Duas mortes com covid. Números iguais só em setembro

Só a seis de setembro do ano passado tinha havido um número tão baixo de óbitos. No entanto, os 388 novos casos nas últimas 24 h são mais do que os registados nesse dia (315) e há também mais doentes internados

Registaram-se mais 388 casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas, segundo os dados atualizados da Direção-Geral da Saúde (DGS). O boletim epidemiológico desta terça-feira (30 de março) indica também que foram reportados mais duas mortes devido à infeção pelo novo coronavírus - ambas na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A última vez que tinha sido registado este número de óbitos foi a 6 de setembro. Mas é o único parâmetro comparativamente positivo: nesse dia houve 315 novos casos, hoje foram 388; estavam 354 doentes internados, hoje são 584; desses 43 em UCI, esta terça-feira são 129.

Os dados da DGS mostram, ainda assim, uma descida nas hospitalizações face ao dia de ontem - menos 39 do que na segunda-feira, o mais baixo desde 23 de setembro, dia em que estavam internadas 571 pessoas.

Nas unidades de cuidados intensivos, estão internadas menos sete pessoas, valor mais baixo desde 12 de outubro, dia em que estavam internadas nestas unidades 128 pessoas.

No total, desde o início da pandemia, Portugal contabiliza 821 104 diagnósticos de covid-19, 16 845 óbitos e 777 503 casos de pessoas que recuperaram da doença.

Há, atualmente, 26 756 casos ativos de covid-19, menos 1268 face ao dia anterior.

Os dois mortos reportados no relatório desta terça-feira ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, região onde se verificaram mais 140 casos de infeção.

Foram identificados mais 147 casos de covid-19 no Norte, 46 no Centro, três no Alentejo e quatro no Algarve. Verificaram-se ainda 37 novos contágios na Madeira e 11 casos nos Açores.

O boletim epidemiológico da DGS indica ainda que há 15 853 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde (mais 228 em relação ao dia anterior).

Números da pandemia em Portugal no dia em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulga oficialmente o relatório sobre as origens do novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19.

"Vai demorar muito para descobrir a origem precisa da covid-19", diz enviado especial da OMS

De referir que na segunda-feira as agências noticiosas AFP e AP revelaram o relatório conjunto da OMS e de especialistas chineses, que indica que a transmissão do SARS-CoV-2 de morcegos para humanos através de outro animal é o cenário mais provável para explicar o início da pandemia, considerando "extremamente" improvável um incidente num laboratório.

Mas ainda antes de ser conhecido o tão aguardado relatório, o enviado especial da OMS para a covid-19, David Nabarro, admitiu que é "manifestamente difícil" encontrar a origem do vírus que causou a pandemia, mas que se trabalha com várias hipóteses.

"Não sabemos a origem precisa do VIH (o vírus que provoca a Sida), não sabemos a origem precisa do Ébola e vai demorar muito para descobrir a origem precisa da covid-19", acrescentou o especialista, antes de a OMS publicar oficialmente o seu relatório sobre a pandemia.

Mais de 127,5 milhões de infetados em todo o mundo

Também esta terça-feira foi tornado público um documento em que líderes mundiais pedem a cooperação da "comunidade internacional" no quadro de um novo tratado internacional de preparação e respostas a futuras pandemias.

Para os mais de 20 subscritores, entre os quais o primeiro-ministro português António Costa, o novo tratado pode sinalizar "medidas políticas de alto nível" necessárias para proteger o mundo para futuras crises sanitárias.

"Haverá outras pandemias e outras grandes emergências sanitárias. Nenhum governo ou departamentos oficiais podem enfrentar esta ameaça sozinho", dizem os líderes políticos mundiais, na maior parte chefes de Estado e de Governo.

"Em conjunto, temos de estar preparados para prever, prevenir, detetar, avaliar e responder eficazmente às pandemias de forma coordenada. A pandemia de covid-19 tem mostrado de forma severa que ninguém está seguro até que todos estejam seguros", acrescenta o documento.

O novo coronavírus infetou 127 546 270 pessoas em todo o mundo desde que a doença foi identificada em dezembro de 2019 na China, segundo o balanço da agência de notícias AFP desta terça-feira.

Já a Europa totalizava na manhã desta terça-feira 949 215 mortes em 43 270 179 casos positivos de covid-19.

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