Solstício foi ontem mas o pôr do Sol mais tardio do ano é só daqui a uma semana

O verão começou numa noite de lua cheia, algo que já não acontecia há quase 70 anos. Mas desenganem-se os que acham que ontem foi o dia mais longo do ano, pois o dia de hoje tem exatamente o mesmo tempo de luz solar

Catorze horas, 49 minutos, seis segundos. No hemisfério norte, é precisamente este o tempo de luz solar do dia de hoje. Tal como ontem, dia de solstício de verão, o Sol nasce às 06.12 e põe-se às 21.05, o que faz destes dois dias os mais longos do ano. Mas é por uma diferença mínima, já que amanhã se perdem apenas três segundos de Sol. A partir de agora, os dias vão começar a ficar mais pequenos, mas é na próxima semana que anoitece mais tarde. Na segunda e na terça-feira, o Sol nasce um minuto mais tarde e põe-se às 21.06.

"O ponto central do Sol tem vindo a afastar-se do Equador e atinge o ponto máximo hoje [ontem] à noite, às 23.34. Agora vai descer em latitude e aproximar-se do Equador", explica Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Como o solstício de verão aconteceu muito perto da meia-noite, explica o astrónomo, o período de luz solar de hoje é exatamente igual ao de ontem. No domingo, por exemplo, houve menos dois segundos de luz solar, enquanto amanhã se contabilizam menos três. "Por esta altura, o Sol atinge a latitude mais alta e varia pouquíssimo de dia para dia, o que faz que as durações dos dias não sejam muito diferentes", esclarece o especialista.

Um dado interessante, indica Rui Agostinho, é que no momento em que se considera que o Sol se está a pôr ele já se pôs. "Quando vemos uma nesga de Sol a tocar no horizonte, ele já está todo abaixo da linha do horizonte", um fenómeno que está relacionado com os efeitos da refração atmosférica.

Ontem, o solstício foi especial, já que coincidiu com a lua cheia de junho, a que algumas tribos da América do Norte chamam straw-berry moon, ou, em português, lua de morango, uma vez que assinala o início das colheitas deste fruto. Desde o verão de 1967 que os dois fenómenos não aconteciam no mesmo dia, o que tornou o evento de ontem ainda mais raro e especial. "Pode pensar-se que há uma conspiração cósmica para isso, mas é apenas uma coincidência. De vez em quando acontece", indica o diretor do OAL.

Como é habitual, milhares de pessoas juntaram-se ontem em Stonehenge, no Reino Unido, para assistir ao solstício de verão, logo a partir do pôr do Sol. Com mais de quatro mil anos, o monumento é formado por um conjunto de pedras, e é sobre a pedra principal que nasce o Sol, o que proporciona um espetáculo único.

Verão chegou com sol e calor

O verão chegou ontem e prolonga-se até ao próximo Equinócio, que, segundo o Observatório, ocorre no dia 22 de setembro, às 15.21. Depois de uma primavera marcada pela chuva, o solstício trouxe consigo o sol e as temperaturas altas, embora em algumas zonas do país possa vir a ocorrer precipitação ainda nesta semana.

Segundo Madalena Rodrigues, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o céu mantém-se "pouco nublado ou limpo" durante o dia de hoje, apenas com alguma nebulosidade no litoral norte e centro, onde pode persistir até ao final da manhã. Já para quarta-feira, é provável que ocorra alguma instabilidade e até aguaceiros e trovoadas no Norte e Centro do país.

Por todo o país, as temperaturas devem manter-se a rondar os 30 graus, chegando aos 37 no Alentejo. Para quinta e sexta-feira, Madalena Rodrigues diz que é esperada uma pequena descida da temperatura máxima, que volta a subir no próximo fim de semana.

De acordo com os dados do IPMA, o mês de março foi mais frio do que o normal, sendo o valor médio da temperatura o mais baixo dos últimos 31 anos e o 13.º mais baixo desde 1931. Abril também foi um mês atípico para o que é normal na primavera. Foi "extremamente chuvoso", tendo o valor médio da precipitação sido quase o dobro do normal (o 10.º mais alto desde 1931), uma tendência que se manteve no mês seguinte. Em maio, o valor da quantidade de precipitação foi muito superior ao valor médio, sendo o 5.º valor mais alto desde 1931 e o valor mais alto dos últimos 22 anos.

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