Há 17 casos suspeitos de hepatite aguda infantil em Portugal

A DGS refere que os casos suspeitos reportados referem-se a "situações com resolução clínica, não tendo ocorrido casos graves".

De 28 de abril até 24 de junho (sexta-feira), Portugal registou "17 casos prováveis de hepatite de etiologia desconhecida em idade pediátrica", informou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS). São mais três casos suspeitos face à última atualização, divulgada a 26 de maio.

A autoridade nacional de saúde indicou que os casos suspeitos reportados "têm sido situações com resolução clínica, não tendo ocorrido casos graves".

"A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) referem a redução de número de casos a nível mundial nas últimas três semanas, mas solicitam aos países que continuem a detetar e a reportar casos prováveis", lê-se na atualização divulgada no site da DGS.

A origem desta hepatite aguda infantil ainda é desconhecida, mas a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou, a 19 de maio em entrevista à TVI, que "o suspeito principal é o adenovírus", sendo ainda "prematuro" ter uma conclusão definitiva sobre a causa da doença.

Na última atualização da DGS, a 26 de maio, o diretor do Programa Nacional para as Hepatites Virais, Rui Tato Marinho, afirmou que a situação da doença em Portugal era "pacífica". "Temos tido, em média, um caso dia sim, dia não, todos com evolução favorável", disse o hepatologista, adiantando que algumas crianças estiveram internadas, algumas tiveram icterícia, mas estão todas bem.

A 31 de maio, o ECDC e a OMS Europa publicaram um boletim epidemiológico referindo 305 casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida em crianças com 16 anos ou menos anos em 17 países da região europeia da OMS.

Todas as crianças até aos 16 anos com manifestações clínicas sugestivas de hepatite aguda, como náuseas, anorexia, vómitos ou icterícia ou com sintomas inespecíficos como dor abdominal e diarreia devem ser observados no hospital com urgência.

De acordo com a orientação divulgada a 7 de junho pela DGS sobre os casos suspeitos de hepatite aguda de etiologia desconhecida em idade pediátrica, as manifestações inespecíficas como a dor abdominal, náuseas e vómitos, diarreia, com mais de uma semana de evolução e prostração importante podem coexistir com sintomas respiratórios e febre.

Já em contexto de cuidados hospitalares, perante uma criança com as manifestações clínicas acima descritas e que levantem suspeita de hepatite, deve ser iniciada a investigação laboratorial com, entre outras análises, hemograma completo, estudo da coagulação (INR), na área da bioquímica devem ser analisados indicadores como a glicemia, ureia, creatinina, ionograma, bilirrubina total e direta, assim como deve ser feita hemocultura, se apresentar febre.

Uma vez que a informação resultante da investigação em curso nos países que reportaram casos ainda é limitada, tendo os adenovírus entéricos sido indicados como possível agente envolvido, a DGS recomenda, na comunidade, o reforço de medidas de proteção como a higiene das mãos (supervisão em crianças mais pequenas) e a etiqueta respiratória, arejamento e/ou ventilação dos espaços interiores, limpeza e/ou desinfeção frequente de superfícies na presença de casos de gastroenterite aguda ou de infeção respiratória.

Nas unidades de saúde, são recomendadas medidas de precaução de contacto para casos suspeitos ou prováveis em caso de sintomatologia respiratória, "dando cumprimento às regras estabelecidas para controlo de infeção pelo Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA)", acrescenta a DGS.

Com Lusa

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