Populares cortam estrada contra traçado da futura A32

Centenas de populares cortaram hoje o trânsito na antiga Estrada Nacional nº 1(IC2), na Branca, Albergaria-a-Velha, em protesto contra o traçado aprovado da A32, que consideram prejudicial para a freguesia.

Após uma reunião alargada à população no largo da Junta, promovida pela Associação do Ambiente e Património da Branca(AURANCA), os manifestantes dividiram-se em duas colunas automóveis e partiram em marcha lenta, por dois percursos diferentes, com o intuito de perturbar o trânsito.

As duas colunas automóveis viriam depois a convergir para o ponto de partida, onde pararam simbolicamente durante alguns minutos, impedindo a circulação da ex. EN1 nos dois sentidos, rumando depois para Albergaria-a-Velha, onde se concentraram em frente da Câmara, assinalando o seu descontentamento com um ruidoso buzinão.

Os populares contestam a decisão do secretário de Estado do Ambiente de manter a denominada "alternativa 5", em detrimento do traçado 1, que há 25 anos tem um corredor reservado a poente, onde durante todo esse tempo foram impedidos de construir.

Dizem não compreender porque é que a A32 é desviada do traçado inicialmente previsto, escolha que consideram uma "decisão política, para a qual não conseguem arranjar cobertura técnica".

Queixam-se ainda do impacto paisagístico que a auto-estrada terá se for feita na encosta, "com maiores custos pelo movimento de terras a que obriga, com um traçado sinuoso e que implica a construção de um "viaduto brutal ao lado das habitações", na zona de Fradelos".

"Existem 35 nascentes de água potável que ficarão irremediavelmente perdidas", sustenta Joaquim Santos, da AURANCA, referindo ainda que o traçado escolhido pelo secretário de Estado do Ambiente ignora ainda a estação arqueológica de S. Julião, onde foram descobertos cerca de mil artefactos, como louça cerâmica e pesos de tear, a 50 centímetros da superfície, bem como a calçada romana que passa nesse eixo.

A associação classifica ainda como "falsidade" a argumentação das Estradas de Portugal que justifica o abandono do traçado 1 devido aos impactos sociais que iria criar, "porque um grupo alargado de moradores está contra o traçado a poente", e considera que a mobilização popular de hoje vem provar precisamente o contrário.

MSO

Lusa

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