Quase um terço dos portugueses quer voltar a estudar em breve

Fundação Belmiro de Azevedo lança hoje think-tank da Educação para promovera reflexão, mas também a investigação. Primeiro trabalho mostra o valor que é dado à escola

Dois terços dos portugueses (62%) gostava de ter mais escolaridade que aquela que tem. E metade desses (28%) está decidida a voltar à escola em breve para mudar essa realidade. Estas são duas das conclusões do primeiro estudo promovido pelo think-tank criado pela Fundação Belmiro de Azevedo para se dedicar aos temas da Educação.

A instituição, única em Portugal, é apresentada hoje, no Convento de Beato, em Lisboa, e vai reunir no seu conselho consultivo nomes como Isabel Alçada, consultora para a Educação do Presidente da República e ex-ministra da área, o ex-ministro e presidente do Conselho Nacional de Educação, David Justino, os ex-secretários de Estado João Queiró e Isabel Leite ou o presidente da Agência Nacional de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Alberto Amaral.

A apresentação hoje do EDULOG vai estar a cargo de outro membro do conselho consultivo, José Novais Barbosa, presidente da UPTEC. Os restantes elementos que vão definir as prioridades do observatório são o sociólogo António Barreto, o fundador do grupo Sonae e do EDULOG, Belmiro de Azevedo, e Luís Reis, CEO da Sonae Financial Services.

Além de promover o debate, este projeto pretende divulgar e disponibilizar dados sobre a Educação em Portugal e a sua comparação a nível internacional, e também financiar projetos de investigação. Foi por acreditar que "esta instituição pode ajudar a melhorar a Educação", que a ex-ministra socialista Isabel Alçada aceitou fazer parte do conselho consultivo. "Este projeto pretende trazer um contributo importante para a reflexão sobre a Educação e apoiar essa reflexão em informação científica", aponta a atual consultora de Marcelo Rebelo de Sousa.

Nesse sentido, logo na apresentação vai ser divulgado o primeiro estudo feito para o EDULOG, sobre o Valor Atribuído pelos Portugueses à Educação. O trabalho desenvolvido pela professora Patrícia Ávilla, do ISCTE, e Carlos Liz, da IPSOS APEME mostra que a maioria dos portugueses não está satisfeito com o grau de escolaridade que tem.

28% queixa-se de falta de oferta

Para compensar as baixas qualificações, quase um terço (28%) planeia voltar à escola. Destes 15% pensa fazê-lo a curto prazo e 13% a médio prazo. Porém, são os portugueses que têm um nível mais elevado de escolaridade (secundário ou superior) que mostram vontade de continuar a estudar, aponta a investigadora Patrícia Ávilla.

Ao mesmo tempo, um terço dos portugueses que não tem intenção de voltar à escola justifica essa atitude com "a falta de oferta". "Os dados mostram que a falta de oferta é um problema, mas também é preciso trabalhar a motivação de quem pode beneficiar destes programas. Estamos a falar de pessoas que se colocam muito fora do sistema, que acham que voltar à escola não é para elas. Junta-se a isso o facto de neste momento não haver nenhum programa nacional que tenha substituído o Novas Oportunidades", acrescenta.

A formação de adultos é uma das áreas também identificadas por Isabel Alçada como prioritárias. "Existe uma imperiosa necessidade de haver uma formação de adultos que valorize as áreas-chave que devem ser adquiridas e que seja adequada à etapa da vida em que estas pessoas estão. Experiências anteriores dizem-nos que um modelo similar à educação de jovens não funciona. É preciso ir ao encontro da forma como o adulto encara a educação". A ex-ministra defende que esta reflexão deve ser uma prioridade para o grupo que agora integra.

A criação deste projeto foi anunciada há um ano pelo fundador da Sonae, quando este comemorou os 50 no grupo. Retirado dos órgãos sociais e da gestão das empresas, Belmiro de Azevedo apostou na fundação e mais concretamente na criação deste think-tank. Na época, o empresário admitiu que ia aproveitar o tempo livre para também, ele, voltar a estudar. Uma atividade que descreve como um "vício" criado pelo seu professor primário.

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