Europa tenta pela segunda vez aterrar em Marte. É já amanhã

Módulo de aterragem da missão ExoMars soltou-se da nave-mãe no domingo e prepara-se para seis minutos decisivos

Chegou a vez de a Europa pousar em Marte, e amanhã é o dia. Se não houver falhas, o módulo de aterragem Schiaparelli da missão ExoMars há de despertar da sua hibernação poucos minutos antes das 14.42 (menos uma hora em Lisboa), para se lançar, a essa hora exata, numa descida vertiginosa de seis minutos, até à superfície do Planeta Vermelho. O local escolhido é Meridiani Planum, junto ao equador do planeta e a transmissão pode ser seguida em direto na Internet, no site da ESA.

Esse é o momento mais delicado da missão, mas se tudo correr bem, o pequeno módulo entra na fina atmosfera de Marte a 121 quilómetros de altitude, e à velocidade de 21 mil quilómetros por hora e, durante três minutos, cairá assim a pique, mas a desacelerar progressivamente, até que, a 11 mil metros do chão, se abrirá um paraquedas. Isso vai servir para travar o engenho e reduzir a velocidade da descida, que sofrerá ainda um abrandamento final, já a poucos metros do solo, com a ignição de um conjunto de foguetes que ajudarão a sonda a pousar sem choques que possam danificar os (poucos) instrumentos que leva a bordo.

Depois do falhanço do Beagle 2, há 13 anos, que se perdeu na descida para Marte, a agência espacial europeia ESA espera agora um desfecho muito diferente, até porque o objetivo essencial da aterragem de amanhã é demonstrar que a tecnologia desenvolvida é a adequada para a missão científica que se segue: a segunda fase da missão ExoMars, para 2020.

A ideia é colocar na superfície do Planeta Vermelho um robô móvel e uma plataforma científica que terão capacidade para escavar até dois metros de profundidade e analisar as amostras recolhidas. O objetivo declarado, esse, é tentar encontrar em Marte sinais de vida passada - ou mesmo presente, quem sabe. O nome da missão, ExoMars di-lo explicitamente: exo, abrevia a palavra exobiologia, que significa a biologia fora da Terra.

Entretanto a sonda orbital da missão, a TGO (de Trace Gas Orbiter) há de estabilizar a sua órbita em torno do Planeta Vermelho, para aguardar a comunicação do Schiaparelli.

Se tudo correr de feição, a Europa volta a marcar terreno no espaço, numa altura em que a corrida a Marte ganha novos protagonistas com a Índia e a China a acelerarem os seus planos de viagem, e também um novo impulso, depois de Obama ter anunciado há dias que é objetivo dos Estados Unidos enviar a primeira missão tripulada a Marte antes do final da década de 2030.

Na sua órbita em torno do Planeta vermelho, a nave-mãe da missão ExoMars, que vai medir as flutuações do gás metano na atmosfera marciana, passa a fazer companhia às que já lá se encontram: as duas da NASA Mars Odyssey e Mars Reconaissance Orbiter, a Mars Express da ESA, e a Mars Orbiter Mission da Índia.

Quanto à China, o objetivo é claro: depois da Lua, dos voos tripulados e de uma estação orbital autónoma já em embrião, o objetivo é colocar uma nave na órbita do Palmeta Vermelho em 2020. Está renhido.

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