88% da população elegível totalmente vacinada contra a covid

Dados da vacinação são caminho para o desconfinamento total? É o adeus à máscara? O PS já disse que não vai renovar mas o Parlamento só reúne a partir do dia 15. Autoridades não decidiram.

Os mais recentes dados da Saúde indicam que praticamente oito milhões de portugueses têm a vacinação completa contra o SAR-CoV-2. Se acrescentamos o milhão de habitantes em Portugal com menos de 12 anos e que não serão vacinados, significa que o país está próximo dos 90% do alvo para a imunidade através da vacina. Quer dizer que estamos próximo do desconfinamento total? É o adeus à máscara? A Assembleia da República só reúne dia 15. E as autoridades ainda não decidiram.

O governo tinha previsto para outubro a terceira e última fase do desconfinamento, mês em que se estimava que 85% da população portuguesa tivesse a vacinação completa. Entretanto, algumas das etapas foram antecipadas mas, por exemplo, as discotecas continuam por abrir, 18 meses depois do registo do primeiro caso da pandemia no país.

Outra questão está relacionada com o uso da máscara no exterior, medida que tem de ser aprovada na Assembleia República (AR). E, como o DN noticiou na quinta-feira (2 de setembro), caduca no domingo a lei que obriga ao uso de máscaras no exterior. Foi proposta pelo PSD, que na última votação já se absteve, passando o diploma com os votos socialistas, que, já disse, não justificar o seu prolongamento.

Esta terça-feira, o PS irá discutir a não renovação da medida legislativa em conferência de líderes e agendar o tema para a AR, informou a assessoria do partido ao DN. O Parlamento apenas reabre a 15 de setembro, três dias depois da lei caducar. Fica, também, por decidir se o país avança para o desconfinamento total.

A base de dados da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a On Word In Data, indica que, nesta segunda-feira, 76,85% da população portuguesa tem a vacinação completa contra a covid. São 7 952 355 pessoas. O DN utilizou as estimativas da população residente do Instituto Nacional de Estatística (em dezembro eram 10 298 253), uma vez que os Censos de 2021 não têm a distribuição por grupos etários. Indica que há 1 079 198 crianças entre os 0 e 11 anos, um grupo populacional que Portugal não tem previsto vacinar, à semelhança do que acontece na generalidade dos outros países. É, também, a opinião dos cientistas.

Retirando das contas os mais novos, quer dizer que 88% da população portuguesa está totalmente vacinada. O DN questionou na semana passada Direção-Geral da Saúde sobre se o objetivo da imunidade de grupo significava o total da população ou apenas os elegíveis para a vacina. Não obteve resposta.

Vacinação desacelera

Já a task force para a vacinação confirma que não está prevista a vacinação dos menores de 12 anos. Quanto à imunidade de grupo, a base é o total de habitantes no país, 10 347 983, segundo os Censos 2021, explica fonte da task force. Na última semana, 274 mil pessoas ficaram com a vacinação completa. E, domingo, 7,6 milhões dos habitantes do Continente tinham as duas doses da vacina (no caso da Pfizer, Moderna e AstraZeneca) ou uma (Jonhson). A que se somam 300 mil vacinados totais dos Açores e da Madeira, ou seja, os cerca de oito milhões da On Word In Data.
Se tivermos em conta quem levou pelo menos uma dose, aumenta para 87,69% quem está nesta situação e para 98% da população elegível.

Nas últimas duas semanas tem-se assistido a uma desaceleração no processo de vacinação, o que levou à desmontagem de alguns Centros de Vacinação Covid. A exceção são os fins de semana, período em que há um reforço de inoculação nos mais novos. No fim de semana passado foram vacinados 151 mil utentes, dos quais 110 mil jovens entre os 12 e 17 anos e que terminaram o processo. No próximo fins de semana será a vez de um segundo grande grupo destas idades.

No grupo etário dos 50 aos 64 anos, a percentagem de totalmente vacinados é de 92%. E chega aos 99% nos que têm 65 e mais anos de idade, segundo o último relatório da vacinação da DGS

Números tendem a estabilizar

O virologista Pedro Simas sublinha que foi o Governo decidir a meta de 85% da população totalmente vacina para se atingir a imunidade de grupo, não concordando que não se tenha passado para a abertura geral. Defende que o fim das máscaras nas ruas deveria ter acontecido em julho, quando se atingiu os 60% de vacinados, a exemplo do que fizeram o Reino Unido e Israel.

"Foram criticados, mas o risco pandémico já tinha desaparecido. Portugal entrou numa fase endémica da covid-19, o número de novos casos diários não vai baixar muito mais. E, a partir dos 60% da população vacinada, a partir do momento em que os grupos de risco estão vacinados, diminui exponencialmente as consequências graves da doença. E é bom que o coronavírus circule entre a população vacinada, uma vez que aumenta a imunidade", explica o cientista do Instituto de Medicina Molecular.

Ontem, registaram-se mais 663 casos de covid-19, um número baixo como geralmente acontece à segunda-feira. Mais de um milhão de pessoas foram diagnosticadas com a doença no país desde março de 2020, quando foi detetado o primeiro doente. Lisboa e Vale do Tejo têm 406 046, 30% do total, com mais 185 nas últimas 24 horas. Mas é o Norte com o maior aumento, mais 254, num total de 403 100 (39,4 % do total).

ceuneves@dn.pt

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