Maioria dos menores em centros de acolhimento são adolescentes

55% tem entre os 12 e os 17 anos. Entre 2014 e 2015 foram acolhidos pela primeira vez 2.202 jovens e crianças

Mais de metade dos 8.600 menores institucionalizados em 2015 são adolescentes, uma tendência que se mantém e que revela a necessidade de uma intervenção "mais diferenciada" por parte das respostas de acolhimento, segundo um relatório hoje divulgado.

O Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens -- CASA 2015 observa um aumento de 130 crianças e jovens em situação de acolhimento (1,5%) em 2015 relativamente a 2014.

A maioria dos menores acolhidos tem entre os 12 e os 17 anos, 55,6%, ou seja, 4.830, enquanto 2.660, 30% têm menos de onze anos, confirmando a tendência verificada ao longo dos anos.

Tal como em 2014, as faixas etárias que sofreram um aumento foram as dos 15 aos 17 anos (mais 77 menores) e dos 18 aos 20 (mais 100), ao contrário da faixa etária dos 12 aos 14 anos, com menos 46 crianças, refere o documento, a que a agência Lusa teve acesso.

Para os autores do relatório do Instituto da Segurança Social (ISS), o constante aumento de adolescentes nos últimos anos mostra a necessidades de medidas mais eficazes.

o aumento do número de adolescentes no sistema de acolhimento sublinha uma vez mais a necessidade de uma intervenção cada vez mais diferenciada por parte das respostas de acolhimento

Esta resposta, defendem, deve ser baseada "em modelos de intervenção terapêuticos e contentores, capazes de fazer a diferença na vida destes jovens, prestando especial atenção às suas fragilidades emocionais e às características e desafios inerentes a esta fase da vida".

Tal como em 2014, as faixas etárias que sofreram um aumento foram dos 15 aos 17 anos (mais 77 menores) e dos 18 aos 20 (mais 100), ao contrário da faixa etária dos 12 aos 14 anos, com menos 46 crianças, refere o documento, a que a agência Lusa teve acesso.

Continua a destacar-se um ligeiro predomínio de rapazes (51,7%), especialmente até aos 14 anos, tendência que se inverte a partir dos 15 anos.

Analisando os últimos cinco anos, o relatório adianta que "a flutuação das crianças e jovens no sistema de acolhimento tem-se mantido constante", verificando-se "uma tendência para a estabilização do número de sinalizações das situações de perigo a carecerem de acolhimento e consequentemente da capacidade instalada na rede de acolhimento".

A maioria dos (74,4%) encontrava-se em situação de acolhimento iniciado em anos anteriores e 2.202 (25,6%) iniciaram o acolhimento entre novembro de 2014 e novembro de 2015.

Segundo o relatório, 2.612 (23,3%) menores cessaram a situação de acolhimento em 2015, mais 179 face a 2014. Destes, 456 tinham iniciado o acolhimento nesse ano (17,5% - 31,5% em 2014) e 2.156 em anos anteriores (82,5% - 68,5% em 2014).

A maioria destes jovens (2.182) viu concretizado o seu projeto em "meio natural de vida", sendo que 1.291 (49,4%) foram reintegrados na família nuclear, 315 em famílias adotantes e 355 na família alargada, enquanto 135 jovens saíram para a vida autónoma.

Os distritos de Lisboa e do Porto foram os que registaram um maior número de menores institucionalizados, com 1.598 (18,6%) e 1.538 (17,9%), respetivamente.

Em contrapartida, os distritos com um menor número de crianças e jovens institucionalizados são Évora (123), Beja (154), Portalegre (166), Guarda (162) e Castelo Branco (178).

Segundo o relatório, a maioria dos menores (83,2%) estão integradas em respostas de acolhimento no distrito de residência da sua família ou em distritos adjacentes, mas ainda há 1.442 (16,8%) que estão acolhidas em distritos diferentes, o que para a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, "não ajuda ao desenvolvimento dos laços familiares".

Esta situação constitui "um desígnio para nós", disse Ana Sofia Antunes, num encontro com jornalistas no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

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