100 mil crianças já escreveram ao "Senhor Pai Natal dos Correios"

CTT respondem a todas as cartas enviadas para o Pai Natal. Brinquedos são o presente mais pedido, mas também há quem peça saúde, um irmão ou um animal de estimação

Com "muito carinho e educação", cem mil crianças portuguesas já deram vida neste ano à tradição de escrever ao "Senhor Pai Natal" contando-lhes os seus desejos para a quadra. Todos os anos, cerca de 165 mil cartas chegam aos CTT, que garantem resposta a cada uma delas. Neste ano, o número ainda está longe do esperado pelos Correios, de 170 mil, mas à semelhança de anos anteriores os pedidos de brinquedos ocupam a maior parte das linhas, mas também há quem escreva para pedir amor, um irmão, saúde para os avós, um cão ou um gato. Roupa, curiosamente, não faz parte da lista de desejos natalícios dos mais pequenos.

Aos balcões dos Correios chegaram pedidos como o do André, que quer substituir a sua bicicleta "velhinha" que já tem "quatro anos". Mostrando que se portou bem durante o ano e que é um rapaz bem-comportado, a carta é dirigida ao "Senhor Pai Natal", de quem se despede com "um grande abraço".

Beatriz, de 8 anos, também mostra muito cuidado na forma como se dirige ao Pai Natal. Talvez à procura de ser bem-sucedida e receber todos os presentes, escreve: "Olhe, eu queria pedir-lhe um favor, se não o estou a incomodar. Eu queria a boneca Princesa Sofia e um peluche. Obrigada, beijinhos, adeus, muito obrigada e muitas felicidades." Também "com educação", o Pedro, de 9 anos, pede um escorrega e um camião ao Pai Natal, juntando ao pedido os recortes dos brinquedos pretendidos, para que não haja erro na hora de comprar.

Alguns - por ainda não terem idade para escrever - desenham o que pretendem receber na noite de Natal. Cabe ao avozinho das barbas brancas decifrar os pedidos que se escondem nesses desenhos.

Os CTT não garantem que os desejos de todos estes meninos se vão concretizar, mas prometem uma resposta e um "pequeno presente simbólico". Tudo graças a uma "equipa especial que se dedica a tempo inteiro" a responder às cartas que chegam para destinos tão variados como os clássicos "Polo Norte" e "Lapónia" ou os mais invulgares "Nuvem 3 da Rua do Pai Natal", "Caminho das Estrelas", "Terra dos Brinquedos", "País do Pai Natal", a "Terra do Frio" ou para o "Pai Natal dos Correios".

Estas são as únicas cartas que os serviços recebem sem selo. Para muitas crianças esta é a primeira - e provavelmente a única - experiência de escrita de uma carta. Daí que os CTT se esforcem para manter a tradição.

Um Pai Natal para todos

A este trabalho do Pai Natal junta-se outra iniciativa dos Correios. O Pai Natal Solidário, que quer realizar os sonhos a cerca de duas mil crianças até aos 12 anos, que estão à guarda ou são acompanhadas por 55 instituições.

As crianças escreveram as suas cartas, que estão publicadas na página www.painatalsolidario.pt e disponíveis em 30 lojas dos CTT, e qualquer pessoa pode apadrinhar uma destas cartas, oferecendo o presente que é pedido. A identidade de padrinhos e apadrinhados é mantida em segredo e os CTT garantem a entrega gratuita dos presentes.

Até agora foram apadrinhadas 1850 cartas, faltando ainda conceder os desejos a 852 crianças. A iniciativa do Pai Natal Solidário está disponível até 6 de janeiro. O conteúdo das cartas só é conhecido depois de ser apadrinhada, mas os CTT garantem que os pedidos são semelhantes aos de todos os meninos, com os brinquedos no topo das preferências.

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