Chacina de tubarões no sul de Moçambique

Em dez dias verificaram-se três ataques, um deles mortal. Autoridades alertam que matar tubarões é uma ação "totalmente ilegal"

Nove tubarões foram mortos por pescadores em Inhambane, após três ataques a pessoas nas últimas semanas atribuídos a este predador naquela província do sul de Moçambique, noticiou hoje o diário O País.

Os tubarões, com dois e três metros de comprimento e pesando cerca de 90 quilos cada, foram abatidos na tarde da terça-feira na baía dos Cocos, no distrito de Jangamo, segundo o jornal, que publica fotos dos animais mortos em cima da areia. Segundo uma testemunha citada pelo jornal, pescadores locais abateram três tubarões-martelo, três tubarões-touro, dois tubarões-viola e um tubarão-tigre.

Contactado hoje pela Lusa, o administrador marítimo de Inhambane, Américo Sitoe, não confirmou o abate dos animais, limitando-se apenas a referir que o Governo provincial já delegou uma equipa para o local onde supostamente os tubarões foram mortos.

Isto não faz parte da ação que está sendo levada a cabo na baía de Inhambane para capturar o tubarão que está atacar a população

A baía dos Cocos situa-se a mais de 35 quilómetros de distância do lugar onde foram iniciadas as operações para a captura de um ou vários tubarões que supostamente mataram uma pessoas e feriram outras duas em Inhambane, um dos maiores centros turísticos do país.

"Se este episódio realmente aconteceu, as autoridades distanciam-se completamente. Isto não faz parte da ação que está sendo levada a cabo na baía de Inhambane para capturar o tubarão que está atacar a população", disse Américo Sitoe, acrescentando que, a ser verdade, trata-se de uma ação "totalmente ilegal", pela qual os seus autores devem ser responsabilizados.

Já temos cá em Inhambane equipas internacionais interessadas na questão e, após a finalização dos acordos, elas arrancam com os trabalhos

Américo Sitoe disse ainda que as operações para captura de tubarões na baía de Inhambane continuam e as autoridades provinciais estão a criar condições para o desenvolvimento de parcerias com entidades internacionais interessadas na preservação desta espécie.

"Já temos cá em Inhambane equipas internacionais interessadas na questão e, após a finalização dos acordos, elas arrancam com os trabalhos", afirmou, salientando que a caça e abate de tubarões não é suficiente para resolver o problema.

Na semana passada, um pescador da baía de Inhambane ficou sem braços na sequência de um ataque de tubarão. Este foi o terceiro caso registado em menos de dez dias na região, após a morte de uma mulher e um homem ter perdido um braço, provocando a revolta da população.

Desde o primeiro ataque, as autoridades marítimas e pescadores locais iniciaram uma caça ao tubarão, cujos resultados culminaram na captura de um animal de aproximadamente dois metros e duas pequenas crias, apresentadas também como sendo tubarão-touro, embora outras opiniões as identifiquem como sendo de espécies de tubarões-de-recife, habitualmente pouco agressivos para o Homem.

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