Ciberataque a laboratórios com influência no Boletim da DGS

Nas últimas 24 horas foram registados 27 651 casos e 47 mortes. Há agora 2366 doentes internados (menos 69), dos quais 168 em UCI (mais 5).

Portugal registou mais 47 mortes e 27 651 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quinta-feira, 10 de fevereiro.

De acordo com uma informação que consta do boletim da DGS, é estimado que o ciberataque que atingiu os laboratórios Germano de Sousa tenham resultado numa quebra de casos positivos entre 5% a 10%, tendo em conta o total de casos apresentados. Nesse contexto, é informado que as notificações agora em atraso serão integradas no boletim, assim que a situação for ultrapassada.

O Norte foi a região onde se registaram mais infeções com um total de 9120 casos, seguido por Lisboa e Vale do Tejo (8520), Centro (5516), Alentejo (1569), Alentejo (1452), Açores (901) e Madeira (573).

Também a região Norte foi onde houve mais óbitos nas últimas 24 horas, com 18 vítimas, seguido pelo Centro (15), Lisboa e Vale do Tejo (9), Açores (2), Alentejo (1), Algarve (1), Madeira (1).

Há agora 2366 pessoas internadas (menos 69 que ontem) com covid-19, das quais 168 em unidades de cuidados intensivos (mais 5 que na véspera).

Especialista defende redução de máscara em espaços fechados e fim de isolamento para contactos

Os números atuais apontam para uma tendência de estabilização da covid-19 em Portugal. O pico da vaga gerada pela variante Ómicron já passou e todas as regiões estão a reduzir a incidência, embora a velocidades diferentes. Mas a boa notícia é que no final de fevereiro, princípio de março, Portugal deverá estabilizar o número de casos diários nos 10 mil a 14 mil.

Segundo o professor Carlos Antunes, que integra a equipa que faz a modelação da evolução da covid-19 desde o início da pandemia, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, "essa foi a tendência observada na região da Madeira e em outros países, como Reino Unido e Dinamarca, e que se espera a nível nacional".

E explica: "Neste momento, a redução que se verifica é de metade dos casos ao fim de 14 dias. E olhando para o máximo de casos que atingimos em termos médios nesta onda, que foi de 56 mil no dia 26 de janeiro, embora tivéssemos registado individualmente três dias acima dos 60 mil casos, vemos que nas últimas duas semanas conseguimos baixar para metade, mantendo uma média de 28 mil casos, e tudo aponta para que daqui a duas semanas a redução de casos passe para um quarto, cerca de 10 a 14 mil, e que possa estabilizar aqui."

Na opinião do analista de dados, esta fase de estabilização deve ser aproveitada para se "reduzir e simplificar" as regras de restrição, até para aliviar os serviços de saúde na área da saúde pública e dos cuidados primários, que ainda são os que têm maior pressão com a covid-19, e aliviar a pressão psicológica junto da população, bem como o absentismo. No entanto, salvaguarda, "há que manter a monitorização e a vigilância da doença, para sabermos se a simplificação das medidas está a ter um impacto negativo ou neutro na comunidade".

O certo é que tanto peritos como governo estão a pensar nesse alívio. Ontem mesmo, António Costa anunciou nova reunião com os peritos que têm apoiado o combate à pandemia, no Infarmed. Há dois dias, a pneumologista do Centro Hospitalar de Vila Nova Gaia, Raquel Duarte, que lidera a equipa que tem feito as propostas de desconfinamento para o governo, disse ao DN ser este o momento ideal para se planear o futuro, e que a mudança poderia começar pelo alívio da testagem massiva, mas Carlos Antunes vai mais longe, embora concorde em pleno com a médica quanto ao critério de que "o aumento ou o alívio de medidas deve ser ajustado à gravidade da doença". E dá como exemplo a região autónoma da Madeira, que "adotou cinco dias para isolamento de infetados, quando o continente optou pelos sete, não tendo sido verificado qualquer impacto negativo da medida".

"Sabemos que quanto mais curto for o tempo de isolamento maior será a percentagem de pessoas que podem sair dele ainda infetas. É um risco, mas é um risco que a Madeira assumiu, os ingleses e os americanos também, e que não teve impacto significativo na incidência da doença", sublinha.

Neste sentido, Carlos Antunes considera que a partir da primavera, data já avançada por alguns especialistas como sendo aquela que marcará o o alívio das restrições em vigor, se deve restringir o isolamento exclusivamente para infetados, libertando deste período os contactos de risco - até mais do que os doentes assintomáticos, porque "estes têm menos probabilidade de infetar do que os doentes ativos". "Tem-se falado em abdicar do isolamento das pessoas assintomáticas, mas sou mais apologista de se abdicar do isolamento para os contactos de risco. Portugal já simplificou o isolamento para quem tem a terceira dose da vacina, nomeadamente para a população em lares e para os profissionais de saúde, mas acho que a medida pode ser generalizada a toda a população." Os sete dias de isolamento manter-se-iam apenas para os infetados, sobretudo para os doentes sintomáticos.

Na opinião do professor da Faculdade de Ciências de Lisboa, "esta medida poderá aliviar drasticamente e de forma muito positiva os profissionais de saúde, já que teriam menos pessoas para seguir, e também a população, ao reduzir o seu absentismo".

Portugueses mais felizes e satisfeitos com a vida do que antes da pandemia

Os portugueses parecem estar mais felizes e satisfeitos com a vida quase dois anos depois do início da pandemia de covid-19, sugere um estudo divulgado esta quinta-feira que aponta níveis de felicidade melhores até do que em 2019.

Esta é uma das conclusões do mais recente estudo do Observatório da Sociedade Portuguesa, da Universidade Católica em Lisboa, que se debruçou, entre outros temas, sobre os níveis de felicidade e satisfação dos portugueses.

Quase dois anos a viver em plena pandemia, dos mil inquiridos entre 29 de novembro e 09 de dezembro, a grande maioria dizia sentir-se feliz ou muito feliz (80%) e também satisfeito ou muito satisfeito (79,1%) com a sua vida.

Comparativamente ao início da pandemia, em março de 2020, a percentagem de pessoas felizes aumentou nove pontos percentuais, o mesmo número em que diminuíram aquelas que se diziam sentir infelizes.

Quanto à satisfação com a sua vida, a diferença é igualmente significativa, com a taxa de inquiridos insatisfeitos a passar de 15,9% para 8,1%.

"Há uma clara recuperação, face ao primeiro impacto da pandemia, havendo até uma superação face aos valores pré-pandemia", sublinha o relatório.

Se em novembro de 2019 havia ligeiramente menos pessoas a relatarem sentir-se felizes (uma diferença de 0,3 pontos percentuais) e a percentagem de pessoas que se mostram muito felizes aumentou quase três pontos percentuais, de 9,2% para 12,1%.

O mesmo observa-se em relação à satisfação, com um ligeiro aumento do número de pessoas satisfeitas e muito satisfeitas, enquanto o número insatisfeitos ou muito insatisfeitos diminuiu.

Além dos níveis de felicidade e satisfação, o estudo avaliou também a perceção de saúde dos portugueses e maioria considera que a sua saúde está boa (37,9%), muito boa (32,3%) ou até ótima (10,2%). Pelo contrário, 19,7% avaliam apenas como razoável e 2,7% dizem que é fraca.

Olhando para o período anterior à pandemia, os portugueses parecem estar mais otimistas quanto à sua saúde atual, mas menos quanto à saúde no futuro, registando-se uma diminuição das pessoas que sentem que adoecem mais facilmente do que as outras (menos 3,8%) e daquelas que acreditam que a sua saúde será melhor no futuro do que era naquela altura (menos 2,9%).

Isto reflete-se na perceção quanto à qualidade de vida, que cerca de 60% dos inquiridos classificam como boa ou muito boa, enquanto 5,8% a avaliaram negativamente, como fraca ou muito fraca, sendo que também aqui os resultados mais recentes apontam uma melhoria em relação a novembro de 2019.

Desde o início da pandemia que o Observatório avalia também os seus efeitos e o relatório divulgado esta quinta-feira indica que quase metade dos inquiridos ainda ficam desconfortáveis em pensar sobre a covid-19, apesar 54,3% não ficar nervoso ao ver notícias sobre a pandemia e 62% dizer que não tem medo da doença.

Por outro lado, 72,4% dos participantes revelaram que "nunca ou quase nunca" sentem que não têm ninguém a quem possa recorrer e, em relação a novembro de 2016, há até menos pessoas que dizem sentir-se sozinhas.

"De forma interessante, e apesar de nos encontrarmos ainda em período de pandemia, ainda com algumas restrições à interação e convívio social, parece que a relativa liberdade sentida face a períodos anteriores da pandemia é valorizada pelos participantes neste estudo", lê-se no documento.

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