A melhor escola secundária pública do país foca-se no ensino da música

Apesar das dificuldades relacionadas com a falta de instalações, a Escola Artística de Música do Conservatório Nacional foi classificada como a melhor secundária pública. Esforço e dedicação resumem a conquista.

"É tudo uma questão de lutar e não desistir". Estas são as palavras de Lilian Kopke, professora e diretora da Escola Artística de Música do Conservatório Nacional (EAMCN), em Lisboa, escolhe para descrever os mais recentes dados que classificam esta instituição como a melhor escola secundária pública do país.

No ranking das escolas, que tem por base dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, esta instituição dedicada ao ensino da música ocupa o primeiro lugar das escolas secundárias públicas, com uma média de 14,31 em 46 exames do secundário realizados.

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Em conversa com o DN, Lilian Kopke, explica que todo o sucesso se deve ao esforço dos alunos e professores, que estão muito habituados a manter rotinas, métodos de organização e disciplina ao tocarem variados instrumentos. "Estudar música obriga o aluno a ter um treino e disciplina diária, sem fins de semana nem férias. Não dá para não estudar. E esta disciplina que eles aprendem desde pequenos quando começam a estudar um instrumento ajuda na organização e a estabelecer objetivos", explica.

Na Escola Artística de Música do Conservatório Nacional "sempre houve turmas pequenas, o que ajuda também. E temos sorte que quase todos os professores são do quadro, então há uma continuidade pedagógica de um ano para o outro"", sublinha a professora. "Temos de ter uma boa relação entre todos", resume.

Segundo a diretora, a escola tem uma aprovação de 100% e grande parte dos estudantes seguem para o ensino superior: "O objetivo deles não é parar por aqui. Mais de metade dos alunos concorre para escolas fora de Portugal. E nós, professores, também os preparamos para isso. Temos muitas masterclasses, eventos e trazemos muitas pessoas de fora para eles conhecerem."

No entanto, nem tudo é tão simples. A partir do ano letivo de 2018-2019, a EAMCN passou a ocupar parte da Escola Secundária Marquês de Pombal (ESMP), em Belém, enquanto aguarda pela requalificação da sede da instituição de música no Bairro Alto. Desde então, a escola de música atravessa dificuldades face à falta de condições nestas instalações temporárias.

O número insuficiente de salas de aulas, a falta de um auditório, bem como a inexistência de isolamento de som no edifício têm sido alguns dos vários desafios difíceis de gerir, atrapalhando o ensino de música de qualidade."É um exercício diário de coragem e logística que fazemos, tanto os alunos como os professores", admite Lilian.

Com data de regresso ao Bairro Alto prevista apenas para daqui a três anos, a escola vive um período de adversidades. Ainda assim, e tendo em conta a pandemia que dificultou o ensino da música durante os confinamentos, nada parece ter sido um entrave no prestígio desta escola de música, que ocupa o primeiro lugar no ranking das escolas secundárias públicas.

"Os nossos resultados devem-se muito ao trabalho dos professores e das disciplinas académicas. Tentamos sempre resolver tudo dentro da sala de aula e não temos por hábito mandar muitos trabalhos para casa para que os alunos se foquem na música", diz a diretora. "Como a música também desenvolve outras aptidões, tem ajudado as escolas artísticas a ficarem bem posicionadas nos rankings", frisa.

Quanto à preparação dos anos letivos, "é tudo pensado em função das datas dos concertos" e mesmo durante as férias, os alunos têm liberdade total para frequentar a escola e praticar os seus instrumentos.

Para o futuro "o plano é voltar para o Bairro Alto assim que possível", onde os alunos e professores da Escola Artística de Música do Conservatório Nacional tencionam continuar com o bom trabalho e empenho demonstrado através dos exames nacionais.

A EAMCN tem cerca de 1000 alunos, cinco orquestras de música e faz mais de 60 concertos por ano. Na sede da escola, ensinam-se três regimes de cursos - ensino integrado, articulado e supletivo - além das iniciações (dos 6 aos 9 anos), ensino secundário de música ou canto e três cursos profissionais de instrumentista de cordas e teclas, sopros e percussão e jazz (instrumento e voz).

Já nos restantes três pólos desta escola, no Seixal, Amadora e Loures, é possível fazer-se cursos de iniciação de uma vasta lista de instrumentos que vão desde o contrabaixo, piano, oboé e tuba, entre outros.

ines.dias@dn.pt

CRITÉRIOS DO RANKING DN/JN 1. Alunos internos. O ranking das escolas tem por base os resultados da primeira fase de exames dos alunos internos do Ensino Secundário. 2. Número de exames. Foi definido como critério base para elaboração do ranking a nota das dez disciplinas com o maior número de exames: Português, Matemática A, Biologia e Geologia, Física e Química A, Geografia A, História A, Filosofia, Economia A, Inglês e Matemática Aplicada às Ciências Sociais 3. Médias de exame. A classificação é obtida a partir da média das notas de exame às dez disciplinas escolhidas, mas apenas são incluídas as escolas com pelo menos 10 exames, seja no ranking geral, seja no ranking de cada disciplina.

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