Maioria de quem faz férias fica no país e contém gastos

Portugal é destino para 79% dos inquiridos. Situação de crise força a poupança: 76% tenciona gastar o mesmo ou menos dinheiro do que no último período de descanso.

Mais de metade dos portugueses tenciona fazer férias neste ano, mas a esmagadora maioria não vai sair do país e 76% vai conter os gastos, a avaliar pelos dados de uma sondagem sobre férias realizada pela Aximage para o DN, o JN e a TSF.

Segundo os resultados obtidos em 804 entrevistas, cujo trabalho de campo decorreu entre 14 e 19 deste mês (ver ficha técnica), 56% dos inquiridos tencionam fazer férias, o que representa uma subida de oito pontos percentuais (pp) em relação ao estudo de março do ano passado, quando só 48% previam fazê-lo.

Observando-se os dados segundo a região de residência, verifica-se que os moradores nas Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa são os que mais pretendem fazer férias, com 60% e 58% dos inquiridos, respetivamente, a responderem afirmativamente.

Cortar ou manter gastos

A pretensão é mais vincada entre os jovens adultos e até à meia-idade, com 63% dos inquiridos entre os 18 e os 34 anos e 62% entre os 35 e os 49 anos, tal como nas classes mais favorecidas (A/B), com 74 %.

Questionados quanto aos gastos que admitem fazer em comparação com as últimas férias, apenas 21% pensa despender mais dinheiro, porque 44% pretende ter uma despesa idêntica e 32% procurará cortar nos encargos.

Os 76% de inquiridos mais contidos distribuem-se de forma semelhante nos diferentes grupos etários e distinguem-se de forma mais visível nas classes sociais: dos mais favorecidos, 48% pensa gastar o mesmo dinheiro; dos que possuem menos recursos (classe D), 35% pretende despender menos.

Os efeitos da crise

À pergunta "A crise que vivemos é fator de peso na sua decisão sobre o valor a gastar nas férias?", a resposta dos inquiridos que tencionam fazer férias é esmagadora: 82% dizem "Sim".

Os residentes na Região Centro (89%) e na Área Metropolitana do Porto (88%) são os que mais apontam o peso da crise, justificação praticamente transversal aos diversos grupos etários: 86% dos respondentes que vão fazer férias com idades entre os 35 e os 49 anos, 85% na faixa dos 50 aos 64 anos e 84% entre os adultos jovens (18-34 anos).

O poder económico dos 56% de inquiridos que deverão fazer férias reflete-se nas respostas quanto ao peso da crise entre os fatores que determinaram a sua opção: 88% dos que pertencem à classe D afirmam ser essa razão para a sua decisão sobre gastos, justificação apontada por 79% dos entrevistados das classes A/B.

Onde passar as férias? A esmagadora maioria continua a optar por Portugal: 79% dos que pretendem fazê-las, embora menos onze pp do que no inquérito de março do ano passado, então marcado pela pandemia de covid-19.

Itália é a preferida

A preferência pelas férias em Portugal é nitidamente maioritária para os mais velhos (80% no grupo etário dos 50 aos 64 anos e 91% para os maiores de 65) e para as classes sociais intermédias, com 84% para a classe C1 e 81% para a C2.

Em relação aos 21% dos que vão fazer férias e tencionam fazê-lo no estrangeiro, Itália lidera na lista de países, com 15% das preferências, independentemente das possibilidades financeiras ou da disponibilidade de tempo. Segue-se Espanha (11%) e o Brasil (8%). Outros países na Europa reúnem 14% dos gostos.

Quando estar com a família em qualquer lugar é um sonho

A noção de "férias de sonho" é um conceito, ou um anseio, que parece dividir os portugueses, tendo em conta a forma como os inquiridos na sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF a referem: 25% do total dos entrevistados consideram que seria "viajar pelo Mundo", numa percentagem exatamente igual à daqueles que as definem como "estar com a família em qualquer lugar". Talvez as idades e as classes sociais ajudem a explicar. "Viajar pelo Mundo" é a preferência antes dos 50 anos: 31% do grupo dos 18 aos 34 anos e para 28% da faixa 35-49 anos, assim como para as classes A/B (37%) e C1 (28%). Já almejar estar com a família seja onde for é um anseio dos mais velhos (30% no grupo 50-64 anos e 32% nos inquiridos com mais de 65). Para 23%, o desejo é estar "numa praia paradisíaca" e 18% respondem "a viajar pela Europa". E há uma minoria (5%) que se satisfaz com ficar "em casa a descansar". A idade avançada e os baixos recursos podem ajudar a explicar a preferência, que lidera nos maiores de 65 anos (11%) e na classe D (16%).

FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a atualidade.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 14 e 19 de junho de 2022 e foram recolhidas 804 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 804 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 3,46%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.

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