Da estação de Sao Bento, no Porto, até ao Pocinho, Vila Nova de Foz Coa, e depois em sentido inverso, num museu sobre carris a apreciar a paisagem do Douro e “sempre a comer e a beber bem”. É esta a proposta da CP, da Fundação do Museu Nacional Ferroviário e do chef Chakall para 20 viagens exclusivas a bordo do comboio presidencial que vão decorrer a partir de março. Um luxo num percurso de ida e volta que dura cerca de 10 horas e que promete celebrar a alma, a comida, o vinho e as histórias desta região..A ementa está definida, bem como as quintas e restaurantes que integrarão o projeto, depois de o chef Chakall ter passado as últimas semanas a viajar pelo país para (re)descobrir os segredos que teriam obrigatoriamente de ser revelados nas viagens a bordo do comboio presidencial. Como o pão do sr. Aníbal da padaria Díbia, em Vila Real, que, garante, “é o melhor do mundo”. Ou o cabrito do restaurante Gémeas, em Vila Verde, que, diz, “é o melhor do país”..Ao longo de 10 fins de semana, espera-se que cerca de 1400 passageiros (a uma média de 70 por viagem) se deliciem com o que de melhor o Douro (e não só) tem para oferecer num menu de nove momentos, cuja base será sempre igual: mini francesinha para começar, logo à saída do Porto, sopa de castanhas com pato desfiado, mini croquetes de rabo de boi e de polvo, tartar de carne mirandesa sobre couve assada, quenelles de alheira, ovo de codorniz em redução de vinho do Porto e polvo panado com migas de tomate. Mas nenhuma viagem será igual, já que o prato principal, responsabilidade de um resturante familiar, muda a cada fim de semana. Além do cabrito das Gémeas, será servido o bacalhau do chef Manuel Almeida do Dourum, de Vila Nova de Gaia, o marisco do Ramiro, de Lisboa, a cataplana da Adega do Hotel Vila Vita, em Porches, além de iguarias do Tombalobos, em Portalegre, da Tasquinha do Matias, em Tarouca, ou da Casa Velha do Palheiro, do Funchal..A acompanhar, os vinhos de 10 quintas, como Vale de Meão, Crasto, Ventozelo, Grifo ou Valbom. “Teremos os melhores vinhos e os melhores pratos de Portugal”, garante o chef Chakall. “Espero ter um serviço de excelência, que mostre que gostamos de Portugal”, acrescenta o argentino, que antes de aceitar dirigir a cozinha do comboio presidencial embarcou num Alfa para, pela primeira vez, conhecer o percurso pelos socalcos do Douro..Além da gastronomia, dos vinhos e das paisagens, os passageiros poderão apreciar a peça musológica que é o próprio comboio, datado de 1890, que transportou reis, chefes de estado e papas até sair de circulação em 1970. Restaurado pela CP, o comboio - que habitualmente pode ser visitado no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento – é composto por seis veículos: o Salão do Chefe de Estado, o Salão dos Ministros, o Salão da Comitiva e Segurança, o Salão Restaurante, a Carruagem dos Jornalistas e o Furgão. Espécie de “museu vivo”, nas palavras de Manuel Cabral, da Fundação Museu Nacional Ferroviário, o comboio presidencial terá nestas viagens a missão de “proporcionar experiências e provocar emoções nas pessoas”..Toda a experiência, desde as visitas do chef Chakal às quintas e restarantes com os quais vai trabalhar no comboio presidencial até às viagens, será documentada para posterior exibição num program de televisão a emitir no canal Casa e Cozinha..Experiência “democrática”.O projeto marca o regresso do comboio presidencial aos carris, depois da última viagem em outubro de 2022. Nessa época, a iniciativa era dinamizada pela Lohad, empresa que agora decidiu avançar para o tribunal contra os atuais promotores, acusando-os de "utilizar de forma não autorizada o património intelectual da empresa e o reconhecimento mundial do projeto, causando-lhe danos reputacionais elevados". Para a CP, através do seu presidente, este novo serviço proporciona “uma experiência completamente diversificada do anterior”, com acordos com várias quintas e restaurantes..Mesmo tendo sido organizado de forma “democrática”, com envolvimento de vários parceiros, o projeto continua a ter preços proibitivos para a grande maioria da população: 750 euros por pessoa. “É caro e não é”, constata o chef Chakall. Ou seja, o preço do bilhete “é uma brutalidade de dinheiro”, mas a experiência de que cada passageiro vai desfrutar é impagável, defende. “É algo único”.