Investigador Xavier Viegas "impressionado" com território destruído em Murça

"Pude percorrer uma boa parte da área ardida e realmente é impressionante, mesmo para quem já observou e analisou grandes incêndios. É realmente impressionante ver todo este território queimado e destruído", afirmou.

O investigador Xavier Viegas disse esta terça-feira estar "impressionado" com todo o território queimado e destruído pelo incêndio em Murça, que se "espalhou em diferentes direções" e com "muita dificuldade de combate".

O investigador da Universidade de Coimbra esteve esta manhã, em Murça, para observar a área atingida pelo fogo que começou domingo, em Cortinhas, e se espalhou, depois, para os municípios de Vila Pouca de Aguiar e Valpaços, no distrito de Vila Real.

"Pude percorrer uma boa parte da área ardida e realmente é impressionante, mesmo para quem já observou e analisou grandes incêndios. É realmente impressionante ver todo este território queimado e destruído", afirmou aos jornalistas.

Em dois dias o fogo queimou, numa primeira avaliação revelada pelo presidente da Câmara de Murça, Mário Artur Lopes, entre 10.000 a 12.000 hectares de pinhal, mato, atingindo ainda olivais e soutos.

Xavier Viegas disse ter-se apercebido na segunda-feira, também pelas imagens das televisões, "da gravidade que este incêndio estava a ter", e apontou que "as consequências estão bem à vista, nomeadamente pela perda humana".

Foi a sair da aldeia de Penabeice que um casal idoso de ex-emigrantes morreu, depois do carro onde seguiam ter caído numa ravina. Foram encontrados já mortos e as causas do acidente estão a ser investigadas pela GNR.

A área onde o carro ainda permanecia esta manhã estava completamente queimada.

O investigador quis conhecer o local para tentar, também, perceber o que terá estado na origem do acidente.

"Tudo leva a crer que terá sido uma decisão tardia para sair da casa", salientou.

Os idosos terão desobedecido aos conselhos das autoridades que, na altura, pediam aos populares para se manterem na aldeia, em lugar seguro.

Xavier Viegas disse ser "óbvio que o fogo teve ontem [segunda-feira], pelo início da tarde, uma propagação muito rápida", uma observação que confirmou, no terreno, ao ouvir os testemunhos de residentes das aldeias afetadas.

"Também devido à configuração do terreno que é muito acidentado e permitiu que o fogo se espalhasse em diferentes direções, com muita dificuldade de combate e, como vemos, esta paisagem está cravejada de aldeias, de pequenas povoações e muita gente esteve em perigo", salientou.

O especialista referiu que "houve uma boa reação da parte das autoridades, uma boa resposta e, em muitos casos, as pessoas foram retiradas com antecedência, bastante antes de o fogo sair".

"E penso que isso foi correto, sobretudo as pessoas que tinham necessidade. Estamos aqui ao lado de um espaço para onde foram retiradas dezenas de habitantes de várias aldeias que, entretanto, também já regressaram porque as condições estão a melhorar", disse, referindo-se ao pavilhão desportivo da vila de Murça.

À pergunta se era possível combater este incêndio, Xavier Viegas respondeu que "seguramente em algumas fases não".

"Pelo que se vê, por aquilo que eu vi no terreno, a sua intensidade terá sido tão grande que o ataque frontal a este incêndio era virtualmente impossível", frisou.

Agora, acrescentou, "o que é importante é consolidar todo este perímetro que há de fogo e evitar que haja reacendimentos e que as coisas recomecem".

Pelas 15:30, de acordo com informação disponível no 'site' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), encontravam-se no terreno 760 operacionais, 10 meios aéreos e 256 meios terrestres.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG