Mulher de Rendeiro detida. Ex-motorista e o presidente da ANTRAL alvo de buscas

Em causa está a compra de um apartamento no mesmo condomínio de luxo de João Rendeiro, a Quinta Patino, em Cascais, por 1,15 milhões de euros, que depois foi cedido pelo motorista à mulher do ex-banqueiro

A mulher de João Rendeiro, Maria de Jesus Rendeiro, foi detida esta quarta-feira na sequência das 14 buscas, 11 domiciliárias e três não domiciliárias, que a Polícia Judiciária (PJ) está a levar a cabo, avança a SIC.

As autoridades acreditam que há perigo de fuga da parte da mulher do ex-banqueiro do BPP, uma vez que o marido está em parte incerta, fugido à justiça.

Também as casas do ex-motorista de João Rendeiro, Florêncio Almeida, e do pai, que tem o mesmo nome e é o presidente da ANTRAL, estão a ser alvo de buscas, por suspeitas da prática dos crimes de branqueamento, falsificação e descaminho, relacionados com o acervo de obras de arte apreendidas a João Rendeiro, no âmbito da investigação BPP.

"A ação desenvolveu-se em Lisboa, Oeiras, Estoril e Alcáçovas, contando com a participação de cerca de cinquenta inspetores e peritos da Polícia Judiciária", revela a PJ, em comunicado enviado às redações.

Em causa está a compra de um apartamento no mesmo condomínio de luxo de João Rendeiro, a Quinta Patino, em Cascais, por 1,15 milhões de euros, que depois foi cedido pelo motorista à mulher do ex-banqueiro. É precisamente nessa casa que esta quarta-feira os inspetores da PJ se encontram a realizar buscas.

Segundo a SIC, o apartamento era propriedade da Caixa Geral de Depósitos e foi comprada a pronto pagamento. Em dezembro do ano passado, Florêncio de Almeida prometeu num contrato-promessa alienar o usufruto do apartamento, por cerca de 201 mil euros, à mulher de Rendeiro.

O antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro, que em 28 de setembro foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta, fugido à justiça.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como um outro processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

Há uma semana, a mulher de João Rendeiro escusou-se a prestar declarações em audiência em tribunal, sobre o paradeiro das obras de arte de que é fiel depositária, alegando não ter "condições psicológicas" para o fazer.

Maria de Jesus Rendeiro é fiel depositária da coleção de arte arrestada desde 2010 e foi notificada para estar presente a 29 de outubro no tribunal, em Lisboa, precisamente na sua qualidade de fiel depositária.

"Não estou em condições psicológicas, [...] peço muita desculpa", disse na altura Maria de Jesus Rendeiro, com uma voz muito emocionada.

Também a advogada de Maria de Jesus Rendeiro disse que a sua cliente não queria prestar declarações, até porque não se podiam ignorar as condições em que estava e porque à margem deste processo deverá correr um processo processo-crime.

Maria de Jesus Rendeiro, mulher do antigo presidente do BPP João Rendeiro, poderá ser acusada do crime de descaminho.

A juíza do processo considerou que o tribunal reparou que Maria de Jesus Rendeiro não estava "em condições psicológicas ou emocionais de prestar declarações".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG