Vencedores e vencidos da noite das presidenciais

Quem ganhou e quem perdeu nas eleições deste domingo

Vencedores

Marcelo Rebelo de Sousa

Não foi o resultado estrondoso que as primeiras sondagens previam. Mas venceu à primeira volta, quando nos últimos dias se chegou a pensar o contrário. Marcelo tanto quis distanciar-se do PSD que pode ter afastado eleitorado da sua família política. Fez, aliás, questão de se afirmar o candidato "da esquerda da direita", mostrou vontade de cooperar com o governo de Costa (mais do que a direita gostaria) e capitalizou com a ambiguidade socialista nestas eleições.

Marisa Matias

O Bloco de Esquerda (BE) tem capitalizado o descontentamento dos portugueses nas urnas. E Catarina Martins foi ontem a única líder partidária a poder cantar vitória. Se nas legislativas o BE já tinha alcançado o seu melhor resultado de sempre com a eleição de 19 deputados (10,19% dos votos), passando o PCP para quarta força política, ontem o fenómeno repetiu-se: a candidata Marisa Matias ultrapassou o candidato comunista a toda a velocidade.

Vitorino Silva

Os resultados alcançados por Tino de Rans são a prova de que a política não é uma ciência exata. Sem apoio partidário, sem personalidades de relevo na campanha e visto muitas vezes como o anedotário das presidenciais, Vitorino Silva ficou próximo de Edgar Silva e de Maria de Belém. Os milhares de votos no socialista que ficou conhecido por uma intervenção num congresso do PS - muito antes da sua participação no Big Brother - revelam, no mínimo, o descontentamento com as candidaturas tradicionais.

Catarina Martins

Duas eleições seguidas em que o Bloco de Esquerda alcança resultados surpreendentes. A "menina" Marisa, como os populares lhe chamaram, conseguiu a proeza de ficar à frente do candidato do PCP e... da socialista Maria de Belém. Embalada pelo élan alcançado pelo BE nas legislativas de outubro, a simplicidade e a firmeza nas críticas às subvenções dos políticos valeram à eurodeputada o reconhecimento do eleitorado com mais de 10% dos votos. Em 2011 o BE apoiou Manuel Alegre, mas há dez anos Louçã ficou-se pelos 5,31%.

Nem vencedor nem vencido

Sampaio da Nóvoa

O "tempo novo" não chegou para Sampaio da Nóvoa. Sem conseguir uma segunda volta, o ex-reitor é um perdedor... mas nem tanto. Afinal, tinha a pior tarefa de todas - era um desconhecido dos portugueses, sem histórico político, e teve de lidar com a ambiguidade do Partido Socialista nestas presidenciais. Costa ainda disse que ele pertencia à família socialista, os ex-presidentes vivos deram a cara pela sua candidatura. Mas não foi suficiente para ameaçar Marcelo.

Vencidos

António Costa

Marcelo Rebelo de Sousa, a ter em conta o que tem dito, não irá fazer a vida negra ao governo. Mas António Costa ficará na história como o líder socialista que não conseguiu travar a pulverização de candidaturas à esquerda, duas delas com fortes apoios oriundos no seu partido. Sampaio da Nóvoa seria o seu candidato - "pertence à família socialista", disse - mas não conseguiu travar o avanço de Maria de Belém. E não teve coragem de avançar com o apoio do PS a um candidato na primeira volta. Marcelo agradeceu.

Edgar Silva

O PCP tem a particularidade de transformar derrotas em vitórias. Mas ontem foi impossível a Jerónimo de Sousa dar a volta aos resultados: o candidato comunista ficou próximo de Tino de Rans e viu a candidata do BE ascender. Edgar Silva teve dos piores resultados do PCP. Só António Abreu ostenta números tão negros: obteve 5,16% dos votos em 2011. O PCP está mesmo a perder terreno para o BE ou Edgar foi penalizado pelo discurso crítico ao governo... ou por o apoiar?

Maria de Belém

A anterior presidente do PS foi a grande derrotada da noite eleitoral. Apesar do apoio de algum PS moderado e de históricos como Manuel Alegre e Jorge Coelho, Maria de Belém não chegou aos 5%, muito aquém do que previam as sondagens. A polémica das subvenções que estourou na segunda semana de campanha (a candidata foi um dos 30 subscritores do recurso ao Tribunal Constitucional para que fossem repostas) foi apenas a machadada final numa candidatura que verdadeiramente não saiu para a rua.

Pedro Passos Coelho

O candidato de Passos era Rui Rio. Mas os acontecimentos e a reclusão do ex-presidente da Câmara do Porto obrigaram o líder do PSD, juntamente com Portas, a declarar apoio a Marcelo. Aquele mesmo que reunia as características que recusou numa moção. Foi um apoio tímido - nem Marcelo quis que fosse pleno. Hoje Passos poderia subir ao pódio dos vencedores, mas não. Na bancada da oposição, protagoniza uma situação caricata - não terá o Presidente como aliado. Mesmo que seja da sua cor política.

Paulo de Morais

O discurso populista do ex-vice-presidente da Câmara do Porto não colheu junto do eleitorado. Paulo de Morais, figura conhecida pelo seu discurso na denúncia da corrupção, viu os eleitores mostrarem que preferem o popular Vitorino Silva do que o populismo. Social-democrata, saiu do partido descontente com a linha de austeridade de Passos Coelho. Na campanha soube-se que durante dez anos não apresentou os rendimentos ao Tribunal Constitucional.

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