A importância dos judeus na história de Portugal, desde os tempos de Afonso Henriques

Protocolo entre Sociedade Histórica da Independência de Portugal e a Comunidade Judaica do Porto assinala o papel dos judeus "na formação e desenvolvimento da Nação" e evoca a amizade entre Afonso Henriques e Yahia Ben Yaish, o primeiro Rabi-Mor do país

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal e a Comunidade Judaica do Porto celebraram um protocolo de parceria, amizade e cooperação, que visa aprofundar o conhecimento da história de Portugal e de ambas as instituições, divulgar junto dos respetivos membros as atividades públicas uma da outra e colaborar na sua difusão.

O protocolo, assinado numa altura em que se completam 200 anos desde a extinção da Inquisição no nosso País, estabelece que se realizará um encontro anual, rotativamente, no Palácio da Independência em Lisboa e no Museu Judaico do Porto, que, além de examinar o estado da cooperação bilateral, poderá realizar uma sessão para abordagem de um tema de relevo público e interesse comum.

"O primeiro encontro entre delegações está previsto realizar-se no Museu Judaico do Porto, no próximo mês de maio, num dia que pensamos ser de reencontro dos valores da portugalidade", afirmou a historiadora Ana Leal de Faria, vice-presidente da Sociedade Histórica.

No protocolo, a Sociedade Histórica reconhece "a importância da participação das comunidades judaicas na formação e no desenvolvimento da Nação, desde seus alvores no século XII" e evoca "o simbolismo da proximidade e amizade que se estabeleceu entre D. Afonso Henriques e D. Yahia Ben Yaish [ou Yahia Ben Yahia], figura de relevo dos primeiros anos de Portugal, que viria a ser o primeiro Rabi-Mor do país, exerceu altas funções de administração do Reino e participou em combates ao lado e ao serviço do seu Rei".

Isabel Lopes, vice-presidente da Comunidade Judaica do Porto, que assinou o Protocolo juntamente com o Chefe-Rabino da cidade, Daniel Litvak, diz que "quando o rabbi D. Yahia Ben Yaish combateu ao lado de D. Afonso Henriques, ao serviço do qual terá morrido, por todo o território já se estendiam, desde longa data, comunidades judaicas. O Museu Judaico do Porto e o Palácio da Independência são óptimos locais para refletir sobre os desafios que Portugal enfrentou, enfrenta e enfrentará".

Antes do Édito de Expulsão de D. Manuel no ano de 1496, a comunidade judaica do Porto era muito relevante no país, ao ponto de terem vivido na cidade o Rabi Isaac Aboab, a maior autoridade do mundo judaico da época, e o famoso astrónomo e historiador Abraham Zacuto.

Depois de séculos de afastamento dos judeus, o Porto voltou a ter uma comunidade judaica no final do século XIX, quando algumas dezenas de judeus alemães, russos e polacos se instalaram na cidade, vindo a comunidade a ter forma legal, já em 1923, por ação do único português da comunidade, o militar de infantaria, capitão Barros Basto, avô de Isabel Lopes, a qual, antes da assinatura do protocolo, ofereceu à Sociedade Histórica um livro escrito por ele, em 1944, intitulado "Dom Yahia Ben-Yahia - O 1.º Rabi-Mor de Portugal", que enaltece a amizade e a cooperação entre aquele Rabi e Dom Afonso Henriques.

Hoje a comunidade judaica do Porto reúne cerca de 500 judeus de trinta origens diferentes e o seu departamento cultural tutela o Museu do Holocausto e o Museu Judaico da cidade.

A Sociedade Histórica, presidida pelo advogado e ex-presidente do CDS José Ribeiro e Castro, prossegue fins de educação e cultura, cuidando da defesa da independência e da identidade de Portugal, assim como da língua, da história e da cultura portuguesas e sua universalidade, ao passo que a Comunidade Judaica do Porto tem como fins, entre outros, a promoção da história e da cultura judaicas.

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