Luz recebe doentes e profissionais. Agora, até a equipa médica alemã

Os oito médicos e 18 enfermeiros alemães vão tomar conta de uma UCI de oito camas no Hospital da Luz. Juntam-se a 33 profissionais enviados pelo Amadora-Sintra para enfermaria de 18 pessoas.

A equipa alemã de 26 profissionais de saúde que chegou esta quarta-feira a Portugal vai ficar no Hospital da Luz. Fica a trabalhar na nova Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do estabelecimento hospitalar com oito camas. É a segunda equipa deslocada para a unidade, depois da transferência de 33 funcionários do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) para acompanharem os seus doentes para ali transferidos e que estão num enfermaria criada para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta com 18 camas.

O Ministério da Saúde (MS), em comunicado, garantiu que a escolha desta unidade de saúde privada teve por detrás uma avaliação da situação na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT). Um dos critérios foi o facto de a equipa alemã ficar "num espaço único, proporcionando-lhes condições de maior eficiência no tratamento de doentes graves provenientes de hospitais públicos da região de Lisboa". Irão trabalhar num novo espaço para cuidados intensivos.

A comissão executiva da Luz Saúde e a direção executiva do Hospital da Luz Lisboa realçam a rapidez com que disponibilizaram mais camas em UCI para o SNS. Tal como o haviam feito com a enfermaria de 18 pessoas, ambas localizadas numa nova ala acabada de construir. E essa é a razão pela qual justificam não ter meios humanos para os doentes ai instalados.

"Para corresponder ao apelo do MS, foi possível realocar doentes, recursos e adaptar espaços, em tempo recorde, por forma a disponibilizar um núcleo de mais oito camas de cuidados intensivos que permitisse à equipa alemã trabalhar num espaço único, proporcionando-lhes condições de maior eficiência no tratamento de doentes graves provenientes de hospitais públicos da região de Lisboa", referem em comunicado e com as mesmas explicações do MS.

O DN questionou as assessorias dos hospitais de Santa Maria e do Prof. Dr. Fernando Fonseca se tinham sido consultados sobre a possibilidade de receberem a equipa alemã, o que não comentam. Isto, apesar de os militares alemães terem visitado a unidade da Amadora-Sintra quando se deslocaram ao país antes desta vinda.

A equipa vai ficar 21 dias, sendo substituída por outra caso se justifique, substituições que podem ocorrer até março. Enquanto cá estiverem, o Hospital da Luz compromete-se a dar "o apoio permanente de todos os seus recursos clínicos, nomeadamente das especialidades médicas de apoio à UCI (unidade de cuidados intensivos), patologia clínica, exames de imagiologia, bem com a garantia das cadeias de abastecimento de consumos clínicos e fármacos".
Os 26 profissionais de saúde - oito médicos e 18 enfermeiros - vão tratar oito doentes. Segundo um documento de trabalho (Rede de Referenciação de Medicina Intensiva) realizado pela Ordem dos Médicos e Direção-Geral da Saúde, é recomendado em UCI seis médicos para oito a 12 camas; um a dois enfermeiros por cada cama e um auxiliar operacional para cada oito camas.

As oito camas juntam-se às 106 para doentes covid existentes no Hospital da Luz e onde estão 25 adultos e uma criança em UCI. A assessoria não tem o número exato de quantas estão ocupadas com doentes transferidos do SNS.

Mas, pelo menos uma enfermaria com 18 pessoas tem os doentes reencaminhados do Hospital Amadora-Sintra. Unidade hospitalar que alocou 33 profissionais para os acompanhar: três médicos, 20 enfermeiros e dez auxiliares operacionais e que se vão manter no estabelecimento privado.

O Amadora-Sintra tem vindo continuamente a ultrapassar a sua capacidade - neste momento em mais de 300% do que o previsto no início da pandemia. Nesta quarta-feira, chegaram a estar internados 368 doentes nas enfermarias e 37 em UCI. Transferiram das enfermarias 15 pessoas para o Hospital de São João (Porto) e cinco para o Hospital de Vila Nova de Gaia.

Os militares alemães trouxeram, também, equipamento hospitalar - 40 ventiladores móveis e dez fixos, além de 150 bombas de infusão. O MS explica que todo o material está a ser verificado antes de ser entregue aos hospitais consoante as necessidades identificadas pela Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19.

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