"A única preocupação que ainda devemos ter é com as pessoas acima dos 65 anos"

Portugal caminha para a estabilização, mas casos nos idosos devem continuar a ser vigiados para evitar riscos

Portugal registou ontem o menor número de novos casos de covid-19 desde o início do ano - 5789. Ou seja, menos 2674 casos do que na segunda-feira homóloga, dia 14, quando se registaram 8463. Para o professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que faz a modelação da evolução da doença, isto quer dizer que "se mantém a linha de tendência de redução".

Como diz, as previsões feitas há 14 dias mantém-se, "no final do mês devemos atingir a estabilização, entre os 10 e os 14 mil casos". Por agora, e numa fase que o especialista diz notar-se "a saturação do vírus", "a única preocupação que ainda deveremos ter, de forma moderada, é com as faixas etárias acima dos 65 anos", porque estas, "apesar de terem uma boa proteção vacinal, são as que mais estão suscetíveis ao vírus". "São as faixas que têm menos expostas ao vírus, adquirindo, por isso, menos imunidade natural", afirmou, referindo que "basta olhar para as faixas etárias mais jovens, como a dos 20 aos 29 anos, em que 45% da população foi infetada. Ou seja, três vezes mais do que a faixa dos 70 aos 79 anos, em que a população infetada é só 13%".


Para o especialista, o caminho a seguir deve manter a monitorização e vigilância do número de casos de covid-19 acima dos 65 anos. Reforçando: "É a faixa etária que está na linha vermelha, precisamente porque estamos perante uma variante que consegue furar a barreira da proteção vacinal, infetar e até permitir que, em certas situações, de maior fragilidade do sistema imunitária das pessoas, se desenvolvam formas graves da infeção".

Portanto, é essencial que familiares, amigos e a comunidade em geral, "continuem a manter as regras de proteção individual, como uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento, quando estão com idosos, no sentido de os proteger do risco da infeção e de formas graves da doença". Uma preocupação que considera não existir em relação aos mais novos. "Desenvolvem formas mais ligeiras da infeção e, como disse, uma grande percentagem já adquiriu imunidade natural".


Em relação aos números, o professor da Faculdade de Ciências, salienta ser notória uma descida mais significativa na região Norte, que foi também onde mais subiu o número de casos, e mais ligeira em Lisboa e Vale do Tejo, Centro, Alentejo e Algarve. Neste momento, as regiões que ainda mantém um R(t), nível de transmissibilidade mais elevado, no 1, são a Madeira e os Açores.

A nível nacional o R(t), de acordo com os dados do boletim diário de ontem da Direção-Geral da Saúde, indicava o valor de 0.7, o que quer dizer que cada infetado não consegue sequer infetar uma pessoa, e no continente 0.71

Segundo explicou Carlos Antunes, a descida no número de casos já está a desacelerar e há-de chegar a um ponto em que não irá descer mais. O que se nota é que a descida mais significativa a este nível acontece nas faixas etárias mais jovens, que foram aquelas que também subiram mais rapidamente na infeção. "As faixas etárias dos 0 aos 19 anos estão a contribuir para uma redução significativa da incidência e os jovens dos 19 aos 29 anos também. Em breve, iremos assistir à estabilização dos casos até que começaremos a assistir, semana a semana, a uma redução no número cada vez menor".

A tendência nos óbitos é para começar a diminuir - ontem foram registados 35, precisamente o mesmo número de há uma semana. Em relação aos internamentos, ontem havia 1 832, dos 144 em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Há uma semana eram 2 364, dos quais 148 em UCI.

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