Milhares de aviões de papel para entrar no Guinness

Os alunos do concelho de Loulé conseguiram mais de 2600 aviões válidos em 17 minutos

Novecentos alunos de escolas de Loulé e Quarteira participaram hoje numa ação com o objetivo de bater o recorde mundial de construção de aviões de papel, disse à Lusa a professora responsável da iniciativa, Ana Luísa Gonçalves.

O recorde homologado pelo Guinness até hoje tinha sido conseguido em Singapura com 800 aviões de papel em 15 minutos. As escolas participantes do concelho de Loulé conseguiram mais de 2.600 aviões válidos em 17 minutos.

O projeto envolveu ainda 122 alunos de uma escola da República Checa, 252 alunos do Brasil e 150 da Eslovénia, que de acordo com Ana Luísa Gonçalves conseguiram mais de 1.700 aviões de papel.

Durante a contagem decrescente para o início da prova, o entusiasmo e ansiedade eram evidentes nos rostos dos 575 jovens participantes da Escola S. Pedro do Mar, de Quarteira.

Cada um dos jovens, que frequenta entre o 5.º e o 9.º ano de escolaridade, recebeu cinco folhas e tinha como objetivo conseguir fazer entre três e cinco aviões de papel sem qualquer defeito, para pudessem ser válidos para a contagem final.

A concentração foi tal, que na zona exterior dedicada ao desporto, onde decorreu a prova, quase não havia barulho.

"Gostei de participar neste projeto. Foi uma experiência engraçada e ajuda-nos a participar num recorde mundial, o que é bom para a nossa escola e para todos os que estão presentes neste projeto", disse à Lusa, Mariana Aguiar, do 7.º ano da Escola S. Pedro do Mar, descrevendo a prova como um momento memorável.

Sofia Barros é da mesma turma e contou que nas últimas semanas andou a treinar a fazer os aviões.

Esta iniciativa é o culminar do projeto e-twinnig "Sound, Pape rand Physics -- Challenge Yourself!", a que professores de escolas de Loulé e Quarteira se candidataram com o objetivo de apresentar a física de uma forma diferente aos seus alunos.

A professora de Física e Química daquela escola de Quarteira, Ana Luísa Gonçalves, responsável pelo projeto, contou que viu alunos a lançaram aviões de papel na aula e questionou-se: "porque não saber um pouco mais sobre ciência, a física e a mecânica do voo?".

Tendo tido uma experiência nesta área em 2015, Ana Luísa Gonçalves uniu-se inicialmente a mais dois professores da Escola Secundária de Loulé para candidatar o projeto, mas, entretanto, conseguiu o envolvimento de toda a comunidade escolar.

O projeto incluiu várias teleconferências entre as escolas participantes dos quatro países e vários trabalhos e atividades como o concurso de foguetões de água "5,4,3,2,1...,Descolagem!", que se realizou esta tarde.

Tendo em conta a quantidade de papel que foi gasta, a organização e a Câmara Municipal de Loulé prepararam a plantação de três árvores e pretendem entregar o papel a uma instituição de solidariedade ou criar blocos alusivos à iniciativa para vender e entregar a receita a uma instituição de solidariedade social.

Até 15 de julho, a Escola Secundária de Loulé vai exibir a exposição "Voo -- Três Milénios de Máquinas Voadoras" com uma abordagem transversal e multidisciplicar sobre a história da busca humana pela compreensão das leis que regem a possibilidade de imitar as aves e voar.

"A escola não é só a sala de aula e os testes. Há coisas muito mais importantes para fazer em escola e isto também é importante", observou a diretora do Agrupamento de Escolas Dr.ª Laura Ayres, de Quarteira, Conceição Bernardes.

A organização vai reunir todas as contagens de aviões de papel, filmagens locais e aéreas feitas durante o evento e relatórios de várias testemunhas que serão enviados para os responsáveis do Guinness com vista à homologação do recorde.

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