocados à venda na darkweb, desta vez o MP foi informado pelo Ministério.

Questionada se já tinha sido aberto um inquérito-crime, a Procuradoria-Geral da República ainda não respondeu. A ser instaurado, será o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que tem competências nos crimes contra o Estado e cibercrime, a liderar a investigação, tal como na anterior situação.

Entretanto, ficou decidido nesta terça-feira que Helena Carreiras será ouvida na Comissão de Defesa Nacional no próximo dia 11 de outubro sobre o ciberataque noticiado no passado dia 8 de setembro. A audição, a pedido do PSD, será à porta fechada.

O social-democrata Jorge Paulo Oliveira justificou a sugestão de a audição decorrer à porta fechada "pela necessidade de reserva e pela sensibilidade da matéria em causa" e o deputado socialista Diogo Leão concordou, afirmando que "seria uma irresponsabilidade total se assim não fosse" tendo em conta o tema.

Na semana passada, o PSD anunciou que iria pedir uma audição potestativa (obrigatória) da ministra da Defesa, após o PS ter "chumbado" os requerimentos apresentados por PSD, Iniciativa Liberal e Chega sobre o tema.

Nesse caso, recorde-se, o Governo português só soube porque foi informado pelos Serviços de Informações norte-americanos, através da embaixada em Lisboa, com uma comunicação que terá sido feita diretamente ao primeiro-ministro António Costa, no passado mês de agosto.

O caso foi considerado, considerado de "extrema gravidade" e terão sido os ciberespiões da Inteligência norte-americana a detetar "à venda na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como Secretos e Confidenciais".

Neste caso, apesar de várias entidades terem tido conhecimento - pelo menos o Gabinete Nacional de Segurança (GNS), o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e o Serviço de Informações de Segurança (SIS) - não informaram o MP, nem a Polícia Judiciária.

Só depois de noticiado pelo DN a Procuradoria-Geral da República ordenou a abertura de um inquérito criminal.

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