"Às vezes há milagres". Uma semana para salvar o ano letivo

Estudo Com a maioria dos alunos de férias, ainda há quem jogue tudo na 2.ª fase dos exames. Especialistas aconselham estudo "cirúrgico"

Para a maioria dos alunos do secundário , quarta feira foi o dia da libertação. Com a afixação das pautas dos exames, as férias podem começar. E, tendo em conta as previsões da meteorologia, chegaram na altura certa. Mas há quem tenha ainda trabalho pela frente, para evitar a retenção ou conseguir a melhoria de nota que pode dar acesso ao curso desejado. Com a 2.ª fase de exames a arrancar já na próxima terça feira, o conselho de especialistas e explicadores, que nesta altura são mais procurados, é simples: foquem-se no que pode fazer a diferença.

"Uma boa estratégia, porque já têm um feedback da primeira fase, é perceberem quais são as áreas em que estão mais vulneráveis", diz ao DN José Morgado, psicólogo educacional e professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). "Os exames têm mais ou menos o mesmo tipo de estrutura e é relativamente fácil de perceber quais foram as maiores fragilidades. Por exemplo, um aluno que teve dificuldades na gramática deve tentar corrigir essas vulnerabilidades".

José Morgado esclarece que os alunos que enfrentam estas segundas épocas são bastante distintos. Quem procura uma melhoria de nota, para melhorar as perspetivas de acesso ao superior, é geralmente "um aluno motivado, que tenta ter uma nota elevada". Já "o aluno que chumbou tem maiores dificuldades. Vê boa parte dos colegas e amigos de férias. É mais difícil".

São também estes alunos que têm maiores dificuldades em termos de método: "Muitas vezes não são muito eficientes na gestão do tempo. Normalmente, o que tentamos dizer-lhes é: não distribuam o tempo aritmeticamente [por todos os conteúdos da disciplina] mas em função das dificuldades".

Com uma população adulta "com escolaridade muito baixa", muitos pais não conseguem ajudar. "Muitas vezes o recurso são os centros de explicações, lembra. "Quando isso não é possível, é importante tentar definir tarefas de organização, como fazer um resumo para pensar na matéria. Estratégias que não têm a ver com o conteúdo científico da disciplina mas sobretudo com a forma de se organizarem".

O DN contactou dois centros de explicações e, em ambos os casos, estes confirmaram que esta é uma altura agitada: "Temos alunos que estavam a contar ter uma nota e não conseguiram e aqueles que precisam mesmo de fazer o exame, porque não têm nota para passar", conta Cláudia, do centro Pi R Quadrado.

"É um trabalho de uma semana", explicou. "O professor ou o explicador tenta perceber o que ele não conseguiu fazer no exame e tentar melhorar essas partes". Há alunos que aparecem "todos os dias", outros que "só vêm antes do exame". A estratégia e as perspetivas de sucesso dependem do próprio aluno e do que vem de trás. "Normalmente conseguem" resultados, garante. E até há quem consiga o aparentemente impossível. "Não são muitos mas às vezes há alguns milagres", diz, admitindo que, em geral, "tem de haver um trabalho para trás, feito ao longo do ano".

Bruno Vaz, do centro da Explicolândia na Amadora, conta que a maioria dos alunos que procuram o centro nesta altura "são estudantes que já frequentavam o centro na 1.ª fase e vão fazer melhorias". Mas também há alunos à procura de salvar o ano. A estratégia passa por um "trabalho específico, em três quatro aulas". "Não gostamos de enganar ninguém. Se um aluno tem três ou quatro valores, podemos ajudar mas não queremos dar a entender que os vamos salvar". Quando as explicações não são uma opção, as próprias escolas podem dar uma ajuda. "Acontece mais na primeira fase mas, nesta altura, ainda há algumas escolas com disponibilidade para apoiar os alunos", conta Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de Pais. "Infelizmente ainda não é um apoio tão generalizado como desejaríamos, mas já começa a acontecer".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG