Vírus está a matar golfinhos desde novembro

Quase 200 cetáceos já foram encontrados mortos na costa do Brasil

Os primeiros sinais de mortandade começaram a surgir em novembro, quando vários golfinhos apareceram mortos. Dois meses depois, já são mais de 180 os golfinhos que morreram na costa do Brasil, com um vírus, pela primeira vez detetado na América do Sul, a ser o causador. Cientistas brasileiros dizem não saber como estancar o vírus e apontam a pesca e a poluição como potenciadores da doença já que afeta o sistema imunitário dos cetáceos.

Os golfinhos que estão a morrer são botos-cinza, mais pequenos, e estima-se que na costa do Rio e de São Paulo viva uma das maiores comunidades, já que praticamente só existem naquela área do oceano Atlântico, desde as Honduras até ao Sul do Brasil. "É uma mortalidade fora do padrão", disse Carla Barbosa, do Instituto Argonauta de Conservação Marinha, à imprensa brasileira. Segundo um comunicado divulgado pela Escola de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, um surto do vírus morbillivirus é responsável pelas mortes dos cetáceos na baía de Sepetiba, que têm sido verificadas desde o final de novembro. Também no estado de São Paulo têm sido encontrados golfinhos mortos.

O morbillivirus é um género de vírus que não se transmite aos humanos. Mas a relação com doenças é estudada já que têm algumas semelhanças com o vírus do sarampo. Nos animais, causa a cinomose nos cães e a peste em cabras e ovelhas. Recentemente, o morbillivirus também foi associado à doença renal em gatos.

Os fatores que contribuíram para o surto ainda são desconhecidos. Para os investigadores brasileiros, os seres humanos estão longe de ser inocentes. "Faz 30 meses que submetemos a necropsia todos os animais mortos encontrados, seja golfinho, tartaruga ou ave", explica André Barreto, coordenador do Projeto de Monitoramento de Praias Fase 1. "O que percebemos é que o estado de saúde dos animais não está bom. De modo geral estão doentes, com problemas no fígado, rins, sistema imunológico." Para este especialista, os humanos têm culpas. "Os animais podem não morrer dos poluentes, mas isso irá atrapalhar o sistema imunológico. Quando aparece um vírus novo, por estarem com a saúde debilitada, ficam vulneráveis", diz André Barreto.

Este entendimento é confirmado por outras instituições que têm estudado esta espécie de golfinhos. "Nos últimos dez anos, temos notado muitas lesões na pele dos golfinhos, um problema geralmente relacionado à baixa imunidade" explicou o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto-Cinza, que monitoriza há 20 anos os golfinhos da baía de Sepetiba. As amostras biológicas estão a ser analisadas no Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Universidade de São Paulo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.