Fim das aulas nas universidades, no secundário e 3.º ciclo acelerou descida de casos

Portugal está agora com uma média diária de 13 500 infeções e de 31 óbitos. Na opinião da equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa o fator determinante para esta descida foi o fim das aulas progressivo nas universidades e depois no ensino básico e secundário. Mas o que vai acontecer a seguir, em relação ao impacto dos festejos dos santos e de muitos festivais de verão, "ainda é uma incógnita".

Até ao dia 22 de junho, segundo os dados publicados ontem pela Direção-Geral da Saúde (DGS), o país tinha atingido desde o início da pandemia os 5,118 milhões de infeções e os 24 007 óbitos. Só no ano de 2022, de 1 de janeiro até esta data, foram contabilizadas 3,691 milhões de infeções e 5034 óbitos. Sendo que, esta última vaga está a ser marcada pelo número de reinfeções. Segundo explicou ao DN o professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências (FC) da Universidade de Lisboa, que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia, estas continuam a aumentar e somam já cerca do 20% do total de casos.

No entanto, o país pode estar a atingir uma fase de planalto, depois de, no início de junho, ter registado uma desaceleração significativa na redução de casos, sobretudo nas faixas etárias dos 10 anos 19 anos. A razão para tal pode estar no fim das aulas dos estudantes universitários, no mês de maio, nos do ensino secundário, do 10.º ao 12.º ano, a 9 de junho, e no dos III Ciclo, do 5.º ao 9.º ano, a 15 de junho.

Carlos Antunes destaca que as aulas continuam a ser "o fator mais pesado no aumento ou na diminuição de casos, consoante a sua abertura ou fim". Mais até do que as festividades, como a dos Santos que se viveram em Lisboa na semana passada. "O que estamos a analisar, e fazendo a analogia com o calendário escolar, é que o fim das aulas teve um efeito maior no sentido da redução de casos, do que as festividades no sentido de aumento de casos". Ou seja, o que se observa agora, e mais de uma semana depois dos festejos de Santo António, é que continua a haver uma redução no número de infeções, mas o ritmo de descida é mais lento do que o registado no início de junho.

O professor explica: "As festividades contribuíram para a redução do ritmo de desaceleração de casos, porque, de acordo com a nossa análise, o (Rt) - índice de transmissibilidade -, que tem sempre um avanço de alguns dias em relação ao calculado pelo INSA, estava a baixar e já voltou a subir ligeiramente. Neste momento, está nos 0.95, muito próximo de 1, e tinha atingido um mínimo de 0.86. Isto é sinal de que acabou o combustível para a diminuição de casos. Esta pode parar e o país atingir uma fase de planalto, como estávamos em março e abril, ou então passar-se a um novo recrudescimento de mais casos. Não nos podemos esquecer que as festividades dos Santos vão continuar até ao final do mês e que depois vêm mais festivais".

Para já, a paragem no ritmo de descida de casos foi mais notória na Região de Lisboa e Vale do Tejo, provavelmente devido aos festejos do Santo António, mas tal "pode ser um fator pontual e sem capacidade para fazer deflagrar um aumento de casos". Mas da semana passada para esta, em termos globais, a descida no número de infeções continua a ser registada.

Os boletins da DGS dão conta que na segunda-feira, dia 13, foram contabilizados 6160 casos e 32 óbitos, terça-feira, dia 14, 22 330 e 39 óbitos, quarta-feira, dia 15, 20 300 e 40 óbitos e quinta-feira, dia 16, 17 835 e 37 óbitos, enquanto nesta semana foram registados segunda-feira, dia 20, 5342 casos e 27 óbitos, terça-feira dia 21, 18 041 casos e 23 óbitos, quarta-feira, dia 22, 15 292 casos e 24 óbitos, e quinta-feira, dia 23, 13 453 casos e 28 óbitos.

As faixas etárias mais afetadas pela infeção continuam a ser as dos 20 aos 50 anos. Segundo referiu ao DN Carlos Antunes, os mais novos, dos 10 aos 19 anos, estão com valores mínimos de infeção. Na faixa dos zero aos 9 anos, a redução de casos está a ser mais lenta, mas estes ainda se mantém em aulas até ao final do mês.

Em relação aos óbitos, de 1 de janeiro até ao dia 22 de junho o país atingiu as 5034 mortes por covid-19, o que representa metade da que se registou no mesmo período em 2021, 10 082 mortes. No entanto, o professor destaca que há um ano ainda não existia a cobertura vacinal que existe agora e que, por outro lado, a sociedade estava sujeita a mais regras de proteção do que agora. O que é já visível quer no número de casos e nos internamentos é o impacto da vacinação com o segundo reforço em quase 50% da população acima dos 80 anos. "Esta faixa etária estava com uma média diária de 1500 casos e agora está com 700".

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