Das ciclovias ao teleférico do Cristo-Rei. As propostas dos lisboetas

Mobilidade, transportes e reabilitação urbana são as áreas com mais projetos apresentados para o Orçamento participativo de Lisboa

"Construir um teleférico entre Lisboa e o Cristo Rei, utilizando a estrutura da Ponte 25 de Abril ou criando uma nova estrutura de suporte." Orçada em meio milhão de euros, esta é a sugestão 370 do Orçamento Participativo de Lisboa, que neste ano recebeu 566 propostas. As maiores preocupações dos lisboetas incidem na forma como se movimentam na cidade, pelo que, além de quatro teleféricos, propõem ciclovias, pontes pedonais e mais estacionamento. Há projetos bastante arrojados, mas também há quem sugira apenas rampas nos passeios, redes wi-fi gratuitas ou espaços caninos.

"A falta de transportes no interior e para o interior dos grandes parques da zona ocidental de Lisboa e a necessidade de um plano de mobilidade de turistas e passageiros para as universidades junto aos parques" levaram os autores da proposta 131 a sugerir a criação de uma "rede de teleférico de Lisboa Ocidental". Para isso, sugerem teleféricos de pêndulo e de gôndola, com início no interface de Campolide e ramificações a Nova Campolide (Universidade Nova), Campo de Ourique (CC Amoreiras), Parque Alto da Serafina (Miradouro do Monsanto), Tapada da Ajuda (Palácio de Exposições) e Campus da Universidade de Lisboa (Ajuda). Um projeto de 500 mil euros.

O sistema de mobilidade por cabo aéreo será uma alternativa também para ligar as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar, com possível extensão à zona das docas. Um sistema semelhante ao que existe no Parque das Nações, dizem os autores da proposta 115, destacando que "esta é uma opção que quer pelo baixo custo, facilidade de implementação e reduzida pegada ambiental se torna a mais promissora a fim de facilitar a mobilidade dos passageiros das duas linhas e não só".

Ainda no que se refere aos teleféricos, há uma outra proposta para o "fácil acesso" de famílias e turistas a Monsanto. Esta passa por um teleférico "a ligar, como primeiro troço, a Praça de Sete-Rios [desejavelmente perto de saída do metropolitano] ao Parque Recreativo do Alto da Serafina e, como segundo troço, deste parque até ao Restaurante Panorâmico". Assim, realçam os autores, "o afluxo de pessoas ao pulmão desta cidade passaria a ser efetuado, em medida significativa, por transporte de forma limpa de CO2".

A área das infraestruturas viárias, mobilidade e transportes é aquela que recebeu mais propostas (132) dos residentes, estudantes, trabalhadores e representantes associativos, que apresentaram ideias com o objetivo de serem concretizadas no âmbito do Orçamento Participativo. Além da falta de estacionamento, as ciclovias também são uma dor de cabeça para os lisboetas, havendo, entre outras, propostas para uma ligação Expo-Belém, outra entre Entrecampos e Saldanha, outra para ligar a Praça de Espanha ao Estádio Universitário de Lisboa através da Avenida dos Combatentes.

Dentro da mesma temática, os lisboetas pedem mais pontes pedonais, nomeadamente "na Avenida 24 de Julho entre o Cais do Sodré e Alcântara" e na Alameda Afonso Henriques, "um grande espaço lúdico que ao ser cortado a meio por seis faixas de rodagem da Almirante Reis perde dimensão e aptidão".

Em segundo lugar na lista das áreas com mais propostas surge a reabilitação urbana e espaço público. Ao DN, Paulo Ferrero, membro fundador do Fórum Cidadania Lx, diz que "é compreensível" que os dois temas surjam no topo, porque são aqueles que mais preocupam os lisboetas. "Há, por exemplo, ciclovias sem ligação e malfeitas." No entanto, destaca, "no espaço público o acesso aos peões já está muito melhor do que era". Neste ano, Paulo Ferrero não apresentou sugestões, mas, se o fizesse, "insistiria na intervenção na Rua da Misericórdia para acabar com a circulação automóvel".

Segundo o vereador da Relação com o Munícipe, a Câmara Municipal de Lisboa recebeu mais 18% de propostas do que no ano passado, ano em que foram entregues 481 sugestões. Em declarações à agência Lusa, Jorge Máximo destacou nesta semana que muitas propostas são "bastante inovadoras e interessantes". Aquelas que forem consideradas elegíveis serão adaptadas a projetos, que seguem para votação.

A autarquia também recebeu propostas relacionadas com espaços verdes, cultura, desporto, educação, direitos sociais, economia, segurança ou higiene urbana. Segundo Jorge Máximo, a distribuição territorial das propostas "foi bastante homogénea, houve propostas de todas as freguesias", "um objetivo que foi amplamente alcançado".

Algumas propostas

Quatro teleféricos na capital. Figuram entre as propostas mais arrojadas no Orçamento Participativo para este ano. Com orçamentos entre os 300 e os 500 mil euros, os lisboetas consideram que os teleféricos são uma forma ecológica e prática de mobilidade, que pode ser útil em várias zonas da cidade.

Bilhetes para animais na Carris. "Os animais podem ser transportados na Carris, em compartimentos rígidos apropriados", lê-se na proposta. A primeira sugestão é serem usados modelos flexíveis que cumpram a missão, que possam ser vendidos na loja da Carris. A segunda é que os animais paguem bilhetes.

WC e parque para cães. E porque não um WC para cães na Vila Maria ou Calçada da Quintinha? É essa a proposta de um cidadão, que dá como exemplo uma estrutura que existe em Pombal e "funciona bem". E também há quem proponha um parque canino idêntico ao do Jardim do Campo Grande no Parque Vale do Silêncio, na freguesia dos Olivais.

Chuveiros ecológicos. É uma ideia que iria beneficiar sem-abrigo e pessoas que fazem exercício físico na cidade. O projeto consiste em ter "chuveiros de rua espalhados pela cidade, mais propriamente em jardins, parques e espaços verdes". Por 150 mil euros, são propostas várias modalidade, nomeadamente ecológicas (com painéis solares), pagas e gratuitas.

"Tuk Tuk" mais alfacinha. Sabe como é que os tuk tuks se podiam tornar mais alfacinhas? Um cidadão propõe que sejam montadas estruturas para que se pareçam com um elétrico em ponto pequeno. Um projeto de 150 mil euros e que pode ser desenvolvido em colaboração com um instituto de ensino superior de Lisboa.

Videotube Lisbon Space. "Projeto pioneiro para implementação de um espaço criativo e tecnológico de produção audiovisual e multimédia aberto a todos os munícipes." Situado "algures em Lisboa", está orçado em 460 mil euros. Este seria um "centro de produção de conteúdos audiovisuais vocacionado para a difusão em plataformas online."

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