Deprime com o horário de inverno? Passeie ao ar livre e crie momentos lúdicos

Quando forem duas da manhã de amanhã - 01.00 nos Açores - os portugueses devem atrasar os relógios uma hora. É normal que se sinta mais nostálgico ou deprimido, mas há formas de minimizar os efeitos da mudança

Fazer exercício físico ao ar livre, beber café numa esplanada e tentar trabalhar o mais perto possível das janelas. Estas são algumas estratégias que os portugueses podem adotar para se adaptarem melhor ao horário de inverno, que começa amanhã e durará até de 24 de março de 2018. Na próxima madrugada, quando forem duas da manhã, os relógios devem ser atrasados para a uma. Uma mudança que pode causar alguns transtornos, já que para algumas pessoas os dias mais curtos são sinónimo de nostalgia, pouca energia e estados mais depressivos.

A luz solar é, segundo a psicóloga clínica Inês Chiote, um "regulador do nosso funcionamento interno: do sono, apetite, energia, ritmo cardíaco, humor". Logo, quando há uma menor exposição à luz, "as pessoas sentem mais sono, falta de energia, dificuldades de concentração e, logo nos primeiros dias após a mudança, até dores de cabeça". Sem esquecer que há dias sem sol e de muita chuva, a psicóloga diz que "sempre que possível, as pessoas devem tentar estar expostas à luz solar".

A chave é tentar rentabilizar ao máximo as horas de luz. "Sugiro que tentem acordar mais cedo e façam uma caminhada de 30 minutos diariamente, ou outro tipo de exercício físico", propõe Inês Chiote. Nos primeiros dias após a mudança, como o sol nasce mais cedo, há a tendência para acordar antes da hora habitual. "Devemos tentar que o quarto fique mais escuro, as persianas mais fechadas". Já durante todo o horário de inverno, é importante "deitar sempre à mesma hora e tentar não fazer atividades estimulantes 30 minutos antes de deitar".

No emprego, o ideal é, segundo a psicóloga, trabalhar o mais perto possível das janelas. "Para combater o cansaço, também se deve apostar numa alimentação rica em proteína. Já após o almoço, pode beber café numa esplanada, aproveitando para estar exposto à luz solar".

Além da luz, a temperatura também "influencia bastante" o estado de humor, por isso, "durante o inverno, deve tentar ter um aquecedor por perto ou meter uma manta sobre as costas".

Ritmos alteram-se

O psicólogo Jorge Gravanita explica que, com a passagem ao horário de inverno, "há uma espécie de alteração do ritmo das pessoas", que "funciona muitas vezes como uma gota de água nas pessoas que já estão perto do limite, esgotadas". A sociedade contemporânea vive atualmente de uma maneira que não acompanha o "ritmo natural": "trabalhamos durante o dia, mas também durante a noite; temos poucas paragens e há um ruído, uma estimulação luminosa que nos leva a estar permanentemente alerta". Para atingir um maior equilíbrio, "temos de procurar um tipo de relação com o tempo que não seja imposta pela produtividade e pelas exigências do exterior", um "retorno a ritmos mais naturais e que permitam à pessoa recompor-se".

É possível uma pessoa ajustar-se ao novo horário sem sofrer todo o impacto da mudança. Diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia que é preciso "criar momentos de paragem, fazer atividades paralelas à atividade dominante; conseguir ajustar os ritmos de sono às necessidades de descanso e não às exigências das atividades familiares ou profissionais; mudar de ambiente sempre que possível, sair do escritório, do ar condicionado, e procurar um espaço verde; tentar fazer alguma coisa criativa, lúdica, ou seja, um uso do tempo não apenas numa lógica de produtividade".

Quando há uma mudança de hora, as pessoas apercebem-se que têm de se adequar ao tempo. "O relógio é uma coisa que nos é imposta, mas temos o nosso tempo interior. Precisamos também de ter a perceção desse tempo, que não tem que estar condicionado pelo despertador". Sugere, por isso, que seja retomado o contacto com a natureza "que agora nos parece estranho" e que seja reservado tempo "para as relações humanas", para estar "com os outros com calma e não apenas numa lógica de emergência".

Quando surge a depressão

Nesta fase de transição, adianta Inês Chiote, surgem "mais quadros depressivos", não só de quem tem depressões sazonais como de quem tem propensão para a depressão. Jorge Gravanita explica que "o facto de existirem mudanças que surgem como algo às quais não se pode escapar, faz com que a pessoa fique deprimida porque sente que não ter recursos para fazer face às mesmas". Contudo, frisa, "qualquer pessoa tem fases depressivas e as pessoas saudáveis precisam de deprimir". A depressão patológica é quando a pessoa atinge um momento de rotura, o que requer intervenção especializada.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.