Música clássica. O lado B do matemático Henrique Oliveira

"A partir dos 10 anos, metia-me no metro e ia para a Gulbenkian nos dias em que havia concertos"

A sua paixão pela música é explicada com uma fórmula simples: "O meu avô era músico e comecei logo com 3, 4 anos a estudar com ele. Mais tarde, continuei a estudar música no colégio. Para além disso, os meus pais eram melómanos."

É assim que o professor de Matemática do Instituto Superior Técnico e que integra a equipa que faz a modelação da covid a longo prazo desde o início da pandemia explica o seu lado B: a música clássica. Conta ainda que, "quando tinha 10 anos, metia-me no metro e ia para a Gulbenkian todos os dias em que havia concertos e também ao São Carlos". Mas há mais: "Uma vez, o meu pai contou os bilhetes de concertos música clássica e só no primeiro trimestre do meu 12.º ano já iam em 70, financiados em parte pela minha avó." Resultado: o pai proibiu-o de ir a concertos. "Tive de negociar e lá me deixou ir, pelo menos, uma vez por semana." Henrique Oliveira, de 56 anos, explica que é "bastante eclético", mas Bach e Wagner estão entre as suas principais preferências. Como não se revia nas críticas que lia nos jornais, criou um blogue para fazer das suas: críticas mais acutilantes. Isso levou-a a colaborar com revistas e rádios (como a Antena 2).

A sua ligação é conhecida no meio académico, de tal forma que o reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, o convidou para ser pró-reitor para a programação cultura da universidade. Além disso, criou a cadeira Matemática e Música que irá funcionar no segundo semestre em 2022. Sobre a ligação entre a sua matemática e a igualmente sua música comenta: "Aliás, há a lenda que foi Pitágoras que inventou a escala musical." Mas não se pense que só ouve música clássica: The Doors, Talking Heads, Prefab Sprout e "até Duran Duran, a que achava graça, e oiço muito jazz, também". Afinal, e como relembra, "a música é um conjunto de vibrações que se podem descrever matematicamente".

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