Nos primeiros dois dias foram feitos 115 testes a contactos de baixo risco

Direção-Geral da Saúde divulgou nesta sexta-feira a nova estratégia de testagem. Os testes à saliva são alternativa aos testes moleculares e testagem em massa e regular deve ser feita em locais com 120 casos por 100 mil habitantes, antes era só em locais 480 casos por 100 mil.

A estratégia de testes para a covid-19 tem vindo a ser alterada e adaptada à situação epidemiológica do país e foi mais uma vez alterada. A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou esta sexta-feira as alterações realizadas à Norma 019/2020. E entre as várias alterações há duas que se destacam: os testes de saliva são agora uma alternativa aos testes moleculares, já que são mais baratos e permitem resultados mais rápidos; e a testagem em massa e regular avança em locais e em regiões cuja incidência cumulativa a 14 dias seja de 120 casos por 100 mil habitantes - e não 480, como estava definido até agora.

Recorde-se que uma nova estratégia de testagem foi proposta, na última reunião no Infarmed entre peritos, Presidente da República, governo e políticos, em janeiro, pelo epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes, que a apontou como uma das soluções alternativas ao desconfinamento.

Na altura, o cientista argumentou mesmo que "a testagem é a arma principal que devemos usar e não o confinamento". A ministra da Saúde aceitou esta sugestão e ordenou à Direção-Geral da Saúde (DGS) que alargasse os critérios de testagem a todos os contactos dos casos positivos, quer fossem de maior ou menor risco, e ainda que preparasse uma nova estratégia de testagem para avançar quanto antes.

​​ Da nova estratégia, a primeira alteração a avançar foi a que indica a obrigatoriedade da realização de testes a todos os contactos de infetados, quer sejam de maior ou menor risco. E, os dados fornecidos ao DN pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde revelam que, em dois dias, desde as 00h00 do dia 23 de fevereiro até às 00h00 do dia 25, o SNS requisitou 3823 testes a contactos de infetados, dos quais 115 referentes a contactos de baixo risco.

Um número que, segundo explicaram ao DN, é normal para a situação epidemiológica do país neste momento. Basta referir que a 23 e 24 de fevereiro apenas se registaram 1032 e 1480 novos casos positivos no país. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística, a 24 de fevereiro de 2021, e tendo em conta os últimos sete dias, tinham-se registado 8917 novos casos, o que corresponde a uma média diária de 1274 novos casos, o valor mais baixo desde o dia 13 de outubro de 2020. A taxa de incidência de covid-19 a 14 dias era de 227 casos por cada cem mil habitantes, enquanto em janeiro, no dia 29, esta taxa atingiu o seu máximo com 1667 por cem mil habitantes.

Mas a estratégia de testes em massa deve avançar antes do desconfinamento, o qual só deverá acontecer depois da Páscoa, como o referiu o próprio Presidente da República, nesta quinta-feira.

E o objetivo final mantém-se: "Controlar a transmissão comunitária através da aplicação de rastreios comunitários ou ocupacionais regulares", uma operacionalização que deve ter em conta "planos setoriais específicos e progressivos definidos pelos ministérios correspondentes e de acordo com os dirigentes máximos das respetivas instituições ou serviços".

No documento, divulgado pela DGS, pode ler-se que, de acordo com esta nova estratégia, devem ser utilizados testes rápidos de antigénio (TRAg); que pode ser usada a amostra de saliva para a realização dos rastreios laboratoriais; que os rastreios devem ser periódicos nos concelhos com incidência cumulativa a 14 dias superior a 120/100.000 habitantes; e, mesmo que não sejam identificados casos de infeção por SARS-CoV-2, deve manter-se a periodicidade do rastreio.

Testes nas escolas a todos

As alterações à Norma 019/2020 estipulam ainda que a testagem regular em massa deve ser feita nas escolas a todos os profissionais, desde alunos a docentes, auxiliares e outros. "Nos estabelecimentos de ensino o rastreio deve ser feito ao pessoal docente e não docente; nos estabelecimentos de ensino do ensino secundário, aos alunos, pessoal docente e não docente e nos locais com maior risco de transmissão em meio laboral", lê-se no documento.

Em relação aos testes aos contactos de baixo risco, a norma define igualmente que devem usados "teste moleculares (TAAN), realizados o mais precocemente possível e até ao 5.º dia após a exposição. Se o teste molecular não estiver disponível ou não permitir a obtenção do resultado em menos de 24 horas, deve ser utilizado um teste rápido de antigénio".

Desde o início da pandemia, foram realizados 8 139 190 testes de rastreio. O dia de maior número de testes foi 22 de janeiro, com 76 965, em plena terceira vaga. O dia de menor número de testes durante esta última fase foi nesta última semana, 21 de fevereiro, com 10 831 testes.

Vacinação. Mais de 15 mil não responderam aos SMS

Desde o início do processo de vacinação e até ao dia 24 de janeiro que as unidades de saúde familiar enviaram 33 918 mensagens a utentes para agendamento da vacina contra a covid-19. Deste total, responderam aos SMS 18 764 e 15 154 não responderam de todo.

No entanto, estes utentes, e conforme explicou ao DN fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, voltarão a ser contactados por SMS ou por telefone para haver a garantia de que não querem ser vacinados.

Do total de respostas recebidas, 18 310 (53,98%) utentes responderam que sim à vacina e à data agendada pelo SNS. Os que disseram não foram 454 (1,34%). Mesmo assim, "este não refere-se à data agendada para a vacina. Os utentes são contactados depois para se agendar nova data", disse a mesma fonte. Até agora, foram administradas 797 005 doses de vacinas, havendo 248 708 portugueses que já receberam as duas doses.

Linha SNS 24. Mais de quatro milhões de chamadas

A linha SNS 24 tornou-se um elemento fundamental no combate à covid-19 desde o início da pandemia. É através dela que a maioria dos casos suspeitos é referenciada para testes de rastreio e para acompanhamento nos centros de saúde ou nas unidades hospitalares. O trabalho quase que triplicou e, nos primeiros meses da doença em Portugal, foram muitas as críticas sobre a forma como estava a funcionar, já que o número de recursos humanos de que dispunha não eram suficientes para responder à maioria das chamadas diárias - chegou a receber mais de 20 mil chamadas por dia.

O governo teve de resolver a situação e reforçar os turnos da linha SNS 24 com mais profissionais. Neste ano, a linha já vai com 1 399 398 chamadas atendidas e encaminhadas, quase tantas como as que recebeu em 2019, 1 485 808, antes da pandemia. No ano de 2020, e relativamente ao ano anterior, o número de chamadas quase triplicou passando para os 4 022 968.

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