Marinha Grande contra prospeção de petróleo

Cidadãos não querem o petróleo nas suas terras e águas, porque "contamina solos e lençóis freáticos, tornando-os inapropriados para a agricultura e outras atividades"

Um grupo de cidadãos do concelho da Marinha Grande está contra a prospeção de petróleo na região e em todo o país, afirmou hoje à agência Lusa Bruno Fitas, um dos porta-vozes do grupo.

Segundo Bruno Fitas, ao tomarem conhecimento dos contratos de prospeção e produção de petróleo e gás natural, que abrangem todo o concelho da Marinha Grande, promoveram, na sexta-feira, na Praia da Vieira, uma sessão de esclarecimento sobre os impactos da atividade petrolífera, com a colaboração do movimento Peniche Livre de Petróleo.

O porta-voz adiantou que "não é dizer não ao petróleo no Algarve, em Peniche ou na Praia da Vieira".

É dizer não ao petróleo em Portugal

"Queremos sensibilizar a população para a exploração de petróleo. Estamos rodeados de contratos. Além da faixa costeira, exposta aos contratos 'offshore', possui áreas contratualizadas 'onshore' em terra, num contrato denominado 'Batalha'. Em terra, além da possibilidade de produção convencional de petróleo, prevê-se ainda a produção de óleo e gás de xisto, por via das técnicas de fratura hidráulica ('fracking')", explicou.

Bruno Fitas salientou que os cidadãos não querem o petróleo nas suas terras e águas, porque "contamina solos e lençóis freáticos, tornando-os inapropriados para a agricultura e outras atividades".

"Ainda se podia pensar que é bom para o Governo, mas nem há grandes contrapartidas, pois Portugal cobra 15 euros por quilómetro quadrado contratualizado e no máximo 08% do petróleo explorado, enquanto a Noruega cobra 3.647 euros por km2 e 78% do petróleo explorado", informou.

Depois desta sessão de esclarecimento, vão ser realizadas outras na região. "As pessoas não estão conscientes do que se está a passar, como eu também não estava. Queremos fazer outras sessões em Leiria e Pombal. Depois de informar as pessoas, poderemos partir para outro tipo de ações", admitiu.

Numa nota de imprensa, os cidadãos referem que a Câmara da Marinha Grande foi contactada por escrito, a 23 de setembro de 2016, com um apelo ao seu posicionamento, "mas não deu qualquer feedback a esta organização", que "angariou seis mil assinaturas, em quatro meses, numa petição que já entrou na Assembleia da República e que propõe o cancelamento dos respetivos contratos".

"Os riscos ambientais e socioeconómicos desta atividade são muito elevados, como demonstraram os acidentes que ocorreram no Golfo do México e em Michigan, em 2010", alertam, referindo que desconhecem "quaisquer estudos de impacto ambiental que suportem os trabalhos em curso e contratualizados".

Os cidadãos enviaram a sua posição aos presidentes da Câmara da Marinha Grande e da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria e respetivos presidentes da Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia.

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