"Não falámos muito nisso mas havia risco de incêndio" na escola

Secundária reabre com garantias de segurança "por escrito" da Parque Escolar. Diretor conta agora que problemas eram maiores do que o que foi noticiado antes do Natal

Aproxima-se a hora de almoço e os carros dos pais e dos avós, que vêm buscar os alunos, já fazem fila à entrada da Secundária de Carcavelos. Começam a surgir os estudantes, em pequenos bandos. Tudo normal. Quem por ali passasse não diria que aquela escola esteve em risco de não abrir no segundo período por questões de segurança. Ou então diria que o ultimato, dado ao Ministério da Educação e à Parque Escolar, a 22 de dezembro, tinha sido exagerado. Mas o risco foi real, garante o diretor Adelino Calado. E até maior do que transpareceu.

"Não falámos muito nisso, para não criar alarme, mas os problemas de segurança não se resumiam à falta de luzes ou de estores em algumas salas", assume o diretor. "Esses problemas existiam, felizmente foram resolvidos, mas havia outros piores e que constituíam riscos de segurança", diz. "Existiam problemas com calhas e fios elétricos", ilustra. "Agora posso dizer que havia o perigo de incêndio ou eletrocussão."

Para os alunos ouvidos pelo DN, a notícia, recebida durante as férias, de que a escola esteve em risco de não reabrir, foi uma surpresa. Todos conheciam alguns problemas pontuais mas desconheciam que estes pudessem ameaçar o funcionamento da secundária: "Sinceramente, não tínhamos noção. Ficámos espantados com a notícia de que a escola não podia abrir", conta Mariana Silva, aluna do 10.º ano. "Nós, alunos, não demos muito por esses problemas. Mas é claro que agora nos sentimos mais seguros", acrescenta Diogo Azevedo, do mesmo ano.

Adelino Calado explica que parte dos problemas, nomeadamente os relativos ao sistema elétrico, não chegaram a acontecer porque a escola teve uma atitude preventiva: "Por exemplo, estava proibido o uso de aquecedores, e os alunos estranhavam essa regra. Agora, já nem são necessários: o ar condicionado já está a funcionar normalmente."

Na última semana, depois do alerta público feito pela escola, sucederam-se as equipas de técnicos na escola, numa corrida contra o tempo para deixar tudo em condições antes do arranque das aulas. Adelino Calado elogia "o esforço" da parte da tutela e da empresa que gere as escolas secundárias: "Em certa medida, tiveram de fazer o trabalho normal de manutenção de oito meses, que é o tempo que já levávamos sem um funcionário dessa área", explica.

Agora, a promessa da Parque Escolar é colocar um substituto ainda este mês: "Esperemos que cumpram porque, com mais dois meses sem manutenção, fica tudo igual", avisa.

"Teve de vir a televisão"

Entre os encarregados de educação e outros familiares dos alunos, o sentimento também é de alívio. Tanto por não se ter concretizado o encerramento como pelas garantias de que a escola está agora mais segura.

"Sinceramente, fui sabendo dos problemas da escola através da minha nora", diz Artur Sardo, avô de uma aluna. "Mas acho que a escola agiu bem. Infelizmente, há que pressionar para mudar as coisas. Neste país de brandos costumes, sem alguma pressão nada avança. E depois as coisas vão-se acumulando até que um dia rebentam."

"Só é pena ter de vir cá a televisão para as coisas acontecerem", lamenta Conceição Dias, mãe de um aluno do 12.º ano. "Têm havido muitos problemas, desde a falta de luz a salas onde não se vê o quadro, porque faltam os estores. As escolas têm de ter condições de utilização e de segurança", defende. "Sobretudo esta, porque tem muitos alunos do 5.º ao 12.º ano de escolaridade, e falta de funcionários."

Adelino Calado recusa falar numa vitória. "Não é uma questão de dizer se valeu ou não a pena fazer pressão. O facto é que, tal como estava, a escola não era segura. Não havia condições para ter 1800 alunos na escola em segurança", resume. E "sem garantias de segurança", garante, "a escola não tinha mesmo aberto as portas".

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