Médicos ucranianos e russos em Portugal unem-se para apoiar refugiados

A iniciativa partiu da Ordem dos Médicos que decidiu contactar todos os clínicos com nacionalidade ucraniana e russa a exercer em Portugal para saber quais eram as suas preocupações e se estariam disponíveis para ajudarem a criar um Gabinete de Apoio Humanitário. E todos aceitaram.

A Ordem dos Médicos contactou todos os médicos de nacionalidade ucraniana e russa para saber quais são as suas reflexões e preocupações "sobre os mais recentes acontecimentos relativos à guerra que está a acontecer na Ucrânia, bem como encontrar sinergias institucionais que permitam uma atuação concreta nesta matéria".

O objetivo era saber se estariam disponíveis para apoiarem a Ordem na criação de um Gabinete de Apoio Humanitário aos refugiados. E todos os que participaram nestas reuniões, cerca de duas centenas de clínicos, aceitaram responder ao apelo do bastonário Miguel Guimarães.

Ao todo, em Portugal há 468 médicos destas nacionalidades inscritos na Ordem e a trabalhar em Portugal. A comunidade ucraniana é maior, congregando 319 clínicos, que se encontram espalhados pelo país e pelas áreas de cuidados de Saúde Pública, Medicina Geral e Familiar, Medicina do Trabalho, Urgências e outras.

Em relação à comunidade médica russa, há 149 profissionais a exercer no nosso país. Destes, 100 estão na região Sul e Ilhas, 37 no Norte e 12 no centro. A maioria, tal como a comunidade ucraniana exerce como não especialista. Segundo a Ordem dos Médicos, "estão como profissionais indiferenciados, embora haja 17 especialistas de Medicina Geral e Familiar, dez de Medicina Interna e oito em Medicina do Trabalho".

Na reunião com os clínicos, e segundo explicaram ao DN, o bastonário Miguel Guimarães manifestou "total solidariedade aos colegas" apelou à criação deste gabinete humanitário "no sentido de se promover a organização e a logística que encontre as melhores soluções para ajudar quem mais precisa".

Na nota enviada às redações, o bastonário explica: "Esta é a altura de agir. Não podemos ficar parados a assistir pela televisão a uma guerra desigual, injusta e brutal. Com este grupo, a Ordem dos Médicos vai estreitar parcerias com entidades oficiais e devidamente certificadas e creditadas, garantindo que a ajuda chegará efetivamente a quem mais precisa e no momento certo".

Nas reuniões desencadeadas, os profissionais transmitiram que "a ajuda pode ser feita a vários níveis, nomeadamente através do envio de alimentos, medicamentos e outro material médico e cirúrgico que será decisivo para cuidar dos feridos entre a população civil e militar e dos refugiados".

Além disso, será necessário preparar o acesso aos cuidados de saúde dos refugiados que chegarão a Portugal nas próximas semanas. Neste sentido, "todos os médicos presentes na reunião se demonstraram prontamente disponíveis para colaborar numa situação que se poderá prolongar no tempo, carecendo, por isso, de uma coordenação estruturada e organizada, com listas objetivas das necessidades e organização dos médicos disponíveis por sub-regiões médicas e locais de trabalho", justifica a Ordem na mesma nota.

No caso concreto do apoio na área da saúde aos refugiados ficou bem vincada a vantagem da existência de equipas médicas com conhecimento de tradução para português de dossiers clínicos, consolidar diagnósticos e identificar doenças crónicas, e garantir acesso a cuidados de saúde a todos os refugiados.

Na Ucrânia, tem sido várias as vozes desde cidadãos aos políticos que pedem a criação de corredores humanitários nas várias cidades em que há soldados russos para que medicamentos e outro material para a prestação de cuidados de saúde chegue aos hospitais.

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