Disney: princesas perderam a voz e falam menos do que as personagens masculinas

Nos últimos filmes das princesas Disney, as personagens masculinas têm três vezes mais falas do que as personagens femininas

Elas são as protagonistas de muitos dos filmes da Disney, mas um estudo revela que as princesas dos filmes animados falam menos do que as personagens masculinas. As linguistas Carmen Fought e Karen Eisenhauer analisaram todos os diálogos das princesas e concluíram que as personagens masculinas têm três vezes mais falas do que as personagens femininas.

Em A Pequena Sereia os homens falam 68% das vezes, em A Bela e o Monstro falam 71% do tempo, em Pocahontas 76% e em Mulan falam 77% das vezes. Para a contagem de Mulan foram incluídos os diálogos que decorreram enquanto ela fingia ser um homem.

Mesmo em filmes mais recentes, como A Princesa e o Sapo e Frozen - O Reino do Gelo, os homens falam duas vezes mais do que as mulheres. Enrolados e Brave - Indomável foram a exceção à regra.

O problema, segundo o estudo, é que os filmes têm cada vez mais personagens e muitas delas são masculinas. "Há sempre uma princesa isolada à procura de um homem para casar, mas não há outras mulheres a fazer outras coisas", explica Carmen Fought. "Não há mulheres a liderar a multidão que vai atrás do Monstro, não há mulheres a conviver na taberna e a cantar, mulheres a dar indicações ou mulheres a inventar coisas".

A investigação, segundo The Washington Post, começou com a análise de A Pequena Sereia e do papel de Ariel. O filme foi lançado em 1989, 30 anos depois da Branca de Neve, a Cinderela e a Bela Adormecida terem chegado aos ecrãs, e foi o primeiro filme de princesas a dar mais independência à personagem principal feminina e, ao mesmo tempo, mais falas ao género masculino.

O facto de a personagem ter perdido a voz no filme poderia explicar este dado mas, segundo as especialistas, Ariel começou uma tendência que só aumentou nos filmes seguintes. Bela, Pocahontas, Mulan e Tiana de A Princesa e o Sapo falam ainda menos do que Ariel.

"Nós estamos treinados para pensar que os homens são a norma", afirmou Karen Eisenhauer, "então quando se acrescenta um lojista esse lojista é um homem. Quando se acrescenta um guarda esse guarda é homem". "Está enraizado na nossa cultura", acrescenta.

Outra tendência verificada nos filmes das princesas Disney é a que se refere à importância dada à aparência das heroínas. Enquanto nos filmes da Branca de Neve e o Sete Anões, da Cinderela e da Bela Adormecida, mais de metade dos elogios se referiam à beleza e aparência das princesas, e apenas 11% às capacidades ou desempenho, nos filmes lançados nos anos 90, começou a notar-se uma maior apreciação das capacidades das personagens femininas.

Nos filmes A Princesa e o Sapo, Enrolados, Brave - Indomável e Frozen - O Reino do Gelo, as personagens recebem mais elogios pelas capacidades, personalidades e feitos ao longo da história, 40% em média, do que pela sua aparência, 22%.