Cientistas descobrem "biomarcador" que ajuda a diagnosticar autismo antes dos primeiros sintomas

Será possível as crianças iniciar tratamentos mais cedo, com possibilidade de melhores resultados

Investigadores encontraram um biomarcador presente em imagens cerebrais que permitirá prever o risco de terem autismo em bebés. A descoberta vai ajudar a detetar a doença antes do primeiros sintomas surgirem.

Segundo o estudo da Universidade de Washington, publicado na revista Nature, 1 em cada 100 crianças tem autismo, mas quando um bebé tem um irmão mais velho com esta condição, a probabilidade de vir a ter autismo aumenta para 1 em 5, ou seja, 20%. O biomarcador será útil para iniciar tratamentos e tomar medidas antes de as crianças apresentarem os primeiros sintomas, algo que normalmente só acontece aos 2 ou 3 anos.

"De forma geral, a idade mais precoce em que somos capazes de diagnosticar autismo é aos dois anos, quando os sintomas comportamentais são aparentes", disse Annette Estes, co-autora da investigação, segundo o jornal espanhol ABC. "A idade média do diagnóstico de autismo nos Estados Unidos é quatro anos, mas no nosso estudo temos sido capazes de identificar bebés que posteriormente serão diagnosticados com autismo usando biomarcadores entre os seis e os 12 meses", explicou a investigadora.

O autismo é um transtorno neurológico marcado pelo défice na comunicação e integração social, entre outros sintomas, e uma grande dependência de rotinas, como descreve o estudo.

Para o pesquisa, os investigadores analisaram imagens cerebrais de 148 crianças divididas em três grupos: 15 com alto risco de terem autismo - por terem irmãos mais velhos com a doença - e que tinham sido diagnosticadas aos dois anos; 91 crianças com alto risco de terem autismo mas que não tinham desenvolvido a doença até aos dois anos; e 42 com baixo risco - por não terem nenhum caso da doença na família - que não tinham desenvolvido a doença até aos dois anos.

O cérebro de cada uma destas crianças foi analisado aos 6, 12 e 24 meses, assim como as suas capacidades intelectuais e os comportamentos. Os diagnósticos dos cientistas foram corretos em 81% dos casos.

Os cientistas concluíram que as crianças com irmãos mais velhos com autismo que vieram a desenvolver a doença sofreram uma expansão da área de superfície do cérebro entre o sexto e 12.º mês. O aumento da superfície foi depois ligado ao aumento do volume do cérebro no segundo ano de idade.

O aumento de volume foi, por sua vez, relacionado com o aparecimento dos défices de comportamento no segundo ano de vida.

Com este diagnóstico precoce, os cientistas querem atuar mais rapidamente na doença e esperam encontrar formas de intervir cada vez mais cedo para que os tratamentos do autismo tenham melhores resultados.