Em 15 anos, buraco da camada de ozono encolheu o tamanho da Índia

Cientistas dizem ter as primeiras provas de que o problema ambiental está no bom caminho

Todas as previsões antigas apontavam para uma diminuição do buraco da camada de ozono, mas um grupo de cientistas garante agora ter encontrado as primeiras provas de que essa "cura" está de facto a acontecer. Num estudo publicado pela revista Science e citado pela BBC, estes investigadores analisam os dados recolhidos entre setembro de 2000 e setembro de 2015 e concluem que os sinais são positivos para o ambiente e comprovam que os vulcões também desempenham um papel essencial na destruição da camada de ozono.

Esta equipa optou por fazê-las em setembro, quando as temperaturas estão mais baixas, e verificou que o buraco da camada de ozono estava, há nove meses, cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados mais pequeno do que estava em 2000, o que corresponde a uma área do tamanho da Índia.

"É uma grande surpresa", disse Susan Solomon à Science, citada pela AFP, explicando que não esperava que se chegasse a tais resultados tão cedo.

A cicatrização estará relacionada com as medidas promovidas pelo protocolo de Montreal, assinado em 1987, e que tinha por objetivo proibir a emissão das substâncias gasosas que contribuíam para a sua deterioração. Os clorofluorocarbonetos (CFC), inventados nos anos 1920 e utilizados em aerossóis, refrigerantes, solventes e na produção de espuma rígida de empacotamento, foram identificados na altura como os principais destruidores da camada de ozono.

Com uma capacidade de sobrevivência entre 50 a 100 anos, estes gases ainda têm influência na camada de ozono, mas o seu efeito está a diminuir e a camada a recuperar. Mas a cicatrização completa não deverá acontecer antes de 2050 ou 2060, realçam os investigadores.

Os dados de outubro de 2015 eram assustadores. O buraco da camada de ozono estava com as maiores dimensões de sempre na Antártida, o que contrariava a tendência dos últimos anos para encolher. Estes investigadores acreditam que a atividade vulcânica é prejudicial para a camada de ozono.

"Depois de uma erupção, o enxofre forma partículas minúsculas que se tornam as sementes das nuvens estratosféricas polares", explica Susan Soloman à BBC. "Estas nuvens aumentam quando se verifica uma erupção vulcânica e isso leva a uma maior perda de ozono", acrescenta a investigadora, referindo que a erupção do vulcão Cabulco, no Chile, no ano passado, teve efeitos notáveis na camada de ozono.

Localizada a cerca de 10 quilómetros da superfície da Terra e responsável pela absorção dos raios ultravioleta, esta camada sofre variações de tamanho cíclicas. Normalmente começa a reduzir em agosto e o buraco atinge o tamanho máximo em outubro, mês em que habitualmente os cientistas fazem as suas medições.

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