Portugal não vai dispensar uso de máscara a pessoas vacinadas

No dia em que o país contabilizou mais 469 casos de covid-19 e mais sete óbitos, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Lacerda Sales, anunciou que a medida adotada pelos EUA não está a ser equacionada no nosso país, por falta de "robustez científica".

Os Estados Unidos da América vieram anunciar esta semana que o uso de máscara vai deixar de ser obrigatório para quem está com a vacinação completa, inclusive em espaços fechados.

A medida, que alguns dizem estar a ser adotada por haver estudos científicos que comprovam agora que estas pessoas não voltam a ser infetadas, como referia ontem um artigo do jornal New York Times, mas que outros dizem ser uma estratégia meramente política no sentido de dar benesses a quem não recusa esta proteção, veio atirar para cima da mesa a mesma questão em relação à Europa e a Portugal. O que fazer, já que o número de pessoas vacinadas aumenta cada vez mais?

Em Portugal, as dúvidas foram desfeitas pelo Secretário de Estado Adjunto da Saúde, António Lacerda Sales, ao afirmar ontem que tal possibilidade "não está a ser equacionada", nem em relação a pessoas já com a vacinação completa nem em relação ao seu uso em espaços exteriores ou interiores.

O governante sustentou mesmo esta posição com o facto de faltar robustez científica para avançar com a medida assumida pelos norte-americanos, depois de o Centro de Controlo de Doenças vir dizer que reviu as suas orientações à luz de evidência científica.

"Tomámos a decisão de manter o uso de máscara mesmo após a vacinação por ainda "não haver robustez científica quanto à possibilidade de transmissibilidade do vírus, nomeadamente nos assintomáticos", referiu Lacerda Sales na tarde de sábado nas Caldas da Rainha, durante as comemorações do Dia da Cidade, quando foi questionado pelos jornalistas.

O secretário de Estado explicou ainda que o que está comprovado cientificamente é uma espécie de imunogenicidade, por assim dizer, contra a doença grave. Quanto ao dispensar o uso de máscara, Lacerda Sales sublinhou que, por enquanto, continuarão a ser cumpridas as regras de proteção individuais e coletivas definidas pela Direção-Geral da Saúde, reforçando: "O que o governo recomenda é que se mantenha o uso de máscara e o distanciamento."

Aliás, segundo afirmou ao DN a pneumologista Raquel Duarte, a especialista convidada pelo Governo de António Costa para elaborar com a sua equipa o primeiro plano de desconfinamento e agora o da fase mais prolongada, é que as regras de proteção não são para abandonar tão depressa, nem mesmo pela população vacinada, porque o risco continua a existir.

A manutenção desta medida, o uso de máscara, é mesmo uma das recomendações que constam da proposta que Raquel Duarte e a sua equipa entregaram esta semana ao governo, para que se continuem a dar passos no sentido de uma vida mais normal, com algumas liberdades, mas de forma faseada, controlada e em segurança.

Portugal registou ontem mais 468 novas casos de covid-19 e sete óbitos, somando assim 841 848 infetados e 17 006 óbitos.

Notícia atualizada

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