Tempestade Félix só abranda a partir de amanhã

Agitação marítima encerrou 14 barras e cortou trânsito nas marginais do Porto e Caminha. Na bacia do Tejo foi acionado ontem o Plano Especial de Emergência de Cheias

A chegada da tempestade Félix ao território continental, ao fim da tarde de ontem, agravou as condições meteorológicas, sobretudo no norte e centro do país, com mais chuva e vento forte, com rajadas da ordem dos 85 a 100 km por hora, e agitação marítima - estavam previstas ondas de sete a oito metros, podendo atingir os 14 metros. A ondulação excecional motivou um alerta vermelho (o mais grave) por parte do IPMA, a partir da madrugada, que vai manter-se até meio da tarde de hoje.

A precipitação dos últimos dias e a previsão da sua intensificação este fim de semana, levou a autarquia de Coimbra a acionado seu plano municipal de cheias, e o mesmo aconteceu, mais a sul, na bacia do Tejo, para a qual foi acionado também o Plano Especial de Emergência para Cheias. "Mantendo-se a situação atual, prevê-se que que os caudais lançados no rio Tejo possam atingir os 2000 m3 por segundo em Almourol, ao longo do dia de hoje [ontem]", referiu em comunicado o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

O agravamento da agitação marítima obrigou ao encerramento de 14 barras no continente e, no Porto, também foram tomadas medidas preventivas, nomeadamente com o corte do trânsito da avenida Dom Carlos I, na zona da barra do Douro. Pelo mesmo motivo, a câmara municipal de Caminha e a capitania local decidiram igualmente "condicionar e suspender, temporariamente, o trânsito e estacionamento" em Vila Praia de Âncora, das 21.00 de ontem às 15.00 de hoje.

O mau tempo já fez estragos na semana passada, quando um tornado, no Algarve, destruiu infraestruturas agrícolas e os alojamentos de cerca de uma centena de pessoas da comunidade cigana que estão agora temporariamente alojadas num pavilhão desportivo municipal em Faro.

O presidente da República, que ontem visitou a região afetada, referiu-se, a propósito, ao problema da alterações climáticas, que cada vez com mais frequência estão a desencadear fenómenos extremos com estragos materiais crescentes. "Todos nós como comunidade, e não somos os únicos, estamos a descobrir que há alterações climáticas. E apesar de haver um ou outro que continua a dizer que não há, há. E essa é uma realidade nova", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O tornado no Algarve causou um prejuízo que foi calculado em 3,6 milhões de euros nas infraestruturas de 60 explorações agrícolas do Algarve, como referiu o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

O mau tempo abranda a partir de amanhã, abrindo uma nova janela para a operação de resgate do cargueiro espanhol encalhado na barra do Tejo. Os trabalhos recomeçam amanhã manhã.

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